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Tuesday, October 20, 2026

NBA tem planos para o Brasil, mas infraestrutura é entrave para volta dos jogos

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A NBA começa a nova temporada com uma rodada tripla nos Estados Unidos, com Celtics x Pistons, Knicks x 76ers e Thunder x Spurs. Os elencos terão um número recorde de 125 jogadores internacionais, de 43 países.

Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 20, o vice-comissário e COO da liga, Mark Tatum, também mandou um recado ao Brasil. Segundo ele, a NBA quer voltar a jogar no país, mas a falta de uma arena coberta de nível internacional em São Paulo segue como obstáculo. No entanto, o executivo não anunciou data nem sede para um novo jogo.

“O Brasil é um mercado enorme para nós. Continuamos a interagir com os mais de 53 milhões de fãs apaixonados pela NBA no país — inclusive garantindo que produtos da NBA estejam tão amplamente disponíveis aqui quanto em praticamente qualquer outro lugar do mundo. A presença de lojas da NBA no varejo brasileiro tem sido incrível”, afirmou.

O dirigente citou a 10ª edição do NBA House, evento para fãs realizado em São Paulo durante as finais do ano passado. “Mais de 35 mil torcedores compareceram ao longo das duas semanas de evento; foi uma experiência realmente fantástica. Posso dizer que o Brasil é um lugar para o qual queremos trazer jogos novamente. É um mercado que valorizamos muito e que sempre levamos em consideração ao planejar partidas internacionais.”

Em seguida, apontou o gargalo: “Um dos desafios, historicamente, tem sido a falta de uma arena coberta de nível internacional em São Paulo.”

Tatum recordou que a liga já jogou no Rio de Janeiro, em partidas pré-temporada (amistosos da NBA Global Games ), e que a cidade pode voltar a receber jogos. “Já realizamos partidas no Rio anteriormente e existe a possibilidade de fazermos isso novamente em algum momento no futuro. No entanto, ressaltamos a necessidade de uma infraestrutura e instalações melhores no Brasil; caso isso ocorra, certamente voltaríamos a levar jogos para lá o quanto antes.”

Rodada tripla com LeBron e anéis dos Knicks

“Estamos ansiosos para dar o pontapé inicial na nova temporada com uma rodada tripla hoje”, afirmou Tatum. A primeira partida, às 16h, reúne Boston Celtics e Detroit Pistons, “duas das melhores equipes da Conferência Leste da temporada passada”. Segundo o dirigente, o horário é “excelente para nossos torcedores na Europa, no Oriente Médio e na África”.

Na sequência, o New York Knicks “erguerá sua bandeira de campeão e receberá seus anéis no Madison Square Garden”, contra um Philadelphia 76ers “renovado”, que tem LeBron James, “um atleta que, de forma impressionante, segue jogando em nível de All-Star ao iniciar sua 24ª temporada, um recorde absoluto”.

A noite termina com uma reedição das finais do Oeste do ano passado, entre OKC Thunder e San Antonio Spurs, “duas equipes em ascensão na NBA”.

Recorde de estrangeiros e a 'era global' da liga

Para Tatum, o nível da liga nunca foi tão alto. “Posso afirmar que o nível de talento e competitividade em toda a liga está no patamar mais alto de todos os tempos, e a dimensão global do esporte é, sem dúvida, um dos principais motivos para isso”, disse. Ele citou o recorde de 125 jogadores internacionais de 43 países e lembrou que “os vencedores dos últimos oito prêmios de MVP nasceram fora dos Estados Unidos”.

Segundo o executivo, esses atletas “são superestrelas que conquistam bilhões de fãs da NBA ao redor do mundo”.

“Nunca houve um momento melhor para ser um torcedor internacional da NBA. Mesmo com tudo o que estamos fazendo para engajar bilhões de torcedores apaixonados ao redor do mundo, ainda acreditamos que estamos apenas começando a explorar o potencial de popularidade que este esporte e esta liga podem alcançar em escala global”, avaliou.

