Desafio à imprensa: ficar um dia sem falar dos Bolsonaros

Por uma feliz coincidência, Alberto Villas, meu bom amigo e editor de primeira linha, levou hoje o assunto para a manchete de "O Sol", a newsletter diária que produz as melhores capas da imprensa brasileira: "Agora chega de Bolsonaro".
Sei que não será fácil o desmame porque esta família tem uma capacidade incrível de produzir más notícias, fake news, arbitrariedades, crimes variados, ataques à democracia e barbaridades em geral, que desafiam a lógica, o bom senso e a vida em sociedade. Acima de tudo, são covardes e traidores da pátria.
O estrago que causaram ao país neste período ainda levará décadas para ser inventariado e é inacreditável que quase 60 milhões de brasileiros tenham saído de casa no dia 25 de outubro de 2026 para votar no mais medíocre herdeiro do clã, um senador inexpressivo que tem a capivara policial maior do que seu currículo. Essa é a parte mais cruel do seu legado de malfeitorias. Parece praga.
E cá estou eu, de novo, falando dessa gente desprezível, em vez de ocupar o espaço com os planos e personagens do novo/velho governo que assume no dia 5 de janeiro. Espero que esta seja a última vez em que sou obrigado a tratar desta gente desprezível, só para justificar o desafio lançado no título da coluna, na esperança de que mais colegas adiram ao obsequioso silêncio sobre esta deletéria familícia.
Difícil acreditar que algo possa mudar tão cedo neste cenário de iniquidades, quando a mesma imprensa que bancou a falsa simetria entre as candidaturas polarizadas em 26, já esteja novamente em campanha para emplacar, daqui a quatro anos, um nome mais palatável, embora oriundo do mesmo palanque golpista que acaba de ser fragorosamente derrotado nas urnas.
Enquanto os irmãos de pés gelados se homiziam sob as asas de um desmoralizado Donald Trump, que só fala bobagens sobre o processo eleitoral brasileiro, e está prestes a perder o controle do Capitólio, por aqui a velha direita engolida pelo bolsonarismo junta seus cacos na mídia e no Congresso em sua eterna busca de uma terceira via.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.