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Friday, October 2, 2026

Ultraprocessados podem influenciar a depressão? Novo estudo traz pistas

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Reduzir drasticamente o consumo de alimentos ultraprocessados pode estar relacionado à melhora dos sintomas de depressão. É o que indica um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos.

A pesquisa acompanhou 20 pessoas com depressão e comparou os sintomas antes e depois de uma mudança na alimentação. Quando os participantes reduziram em mais de 85% o consumo de ultraprocessados, apresentaram melhora de moderada a significativa em três medidas diferentes da doença.

Os níveis de ansiedade também tiveram uma melhora modesta, apesar das conclusões ainda serem preliminares. Os resultados foram publicados na revista científica JAMA Psychiatry.

Como foi realizado o estudo?

Os participantes tinham, em média, 44 anos, e 70% eram mulheres. Além da depressão, 14 apresentavam ansiedade. Todos tinham índice de massa corporal (IMC) elevado e pelo menos uma alteração metabólica, como hipertensão, diabetes ou níveis elevados de colesterol LDL.

Os voluntários foram divididos em dois grupos. Durante quatro semanas, um deles manteve a alimentação habitual, enquanto o outro adotou uma dieta com baixo consumo de ultraprocessados. Depois desse período, os grupos trocaram de dieta.

Os próprios participantes escolheram e compraram os alimentos, seguindo orientações fornecidas pela equipe responsável pela pesquisa.

Segundo os autores, este é o primeiro estudo a comparar os sintomas de depressão nos mesmos participantes antes e depois da mudança de uma alimentação rica em ultraprocessados para uma dieta com menor presença desses produtos.

O que aconteceu após a redução dos ultraprocessados?

Durante a intervenção, o consumo desses alimentos caiu mais de 85%. Os pesquisadores observaram então melhora dos sintomas de depressão em três diferentes instrumentos utilizados para avaliar o transtorno.

Apesar do resultado, o trabalho não permite concluir que retirar ultraprocessados da alimentação seja um tratamento para depressão. O número de participantes foi pequeno, e o objetivo dessa primeira etapa também era verificar se seria possível realizar um ensaio clínico maior sobre o assunto.

Segundo Andrew Krystal, autor sênior do estudo e professor da UCSF, os resultados mostraram a viabilidade de ampliar a investigação. A equipe planeja uma segunda fase com um número maior de participantes, com recrutamento previsto para começar em 2028.

O intestino pode ajudar a explicar a relação?

Os pesquisadores também investigam possíveis mecanismos por trás da associação entre alimentação e saúde mental. Uma das hipóteses envolve a chamada conexão intestino-cérebro.

Segundo Nyasha Chagwedera, autora correspondente do estudo e professora da UCSF, os ultraprocessados podem prejudicar a barreira que protege o intestino.

A hipótese é que essas alterações contribuam para uma inflamação crônica de baixo grau no organismo, que poderia participar de processos relacionados à depressão ou aumentar a vulnerabilidade ao transtorno.

O que são alimentos ultraprocessados?

Entre os produtos classificados como ultraprocessados estão salgadinhos industrializados, fast food e bebidas açucaradas, além de outros produtos fabricados industrialmente. Esses alimentos podem conter ingredientes como conservantes, corantes artificiais, realçadores de sabor e emulsificantes.

Chagwedera destaca que reduzir seu consumo pode ser difícil devido à combinação de características como sabor, preço e praticidade. "Os alimentos ultraprocessados ​​desencadeiam a liberação de dopamina, o hormônio do prazer, o que promove o desejo por comida. As empresas alimentícias trabalham com cientistas para encontrar a quantidade exata de açúcar, sal e gordura que faz você querer comer cada vez mais", ressaltou a especialista.

Dessa forma, o trabalho não avaliou apenas a retirada de um ingrediente específico, mas uma mudança ampla no padrão alimentar dos participantes. Por isso, ainda são necessários estudos maiores para determinar até que ponto a redução dos ultraprocessados influencia diretamente os sintomas de depressão e quais mecanismos poderiam explicar esse efeito.

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