Por que a ação da Wiz cai mais de 20% após venda de seguradora para o Inter
- Banco Inter compra os 39,75% que a Wiz tinha na Inter Seguros por R$ 409,5 milhões e passa a ter 100% da corretora;
- Ação da Wiz (WIZC3) chegou a desabar 28,8% na mínima do dia; BDR do Inter (INBR34) chegou a subir 7,1%;
- Mercado vê venda do ativo que mais crescia na Wiz por preço baixo e teme destino do dinheiro
A Wiz Co (WIZC3) vive nesta terça-feira, 20, um dos piores pregões de sua história na bolsa. A ação recua 21,78%, a R$ 7,11, por volta das 14h15, depois de a companhia vender ao Banco Inter sua participação de 39,75% na Inter Seguros, a corretora de seguros que opera dentro do aplicativo do banco.
Do outro lado do negócio, o BDR da Inter&Co (INBR34) sobe 5,47%, a R$ 36,81, no mesmo horário.
O que diz o comunicado
Segundo comunicado ao mercado divulgado pela Inter&Co, listada na Nasdaq, o Banco Inter, controlada indireta da companhia, assinou contrato para comprar as ações ordinárias equivalentes a 39,75% da Inter Digital Corretora e Consultoria em Seguros (Inter Seguros) que pertenciam à Wiz Co Participações e Corretagem de Seguros.
O valor acertado é de R$ 409,5 milhões, corrigido pela variação do CDI e pago no fechamento da operação. A conclusão depende de condições precedentes, entre elas a aprovação do Banco Central e do Cade. Quando o negócio for concluído, o Inter passa a ser o único acionista da corretora.
Pelo valor pago na aquisição, a Inter Seguros inteira fica avaliada em R$ 1,03 bilhão.
Como as ações se comportaram
A ação da Wiz, que havia fechado a sessão anterior a R$ 9,09, abriu o dia em R$ 8,00, queda de 11,99%. Na mínima, o papel tocou R$ 6,47, desvalorização de 28,82% em relação ao fechamento anterior. O volume financeiro somava R$ 51,69 milhões em 9.188 negócios.
O BDR do Inter, que tinha fechado a R$ 34,90, abriu a R$ 35,28, alta de 1,09%, preço que também marcou a mínima do dia. Na máxima, chegou a R$ 37,39, valorização de 7,13%. O giro era de R$ 28,04 milhões.
Por que o mercado puniu a Wiz
A leitura predominante é que a Wiz abriu mão do seu ativo de maior crescimento por um preço considerado baixo. No segundo trimestre de 2026, a Inter Seguros lucrou R$ 37,4 milhões, alta de 35% em um ano.
"Boa notícia? Sim, para o Inter. Para a Wiz, poderia ter sido mais", afirma Ricardo Penha, sócio-fundador do Hub do Investidor. Pelas contas dele, a parte da Wiz nesse lucro gira em torno de R$ 15 milhões por trimestre, ou cerca de R$ 60 milhões por ano. Isso significa que a empresa vendeu a participação por aproximadamente 7 vezes o lucro.
O JP Morgan, que tem recomendação neutra para a Wiz, classificou a venda como negativa para a companhia. O banco lembra que a Inter Seguros cresceu em média cerca de 30% ao ano desde 2020 e considera baixo o valuation da transação. Para o JP Morgan, mesmo com a possibilidade de aquisições ou dividendos, a Wiz perde um negócio com elevado potencial de crescimento.
Outra preocupação é o destino dos recursos. Penha lembra que a Wiz convocou recentemente uma assembleia extraordinária para reduzir o dividendo mínimo obrigatório de 50% para 25% do lucro. "Não querem devolver a grana para o acionista e agora fica a dúvida sobre a capacidade de alocação de capital da companhia", diz.
O #INBR34 fechou um acordo para a compra da participação da #WIZC3 na corretora Inter Seguros e vai assumir a totalidade das ações da empresa.
O banco vai desembolsar R$ 409,4 milhões por 39,75% dos papéis.
Boa notícia? Sim, para o Inter rs. Para Wiz, poderia ter sido mais.
No 2T26 a Inter Seguros lucrou R$ 37,4 milhões, alta de 35% a/a. A parte da Wiz nisso dá uns R$ 15 mi por tri, ou cerca de R$ 60 mi por ano.
Ou seja, ela vendeu a ~7x lucro o ativo de maior crescimento da casa. Além disso, Wiz chamou AGE recentemente, para reduzir o dividendo minimo obrigatório de 50 para 25%.
Não querem devolver a grana para o acionista e agora fica a duvida sobre a capacidade de alocação de K da cia.
— Ricardo Penha, CNPI, CFP® (@r_penhafilho) October 20, 2026
O outro lado da conta
Nem todos enxergam um mau negócio para a Wiz. O Itaú BBA avaliou a venda como positiva para o balanço da companhia. Pelos cálculos do banco, a transação avalia a seguradora em 8,3 vezes o lucro projetado para 2026, acima das 6,2 vezes em que a própria Wiz é negociada.
Com o dinheiro, a Wiz passaria de uma dívida líquida de R$ 138,7 milhões para um caixa líquido de cerca de R$ 271 milhões, antes de ajustes, segundo o Itaú BBA. Os recursos abrem espaço para reduzir dívida, fazer aquisições ou distribuir dividendos.
Cristiane Fensterseifer, analista de investimentos, também avalia que a Wiz saiu bem. A empresa pagou até R$ 114 milhões pelos 40% da corretora em 2019 e agora vende a fatia por R$ 409,5 milhões. Segundo ela, o cheque equivale a 28% do valor de mercado da Wiz.
**INTER FICA COM 100% DA MÁQUINA DE SEGUROS**
O Inter vai pagar R$ 409,5 milhões, à vista, pelos 39,75% q a Wiz tinha da Inter Seguros. Com isso o banco fica com 100% da corretora, q tem mais de 9 milhões de contratos ativos. Ainda depende do Banco Central e do Cade.
**Pq eu achei excelente**
Seguro é uma das receitas mais rentáveis e recorrentes de um banco. Agora o Inter fica com todo esse resultado dentro do próprio app, sem dividir com sócio.E o preço é pequeno: cerca de R$ 1 bi pela corretora inteira, num banco q vale uns US$ 3 bi na bolsa e q cai uns 18% no ano.
**E a Wiz?**
Saiu bem também. Pagou até R$ 114 mi por 40% em 2019 e vende agora por R$ 409,5 mi. O cheque equivale a 28% do valor da empresa na bolsa.— Cristiane Fensterseifer, CNPI, CGA e consultora (@crisinveste) October 20, 2026
O que o Inter ganha
Para o Inter, que acumula forte queda das ações em 2026, a avaliação é mais consensual. "Seguro é uma das receitas mais rentáveis e recorrentes de um banco. Agora o Inter fica com todo esse resultado dentro do próprio app, sem dividir com sócio", afirma Cristiane. A corretora tem mais de 9 milhões de contratos ativos.
O JP Morgan, que recomenda compra para o Inter, estima que a operação pode elevar o lucro por ação do banco entre 1,5% e 2% e ampliar a exposição a um negócio com retorno sobre o patrimônio (ROE) entre 75% e 90%.
O banco considera atrativo o preço pago, equivalente a cerca de 5,8 vezes o lucro projetado. A compra é vista como mais um passo na estratégia do Inter de levar seu ROE para perto de 20% nos próximos anos.
O Itaú BBA é mais cauteloso. Para o banco, o impacto imediato no lucro por ação do Inter deve ser limitado, e a transação não é um catalisador relevante de resultados no curto prazo.
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