Beam, o “DeepSeek do Ocidente”: o que se sabe sobre o novo modelo de IA aberto dos Estados Unidos
O Beam, novo modelo de inteligência artificial dos Estados Unidos, passou a ser chamado por investidores de “DeepSeek do Ocidente”. Nesta explicação, a EXAME reúne o que se sabe sobre o sistema, apresentado em 5 de outubro pela startup Reflection AI.
O apelido remete à chinesa DeepSeek, que ganhou projeção ao oferecer um modelo competitivo com custo menor. A proposta do Beam é parecida: entregar desempenho próximo ao de rivais chineses com menos computação.
O que é o Beam e quem está por trás
O Beam é o primeiro modelo da Reflection AI, empresa de Nova York fundada em 2024 por Misha Laskin e Ioannis Antonoglou, ex-pesquisadores do Google DeepMind. A startup captou US$ 4,6 bilhões com investidores como Nvidia, Sequoia e Lightspeed e é avaliada em cerca de US$ 25 bilhões.
É um modelo de pesos abertos, o que significa que os parâmetros treinados ficam disponíveis para que empresas e governos baixem, adaptem e executem o sistema em infraestrutura própria. Segundo a Reflection, os pesos serão publicados ainda neste mês.
Como o Beam funciona
O modelo tem 501 bilhões de parâmetros, as variáveis internas ajustadas no treinamento. Ele usa a arquitetura de mistura de especialistas: para processar cada trecho de texto, apenas 23 bilhões de parâmetros são acionados, o que reduz o custo de operação.
O Beam trabalha só com texto e tem janela de contexto de 1 milhão de tokens. Token é a unidade em que o texto é dividido pelo modelo, e a janela indica quanto conteúdo ele consegue considerar de uma vez, como contratos, relatórios financeiros ou bases de código inteiras.
O foco declarado é programação, raciocínio em várias etapas e agentes de IA, sistemas que executam sequências de tarefas com pouca supervisão.
O que dizem os testes
Os resultados foram divulgados pela própria Reflection. A empresa afirma que o Beam se equipara ao GLM-5.2, da chinesa Z.ai, com três a quatro vezes menos computação na inferência, etapa em que o modelo responde aos pedidos, e que se aproxima do Qwen 3.8-Max, da Alibaba.
Há ressalvas. O Kimi K3, da Moonshot, segue à frente em capacidade bruta, e o GLM-5.2 já foi substituído por versões mais novas. O Beam também ainda não aparece no índice da Artificial Analysis, que reúne testes independentes.
Uso em empresas e governos
A aposta principal é o uso corporativo. Um banco ou um órgão público poderia rodar o Beam em chips próprios, com dados privados, sem enviar informações a um fornecedor externo. Segundo a imprensa internacional, um teste desse tipo estaria em andamento na Coreia do Sul.
Em uma equipe de tecnologia, o modelo poderia ser usado, por exemplo, para revisar código ou automatizar etapas de um processo interno.
O que esperar a partir de agora
Com a publicação dos pesos, pesquisadores e empresas poderão testar o Beam de forma independente e verificar se os resultados informados se repetem em tarefas reais, como geração de código e automação de processos.
O lançamento também reforça a disputa por modelos abertos, que reúne DeepSeek, Alibaba, Z.ai e Moonshot, na China, e Meta, Mistral, Nvidia e Thinking Machines, no Ocidente.
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