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Friday, October 9, 2026

Com plano de R$ 300 milhões, All Green Group mira 3.500 veículos elétricos até 2029

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O grupo de logística e mobilidade elétrica All Green Group prevê investir cerca de R$ 300 milhões para ampliar a frota de 500 para cerca de 1.000 veículos elétricos até meados de 2027. O plano inclui recarga, energia e tecnologia para levar a eletrificação das entregas urbanas ao transporte rodoviário. Até 2029, o grupo mira 3.500 veículos elétricos, incluindo caminhões.

O All Green Group, grupo formado pelas empresas To Do Green, Green Mobility e Green On, prevê investir cerca de R$ 300 milhões na ampliação da frota de veículos elétricos e da infraestrutura de recarga. A informação foi divulgada com exclusividade à EXAME.

O plano faz parte de uma estratégia para levar a eletrificação, hoje concentrada principalmente nas entregas urbanas, para operações de transporte rodoviário de cargas.

A companhia trabalha com a meta de sair dos atuais 500 veículos elétricos para aproximadamente 1.000 unidades. O prazo, no entanto, ainda depende da capacidade de fornecimento do mercado. Embora o planejamento divulgado pelo grupo estabeleça o fim de 2026 como referência inicial, a própria empresa considera mais realista alcançar esse patamar até meados de 2027.

“Reconhecemos a dificuldade do mercado em disponibilizar esses veículos na escala necessária”, afirmou Paula Simões, fundadora e CEO do All Green Group, em entrevista à EXAME.

Segundo ela, a expansão deverá acompanhar as condições de fornecimento e a capacidade do grupo de manter a operação dentro dos padrões previstos.

A diferença entre a meta inicial e a expectativa atual expõe um dos principais gargalos para a eletrificação da logística pesada no país: não basta haver demanda por veículos elétricos.

All Green Group: companhia aposta em caminhões elétricos e infraestrutura de recarga para ampliar operação

A expansão depende também da disponibilidade de modelos adequados às operações, de infraestrutura de carregamento e da capacidade de manter previsibilidade em rotas com maiores distâncias e cargas mais pesadas.

Até 2029, o All Green Group mira uma frota de aproximadamente 3.500 veículos elétricos, incluindo caminhões.

Do crescimento da última milha para as rodovias

A origem do grupo está na To Do Green, empresa de logística que concentra a operação com veículos elétricos e que construiu sua atuação principalmente em entregas urbanas e de última milha, etapa final do transporte até o consumidor.

Agora, o grupo pretende avançar para o chamado middle mile, trecho intermediário da logística responsável pelo transporte de mercadorias entre centros de distribuição, e, posteriormente, para operações rodoviárias de média e longa distância.

Esse movimento exigirá uma estrutura diferente daquela utilizada nas cidades. Além da maior autonomia dos veículos, operações rodoviárias dependem de pontos de recarga compatíveis com caminhões, planejamento de paradas, disponibilidade de energia e integração com as janelas de entrega.

“O principal desafio é a infraestrutura de recarga adequada ao transporte pesado, especialmente em um país com longas distâncias entre centros de produção, distribuição e consumo”, diz Simões.

A Rodovia Presidente Dutra, que conecta São Paulo ao Rio de Janeiro, foi escolhida como um dos primeiros corredores para essa estratégia. O plano é ampliar progressivamente a utilização de caminhões elétricos na rota e desenvolver uma infraestrutura de carregamento capaz de atender esse tipo de operação.

A companhia também pretende avaliar outros corredores logísticos à medida que o modelo avance.

Um investimento que vai além da compra de veículos

Os investimentos de R$ 300 milhões previstos pelo grupo não serão direcionados exclusivamente à aquisição de veículos. O planejamento também inclui infraestrutura de carregamento, energia e tecnologia para administrar as operações.

Essa estrutura está dividida entre as três empresas do grupo. A To Do Green responde pela operação logística; a Green Mobility atua na disponibilização e gestão dos veículos e ativos; e a Green On concentra a infraestrutura de carregamento, energia e soluções tecnológicas.

A estratégia é desenvolver de forma conjunta partes da operação que, segundo a empresa, hoje representam barreiras para empresas interessadas em eletrificar suas frotas.

“Eletrificar uma frota é apenas uma parte do desafio. Para fazer essa transformação em escala, precisamos garantir veículos, energia, infraestrutura, tecnologia e excelência operacional”, afirma Simões.

