Flávio Bolsonaro na Globo: o que disse o candidato à Presidência na entrevista à emissora

- Author, Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
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Tempo de leitura: 5 min
O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi o entrevistado desta sexta-feira (28/8) na série da TV Globo com os presidenciáveis.
Questionado sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Flávio afirmou que só manteve contatos com o banqueiro para tratar do patrocínio para a realização do filme Dark Horse, em homenagem a seu pai.
Flávio negou que tenha oferecido alguma contrapartida em troca dos R$ 61 milhões que o banco repassou para suposto financiamento do filme.
Pressionado pelos entrevistadores César Tralli e Renata Vasconcellos a apresentar o contrato para o patrocínio e uma planilha detalhada sobre o uso dos recursos no filme, o candidato insistiu que já prestou os esclarecimentos e que se trata de um financiamento privado para realização de uma "obra de arte".
"Eu não fui buscar dinheiro em recursos públicos, e esse foi um patrocínio, na verdade, que não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro. É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai".
Segundo o portal The Intercept Brasil, o banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a obra no ano passado e Flávio teria feito contatos cobrando a liberação dos valores restantes do acordo de financiamento, que chegaria a R$ 134 milhões.
O senador nega qualquer ilegalidade, mas passou a ter que responder pela proximidade com um dos nomes mais tóxicos da política brasileira — Vorcaro está preso, suspeito de fraudes bilionárias à frente do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.
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Um dos encontros para tratar do financiamento do filme ocorreu após a primeira prisão de Vorcaro, no final do ano passado, quando o banqueiro havia sido solto com uso de tornozeleira eletrônica.
"A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme. Mais nada", insistiu Flávio, ao ser questionado na TV Globo sobre esse encontro.
No momento, a Polícia Federal investiga se os recursos transferidos pelo Banco Master para o filme foram de fato usados na obra ou se foram usados para outras finalidades, como custear a estadia do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Essa reportagem ainda está em atualização para inclusão de mais destaques da entrevista de Flávio à TV Globo.

Crédito, Globo/ Manoella Mello
Quem é Flávio Bolsonaro?

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Filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio tem 45 anos. Nasceu em Resende (RJ) e cresceu no Rio de Janeiro, onde se formou em direito pela Universidade Candido Mendes. Evangélico, é casado com a dentista Fernanda Bolsonaro, com quem tem duas filhas.
O candidato do PL se identifica como um político de direita conservador que defende políticas econômicas liberais, cortes de gastos e redução de impostos. Assim como o pai, é a favor da facilitação do acesso a armas. No campo internacional, propõe uma maior aproximação do Brasil com os Estados Unidos, mantendo interlocução com o governo de Donald Trump.
Começou sua carreira política no ano 2000, aos 19 anos, quando foi nomeado para um cargo na Câmara dos Deputados, na função de assistente técnico de gabinete na liderança do PPB, então o partido de Jair Bolsonaro, que já era deputado federal há quase uma década.
Com apoio do pai, disputou sua primeira eleição em 2002, quando tinha apenas 21 anos e conquistou seu primeiro mandato de deputado estadual. Foi reeleito para o cargo três vezes, permanecendo por 16 anos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Sua atuação foi marcada pela agenda da segurança pública. Ao longo do seu mandato, costumava homenagear agentes das forças de segurança com a Medalha Tiradentes, como foi o caso do policial Adriano da Nóbrega, em 2005.
Ele foi expulso Polícia Militar em 2014, por atuar na segurança de contraventores do jogo do bicho e, depois, foi acusado de ser miliciano e chefiar o Escritório do Crime, especializado em assassinatos por encomenda. Flávio nega que soubesse de suas vinculações com o crime.
Quando Bolsonaro foi eleito presidente, em 2018, Flávio conquistou seu atual mandato de senador. Pouco depois, em dezembro daquele ano, estourou o escândalo da "rachadinha", em que era suspeito de ter enriquecido ilicitamente com desvio de verba do seu gabinete da Alesp.
Segundo denúncia oferecida depois pelo Ministério Público, 12 funcionários fantasmas teriam devolvido parte dos seus salários para o então deputado estadual por intermédio do seu chefe de gabinete, Fabrício Queiroz, em um esquema que teria movimentado cerca de R$ 4 milhões em valores da época.
Queiroz admitiu ao Ministério Público que recebia parte dos salários dos funcionários, mas disse fazer isso sem anuência de Flávio. Na versão de sua defesa, os recursos eram usados para contratar informalmente outras pessoas para atuar em apoio à atuação parlamentar do então deputado estadual.
Para o filho mais velho de Bolsonaro, as denúncias eram perseguição política para atingir o governo do pai.
"Eu passei 16 anos da minha vida sem ter uma acusação de nada. Bastou o presidente se eleger que começam a aparecer as narrativas", disse Flávio Bolsonaro em abril, ao responder sobre as acusações em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Flávio chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. O caso, porém, foi paralisado por decisões judiciais sem que o mérito das acusações fosse julgado, após controvérsias em torno do foro privilegiado do senador e da legalidade das provas.
A forte repercussão inicial do escândalo da rachadinha acabou limitando a projeção de Flávio durante o governo de Jair Bolsonaro. Com o esfriamento do caso, porém, foi escolhido pelo pai para disputar a Presidência da República.
O candidato do PL aparece como o segundo colocado em intenções de voto no primeiro turno, com 34%, considerando os resultados das pesquisas divulgadas até esta quinta-feira (27/8). Lula é o primeiro, com 39%.
A estimativa é do Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, que compila os levantamentos das instituições Datafolha, Quaest, AtlasIntel, MDA, Gerp, entre outros, e calcula uma espécie de média para a intenção de voto de cada candidato.
Depois dos dois primeiros colocados, aparecem Ronaldo Caiado, com 4%; Renan Santos, com 4%; e Pablo Marçal, com 3%. Veja aqui os resultados completos.
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