Luís Montenegro deve querer ficar com o lugar de Jorge Jesus

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O Miguel Pinheiro já está conosco para o Bom, Mau e o Vilão de sexta-feira. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia.
A minha voz hoje está como?
Está ótima.
Está?
Uhum.
Está bem melhor.
É que ontem eu tinha estado na véspera no concerto dos Radio Macau e ainda estava a recuperar. Peço desculpa aos ouvintes.
Ontem foi muito audível essa recuperação.
Peço desculpa aos ouvintes, mas a idade já não é o que era.
Mas aí está o teu bom, lançou um alerta.
Sim, a Bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados lançou um alerta. Paula Franco chamou a atenção para os problemas que aí vêm por causa da redução da taxa de 20% para 6% do IVA da construção, em alguns casos. O governo podia simplesmente ter baixado o IVA pra toda gente construir. E está resolvido, mas em vez de ter feito isso, baixou o IVA apenas para alguns casos contados, julgando que assim consegue telecomandar o setor. E a Bastonária chamou a atenção para dois pontos que trazem uma grande insegurança aos promotores. Primeiro, muitas vezes as casas são construídas sem que saibam exatamente quem vai ser o proprietário dela no fim. E, em segundo lugar, ela chamou a atenção pra complexidade da aplicação da lei ir provocar enormes diferentes com a autoridade tributária. Como se sabe, a autoridade tributária adora litigar. E além disso, com a ajuda do nosso Estado, que está sempre a criar confusões fiscais, então o caminho pro litígio está completamente aberto. Vamos ver se não acontece ao governo daquela célebre frase que julga que se está a benzer e está a partir o nariz. Vamos ver.
Exato. Depois fica toda gente muito admirada, porque até vai havendo incentivos, mas as coisas não funcionam, não produzem efeitos, claro.
Porque queres dirigir de tal maneira os incentivos que aquilo depois não chega lá.
Miguel, hoje é um dia especial pra o teu mau.
É um dia especial pra os sindicatos da função pública. Temos ouvido tudo isso nos noticiários. Hoje há uma greve nacional dos 350 mil trabalhadores das carreiras gerais da administração pública. Essa greve pode paralisar e vai paralisar escolas, tribunais, serviços, recolha de lixo, autarquias, enfim, isso é hoje. Na terça-feira, depois do feriado, mais uma greve, esta marcada pela FENPROF, que deve fechar várias escolas. E também na terça, também depois do feriado, é a vez dos trabalhadores da Agência pra Integração, Migrações e Asilo, a AIMA. Eles também vão parar porque tem que fazer igual pra todos, ou então andamos aqui a brincar? Não. Uns dias depois, 19 de outubro, os trabalhadores não docentes fazem greve e arrastam com eles novamente as escolas. E são umas atrás das outras, mas pra os funcionários públicos não há problema, porque o patrão nunca vai à falência, já se sabe. E quando for à falência, vai toda a gente de arrasto, não são só eles. E por isso quem pode foge disto. Aliás, basta olhar pra as escolas. As aulas acabaram de começar. Já vamos em três greves. Começaram agora. Claro, depois vêm dizer que é preciso salvar a escola pública.
Miguel, mas cinco diazinhos de folga aqui no meio.
É verdade. E assim as criancinhas estão em casa a estudar, que também lhes faz falta ter tempo pra estudar. Tudo isto é em bem dos alunos da escola pública, tenho a certeza absoluta.
É a favor da escola pública, obviamente.
Claro.
Quem é o teu vilão?
São os nossos políticos que decidiram meter-se nos assuntos da bola, por causa daquele tema que todos sabemos qual é. Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, disse o seguinte: tudo isto são mesquinhices, paruladas no sentido de minimizar a obra dele, aquilo que ele é, sendo que ele é Ronaldo. O ex-presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, comunicou à pátria que, na sua opinião, temos de estar todos juntos. Só falta o dar aquele abracinho.
Dá aí a mão, Miguel. Vou botar as mãos aqui já.
Paulo, mais logo.
Sabes que o Paulo é carente, o Paulo gosta de dar a mão.
Eu agora fiquei magoado.
Sério, está sempre recuado.
Está sempre, é.
Num momento difícil como este pro país, eu ser tratado dessa maneira.
Pronto, chega cá então, Paulo.
Pronto.
Pronto, já está. Agora, parece que o comentador desportivo Rui Santos disse que António José Seguro está preocupado com esta situação. O observador fez perguntas a Blain, não obteve resposta, mas não sei, haverá talvez aqui alguma coisa. E depois, claro, há ainda Luís Montenegro. Ao saber que havia uma crise na seleção, o primeiro-ministro pegou no telefone e ligou a três pessoas. Falou com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Proença, falou com o selecionador nacional, Jorge Jesus, e falou até com Cristiano Ronaldo. Eu não sou de intrigas, mas eu, se fosse ele, tinha cautela, porque me parece que Luís Montenegro quer ficar com o lugar de Jorge Jesus. Eu, não é por nada, mas isto está a correr mal, pode haver eleições a seguir. Se houver eleições, não sabemos o que acontece. Eu acho que sei. Eu acho que se eu fosse o Jorge Jesus, dormia sempre com um olho aberto.
Sem dúvida. E eu acho que o Jorge Jesus também tem uma ideia sobre a organização e a composição do governo.
Não, há essa hipótese, Paulo. Trocavam.
Trocavam.
Não é? Trocavam. Já viste o Jorge Jesus a falar de Miranda Sarmento, a dizer que não há cá privilegiados.
Ouvi perguntar aqui há umas semanas: "Ó Luís, o que se passa aí com o Luís Neves? Está tudo bem?"
Exato. Certo. Olha, eu vou te dizer uma coisa, Paulo. Pior não ficava. Isso aí posso te dar a garantia, num lado e no outro.
Vamos ao resumo. O bom desta sexta-feira é a Bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, o mau são os sindicatos da função pública e o vilão de hoje são os nossos políticos. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a minutos também fica disponível em podcast.
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