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Tuesday, November 3, 2026

Conheça a história do inglês que voltou para casa depois de dar a volta ao mundo a pé durante 28 anos

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Foi a viagem da vida dele. De metade da vida. Karl Bushby tinha 29 anos quando resolveu embarcar em uma aventura que muita gente chamou de loucura - e com razão. O ex-paraquedista britânico pegou um avião para o Chile com US$ 500 no bolso. O plano era voltar para a cidade natal, Hull, na Inglaterra, sem usar nenhum meio de transporte.

A caminhada começou em 1º de novembro de 1998, em Punta Arenas. Ele subiu pela América do Sul, atravessou a América Central e a do Norte. Só essa parte durou oito anos. Em 2006, atravessou o estreito de Bering, que liga o Alasca à Rússia, caminhando sobre placas de gelo e enfrentando a nado trechos de água muito gelada. Para cruzar a Ásia foram mais 18 anos.

Em 2024, nadou uns 300 km no Mar Cáspio para chegar ao Azerbaijão. Em 2025, chegou à Europa atravessando o Bósforo em Istambul. E, em outubro, finalmente chegou à Inglaterra, nadando pelo Canal da Mancha.

Conheça a história do inglês que voltou para casa depois de dar a volta ao mundo a pé durante 28 anos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Nesta segunda-feira (2), Karl abraçou a mãe pela primeira vez depois de tanto tempo. Foram 28 anos de travessia, 29 países, quase 50 mil quilômetros. Em vários momentos, precisou parar - por causa da pandemia, por exemplo - e por problemas com visto, doença, falta de dinheiro ou condições climáticas adversas.

"Mas a burocracia foi o que mais atrapalhou. Eu levei dez anos só para conseguir cruzar a Rússia", conta.

Desconhecidos ofereceram comida e abrigo. E, ao longo do tempo, começou a receber doações. Fez o percurso empurrando um carrinho, com um kit básico de sobrevivência.

Conheça a história do inglês que voltou para casa depois de dar a volta ao mundo a pé durante 28 anos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Mas por que enfrentar esse périplo? Não foi aposta. Nem promessa. Ele disse que tudo começou em um papo com amigos militares, que duvidavam que seria possível atravessar o estreito de Bering. Ele resolveu provar que era possível – e foi além.

"Eu não tenho nada de especial. Na verdade, tenho dificuldades físicas com a maioria das coisas. Mas eu sabia que era capaz".

Agora, ele quer ficar com a mãe, se reaproximar do filho e conhecer a neta, que já está com 12 anos. Pretende procurar um emprego também e não quer saber de outra aventura do tipo.

“Quando ele começou essa caminhada, eu tinha 11 anos só. Um dos principais cartões postais aqui de Londres, a London Eye, a famosa roda-gigante, nem existiaainda. Esse país aqui ainda fazia parte da União Europeia e o primeiro-ministro era Tony Blair - vieram oito depois dele. Depois de quase três décadas rodando o mundo, Karl Bushby chegou a uma conclusão desconcertante. De que o mundo é bom”, diz o correspondente Rodrigo Carvalho.

“Extraordinariamente bom. Em 99% das vezes, encontrei o que há de melhor na humanidade. Em todas as culturas, em todos os países”, afirma Karl Bushby.
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