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Tuesday, November 3, 2026

Acampada do Porto denuncia polícias à paisana

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O movimento Acampada do Porto pela habitação denunciou na noite de segunda-feira a existência de polícias à paisana a identificar e a deter manifestantes à saída da Praça D. João I e a conduzi-los à esquadra para identificarem pessoas por fotografias.

“Chegaram indicações à organização da acampada de que estavam a ser identificados, ou estava a ser pedida a identificação, e estavam a ser detidas pessoas à saída da Praça de Dom João I e a serem levadas para a esquadra”, adiantou Ricardo Salazar, um dos advogados que presta apoio jurídico àquele movimento.

Segundo disse, uma vez na esquadra foram mostradas “fotografias para serem identificadas pessoas”.

“Também foi indicado que supostamente está a acontecer a mesma coisa em hospitais onde as pessoas vão para receber tratamento. Polícias à paisana estão a identificar pessoas, o que a ser verdade é algo bastante sério e grave”, salientou o advogado.

Para Ricardo Salazar, “se isto está efetivamente a acontecer é um caminho que pode chegar a processos políticos de intenção e perseguições de pessoas, o que é algo que já não acontecia em Portugal desde o Estado Novo”.

“Neste momento estamos a ver que direitos como a manifestação estão a ser colocados em causa numa situação inaudita (…) já houve manifestações semelhantes nos 50 anos da nossa Democracia, fossem de bombeiros, de polícias, de membros da JSD ou empresários da restauração, e nunca houve cargas policiais e nunca houve a aplicação do artigo 11º da Lei de 1974″, explanou.

E continuou: “O que nós estamos a verificar, neste momento, é que estamos a ultrapassar todos os limites da saudável convivência entre Povo e Governo e, neste momento, estamos a assistir a uma escalada de violência que tem de ser parada porque isto coloca em causa o nosso Estado de Direito”.

Na assembleia popular desta coisa foi explicado aos manifestantes como agir em caso de detenção e de lhes ser pedida a identificação por parte de agentes à paisana ou identificados.

Na madrugada de domingo, a PSP dispersou as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas. A intervenção culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.

No Porto, a intervenção da PSP acabou com sete detidos.

Nos acampamentos, que começaram a 10 de outubro, os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.

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