Questionado sobre o papel dos jogadores que voltam aos países de origem para trabalhar com jovens, Tatum recorreu à história da liga: “Se pensarmos no ‘Dream Team’ de 1992, havia cerca de 30 jogadores internacionais; esse número quadruplicou desde então.” Ele afirmou que o time de 1992 inspirou nomes como Tony Parker, Pau Gasol e Manu Ginóbili, que por sua vez inspiraram uma nova geração, e citou Victor Wembanyama, que “cita Tony Parker como uma de suas inspirações”.

América Latina: parceria com a LNB e olho na BCLA

Sobre eventual investimento em uma liga na América Latina, o COO afirmou que a NBA prefere uma conduta mais cautelosa sobre operações internacionais. Mesmo assim, ele reforçou a relevância da parceria com a Liga Nacional de Basquete (LNB).

"Estabelecemos uma parceria com a LNB que tem se mostrado muito produtiva. Observamos o crescimento do basquete no país e continuamos trabalhando em conjunto com a federação e a liga local. Acreditamos que existem oportunidades no Brasil, na América do Sul e, de modo geral, em toda a América Latina.”

Ele também mencionou o torneio continental da FIBA. “A FIBA organiza um campeonato na América Latina, a BCLA, e estamos acompanhando o trabalho que realizam por lá. Acreditamos que, futuramente, seria interessante estreitar ainda mais os laços — não apenas com a liga brasileira, mas com toda a América do Sul e a América Latina.”

A América Latina terá um compromisso concreto na temporada. “Daqui a algumas semanas, os Nuggets e os Pacers disputarão o nosso 35º jogo no México, especificamente na Cidade do México”, anunciou.

NBA Europe: meta é outubro de 2027

Uma das maiores apostas da NBA para os próximos meses é no desenvolvimento da liga europeia, por meio da FIBA ​​(Federação Internacional de Basquete).

“Continuamos trabalhando com o objetivo de iniciar o projeto em outubro de 2027”, afirmou Tatum. “Vale lembrar que não se trata apenas de uma temporada; estamos falando do lançamento de uma nova liga.”

Sobre o formato, o dirigente disse que haverá “uma liga de elite consolidada: a NBA Europe League”, com “uma segunda divisão, cujos vencedores conquistarão uma vaga na liga principal”. O modelo, afirmou, dará “a cada torcedor e a cada clube o direito de sonhar”.

No campo financeiro, Tatum prometeu rentabilidade rápida: “Em nossa liga, a previsão é que uma equipe permanente alcance a lucratividade até o terceiro ano.” Ele projetou “bilhões e bilhões de dólares em distribuições ao longo de 10 anos” e disse que “este será o maior investimento na história do basquete europeu”, com recursos para “academias, desenvolvimento de base, operações da liga, marketing e infraestrutura de arenas”.

Questionado sobre o plano de negócios de dez anos anunciado pela EuroLeague, minimizou o impacto: “O plano de negócios de 10 anos da EuroLeague não afeta o nosso plano.” Sobre as negociações com a entidade, que segundo relatos recusou uma proposta da NBA, disse: “Não quero revelar detalhes de conversas privadas com a EuroLeague. Como dissemos anteriormente, continuamos otimistas de que chegaremos a um acordo, mas estamos preparados para seguir em frente de qualquer maneira.” E completou: “Não vamos parar. Estamos avançando o mais rápido possível.”

Sobre os clubes, ainda não há cronograma. “Prevejo que, num futuro não muito distante, anunciaremos quais franquias farão parte do grupo inicial”, disse.

A liga também mira o problema do fuso horário. Tatum afirmou que haverá “cerca de 40 partidas” no horário nobre europeu neste ano, um recorde, mas que a principal resposta será outra: “Nossa principal estratégia para abordar essa questão é a criação de uma liga europeia.”

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