Filho de Arthur Lira, eleito deputado, pagou R$ 250 mil a empresa de primo

Pagar empresas de parentes em campanha não é ilegal, desde que haja serviços prestados. Não é a primeira vez que a TDL Digital recebe dinheiro público direcionado por familiares de Lira.
Os primos de Lira pelo lado materno, Joãozinho e Peu Pereira, pagaram R$ 50 mil cada à empresa em 2024 quando concorreram, respectivamente, à prefeitura de Junqueiro e Teotônio Vilela.
César Lira, primo de Arthur, também escolheu a TDL como prestadora de serviços quando estava à frente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Alagoas.
No fim de 2021, a superintendência do Incra no estado reservou R$ 17,5 mil para a TDL Digital criar um vídeo de obras de calçamento em assentamentos de Maragogi (AL). O dinheiro veio de uma emenda de relator, mecanismo conhecido como orçamento secreto.
Maragogi era governada à época por Sérgio Lira (PP), irmão de Tadeu. César Lira chefiou o Incra em Alagoas de 2017 a 2024.

Recursos do fundo
Alvinho tem 20 anos e foi o deputado federal mais votado de Alagoas no último domingo, com 172 mil votos. A campanha recebeu R$ 3,1 milhões do fundo eleitoral, repassados pela direção nacional do PP.
Até agora, a campanha declarou R$ 1,36 milhão em despesas contratadas, e a TDL Digital é a segunda maior fornecedora.
A TDL Digital também emitiu duas notas para outras campanhas de aliados. Elas descrevem o mesmo tipo de serviço, "identidade visual".
O deputado federal Marx Beltrão (União-AL), reeleito, pagou R$ 150,5 mil. O candidato a deputado estadual Fernando Soares Pereira (PP) pagou R$ 30 mil. Com o valor de Alvinho, a empresa recebeu R$ 430,5 mil nas eleições de 2026.
A prestação de contas não detalha o que foi entregue, como quantidade de peças, vídeos ou período de trabalho. O UOL não encontrou site, perfil em redes sociais ou portfólio da TDL Digital.
Procurada por e-mail, a empresa não respondeu. A reportagem também não conseguiu entrar em contato com Tadeu Lira.
A TDL Digital foi aberta em 2017 em Maceió e tem como atividade principal a de agência de publicidade.
A empresa foi fornecedora de aliados da família em eleições anteriores. Em 2022, recebeu R$ 420 mil do então candidato a deputado federal Flávio Moreno (PP). Em 2024, foram R$ 330 mil de sete candidatos a prefeito.
Pesquisas sob suspeita
Tadeu também é dono da TDL Pesquisa, instituto que divulgou ao longo do ano pesquisas com Arthur Lira à frente na disputa pelo Senado em Alagoas.
A coligação do MDB acusou JHC (PSDB), eleito governador, e Arthur Lira, senador eleito, de caixa dois.
Segundo a ação no TRE-AL (Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas), um portal de notícias pagou R$ 329 mil por sete pesquisas da TDL, mas não houve registro nas contas das campanhas.
A TDL Pesquisa nega as acusações e diz que a pesquisa foi contratada pelo portal de notícias, sem vinculação com a campanha, com recursos próprios.
Tadeu é um dos investigados na ação. A petição cita que a TDL Digital recebeu R$ 430,5 mil das três campanhas no mesmo dia em que uma das pesquisas foi divulgada.
Em julho, o TRE-AL considerou "não registrada" outra pesquisa da TDL, depois que a empresa apontada como contratante negou ter feito a encomenda. O tribunal multou o instituto em R$ 53 mil.
Reportagem
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