A companhia também iniciou conversas com fabricantes de veículos comerciais elétricos, fornecedores de baterias e empresas ligadas à infraestrutura de recarga.

Parte desses contatos ocorreu durante uma agenda na China, país hoje que lidera a fabricação de materiais de energia limpa e os próprios veículos eletrificados. No Brasil, o grupo também mantém diálogo com fabricantes e fornecedores da indústria automotiva.

As negociações incluem veículos comerciais, caminhões elétricos, baterias, sistemas de armazenamento de energia e estruturas de parceria e investimento.

Receita cresce enquanto grupo prepara nova etapa

A expansão ocorre após um período de crescimento da To Do Green. Segundo dados fornecidos pela companhia, a receita da empresa passou de aproximadamente R$ 35 milhões para R$ 110 milhões em 2025.

Para 2026, o All Green Group projeta faturamento entre R$ 230 milhões e R$ 240 milhões.

O avanço da receita, porém, não depende apenas da duplicação imediata da frota. A própria empresa afirma que a projeção considera também expansão comercial, aumento da produtividade, utilização dos veículos existentes e eficiência operacional.

“A meta de faturamento de até R$ 240 milhões em 2026 não depende exclusivamente de atingir esse número de veículos ainda neste ano”, diz Simões.

A necessidade de separar as duas metas é relevante porque a ampliação da frota enfrenta uma restrição que não está totalmente sob controle do grupo: a oferta de veículos elétricos em volume suficiente.

Ao mesmo tempo, o próximo estágio da operação coloca o All Green Group diante de um desafio mais complexo do que aquele enfrentado na logística urbana. No transporte rodoviário, a adoção de caminhões elétricos dependerá não apenas da disponibilidade dos veículos, mas também da criação de uma rede de recarga capaz de sustentar rotas regulares e previsíveis.

Para a empresa, a aposta é que a combinação entre infraestrutura e maior utilização dos veículos permita equilibrar custos operacionais e redução de emissões ao longo do tempo.

“A eletrificação tem potencial para reduzir emissões e, conforme a utilização e a infraestrutura disponíveis, melhorar a eficiência dos custos operacionais”, afirma a executiva.

A estratégia será testada inicialmente em corredores como a Dutra. É nessa etapa que o grupo terá de demonstrar se a experiência acumulada nas operações urbanas pode ser replicada em uma parte da logística na qual autonomia, tempo de recarga, investimento inicial e disponibilidade de infraestrutura têm peso maior sobre a operação.

Paula Simões, fundadora e CEO do All Green Group: "O principal desafio é a infraestrutura de recarga adequada ao transporte pesado"

'Perguntas frequentes'

Quanto o All Green Group pretende investir em veículos elétricos? +

O All Green Group prevê investir cerca de R$ 300 milhões na ampliação da frota elétrica e em infraestrutura de carregamento, energia e tecnologia para administrar as operações.

Quando o All Green Group pretende alcançar 1.000 veículos elétricos? +

O planejamento inicial estabelece o fim de 2026 como referência, mas o All Green Group considera mais realista alcançar cerca de 1.000 veículos elétricos até meados de 2027. Segundo Paula Simões, fundadora e CEO do grupo, o prazo depende da disponibilidade de veículos na escala necessária.

Como o All Green Group pretende eletrificar o transporte rodoviário? +

O grupo pretende avançar das entregas urbanas para o middle mile e, depois, para rotas rodoviárias de média e longa distância. A Rodovia Presidente Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro, será um dos primeiros corredores para ampliar o uso de caminhões elétricos e desenvolver pontos de recarga.

Qual é o principal desafio para usar caminhões elétricos nas rodovias? +

O principal desafio é criar infraestrutura de recarga adequada ao transporte pesado, afirma Paula Simões. As operações também exigem maior autonomia, planejamento de paradas, disponibilidade de energia e integração com as janelas de entrega.

Qual é a função de cada empresa do All Green Group? +

A To Do Green responde pela operação logística, a Green Mobility disponibiliza e administra veículos e ativos, e a Green On concentra infraestrutura de carregamento, energia e soluções tecnológicas.

Qual é a projeção de faturamento do All Green Group para 2026? +

O All Green Group projeta faturamento entre R$ 230 milhões e R$ 240 milhões em 2026. Segundo a companhia, a estimativa considera expansão comercial, produtividade, utilização da frota existente e eficiência operacional, sem depender exclusivamente da duplicação imediata do número de veículos.

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