Bulgária: eleição presidencial traz visões opostas sobre Rússia e guerra na Ucrânia
O governo búlgaro afirma que ainda não existem provas que permitam atribuir diretamente os ataques a Moscou. O caso, no entanto, aumentou a preocupação com a possibilidade de a guerra na Ucrânia afetar outros países da região.
Iotova defende negociações para encerrar o conflito e se apresenta como uma "presidente da paz". Durante um debate na televisão, afirmou que "a paz só pode vir por meio de negociações" e criticou o aumento do envio de armas à Ucrânia. A candidata também reafirma o compromisso da Bulgária com a União Europeia e a Otan, mas defende uma política externa baseada no interesse nacional.
Ao votar em uma escola de Sófia, Iotova afirmou ter votado por uma Bulgária "forte dentro de uma Europa forte". Gyurov representa uma posição mais alinhada aos países ocidentais. Apoiado pela oposição pró-europeia e por partidos reformistas, ele defende uma política externa mais próxima dos aliados da Bulgária e mantém uma posição firme de apoio a Kiev.
Durante a campanha, criticou Iotova por não responsabilizar diretamente Moscou pelos ataques no Mar Negro. "A Rússia precisa interromper sua agressão para que os próximos passos possam ser dados", afirmou. Gyurov recebeu ainda o apoio de importantes políticos de direita, entre eles o ex-primeiro-ministro Boiko Borisov.
Uma sociedade dividida
A disputa eleitoral expõe uma divisão histórica da sociedade búlgara. O país mantém laços históricos com Moscou, mas desde 2004 integra a Otan e, desde 2007, a União Europeia. A guerra intensificou esse debate e colocou no centro da campanha questões como segurança, política externa e o papel da Bulgária dentro do bloco ocidental.
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