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Monday, October 12, 2026

Até onde vai a loucura para sobreviver ao apocalipse?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Há uma nova moda a ganhar força nas redes sociais, especialmente no TikTok, que defende que o verdadeiro segredo para ser mais atraente antes de um encontro é não tomar banho, não usar perfume e dispensar o desodorizante.

Ser ele próprio.

É mesmo moda de redes sociais, estão à distância.

Isto é impressionante. Parece brincadeira de mau gosto, mas o fenômeno até já tem nome, chama-se Pheromone Maxing. A ideia por trás desta tendência assenta numa teoria muito simples, a de que devemos deixar de esconder o nosso cheiro natural para potenciar a libertação de feromonas e assim aumentar o desejo e a atração na outra pessoa. Só que quando vamos consultar a ciência, a história não é bem assim. Até o momento, a comunidade científica garante que não existe nenhuma prova de que os seres humanos produzam feromonas capazes de despertar ou aumentar o desejo de forma direta. O conceito está muito estudado no mundo animal, mas em nós, humanos, simplesmente não está provado que funcione da mesma maneira. O que a ciência confirma é que o olfato, sim, está diretamente ligado a zonas do cérebro responsáveis por emoções e pela memória. E por isso é que certos cheiros nos provocam reações positivas ou negativas, consoante as nossas experiências anteriores.

Mas não necessariamente o nosso cheiro quando não tomamos banho há uma semana.

Reagimos de forma diferente ao cheiro de alguém que conhecemos bem do que ao de um estranho, mas isso tem a ver com ser familiar, as memórias, não com as feromonas mágicas. Portanto, jovens, deixem-se de coisas. Não há nada melhor do que um bom banho, cheirinho, a pele e a roupa lavada. Por mais que o Pheromone Maxing esteja a acumular milhões de visualizações nas redes sociais, a ciência não engana. Dispensar o banho e o desodorizante não é, de todo, uma forma científica para conseguir um segundo date, um segundo encontro.

Há muitos estudos que dizem que os jovens se encontram cada vez menos, socializam cada vez menos. Se calhar estas modas ajudam a explicar.

E os pais propõem água.

Como é que se passa as feromonas online?

Aqui é no date.

Não, mas quer dizer, porque a maior parte dos contatos devem ser feitos hoje à distância.

Não tomam banho, é melhor.

Tem de ser com caps lock ou coisas muito fortes.

E muitos emojis.

Olha, eu vou trazer aqui uma notícia que está também em destaque no Observador, de um homem que montou em Braga um plano para sobreviver ao apocalipse. Ele escondeu quase 300 bidões de comida, construiu um bunker. Também tinha combustível. Combustível, azeite, comida, muita coisa.

Tudo o que vale muito mais hoje em dia.

Vale muito. Olha, está rico. Ele desviou também muito dinheiro. Ele era o responsável por gerir um investimento em bitcoins do sogro e esse investimento estava avaliado em cerca de € 2 milhões, e desviou o dinheiro para construir este bunker. E para além de construir o bunker, também raptou a própria filha, segundo ele, para a proteger. O Ministério Público agora deu a conhecer a acusação, mas pede que este homem seja considerado inimputável. O Observador teve acesso à acusação e este plano de sobrevivência foi preparado ao longo de dois anos. Na propriedade onde este homem vivia, as autoridades encontraram os tais 300 bidões de um metro de altura e 50 centímetros de diâmetro, cheios com comida até cima. Outra dezena de bidões escondia o combustível e pela propriedade ainda estavam espalhadas mais de 100 botijas de gás. Também era um perigo. Não sei se o apocalipse não podia resultar da explosão das botijas de gás. Ele não se escondeu com a menor, que tinha dois anos na altura. Ele andava a circular, no fundo, para não ser detetado pelas autoridades, mas tinha a esperança de que a família se lhe juntasse um dia, porque ele escreveu cartas à mãe, aos familiares, a dar conta dos perigos, das coisas que aí vinham, que ia ser muito pior do que na altura da pandemia, e tinha a esperança de que os familiares acabassem por se juntar a ele. O terreno tinha aquela primeira zona onde estavam escondidos os bidões e depois havia uma segunda habitação de pedra, onde os inspetores da Polícia Judiciária encontraram uma divisão com duas arcas frigoríficas cheias de congelados. Mas havia muito mais numa outra área de acesso difícil. Havia uma quantidade, segundo a acusação, absolutamente inusitada de embalagens e caixas de alimentos empilhados até ao teto. Estavam enlatados, em vidro, atum, sumos, arroz, patês, legumes. E tal como na casa principal, debaixo do alpendre, os inspetores descobriram, escondidos debaixo de oleados, mais 138 bidões com produtos em pó: sopas, leite, ovos, aveia, vitela liofilizada, portanto, desidratada, atum, massas e também legumes. Havia, no exterior, 12 bidões cheios com gasóleo e as tais 130 botijas de gás. Também fizeram uma inspeção ao bunker Este abrigo ficava a 5 m de profundidade, era composto por dois corredores, uma sala com televisão e sofá, uma cozinha equipada com lavatório e frigorífico, vários quartos com camas e beliches, uma casa de banho, uma sala com máquinas de lavar e secar roupa. Tudo isto foi um investimento feito ao longo de dois anos e um grande investimento.

E muito planeamento.

Isso é que é inacreditável em toda esta história, em função também de que o Ministério Público alega que este homem será inimputável, porque construir tudo isto requer um planeamento minucioso. Só que, de facto, na acusação, o Ministério Público diz que o arguido entrou numa deriva obsessiva quanto à necessidade de afastamento do mundo e materializou as suas intenções, concretizando um plano que já vinha concebendo há vários anos e cujo modo de vida pretendia impor à ex-mulher e a demais familiares. O Ministério Público cita também um relatório médico em que este homem de 42 anos foi diagnosticado com perturbação delirante persistente, foi considerado inimputável em razão de anomalia psíquica e perigoso se não for seguido, acompanhado por um médico psiquiatra e apoiado também numa instituição psiquiátrica. E por estes motivos, o Ministério Público fez o requerimento que ele fosse declarado inimputável, impondo-se o tal dever de sujeição a tratamento psiquiátrico numa instituição, num estabelecimento psiquiátrico apropriado, por haver um fundado receio de que venha a cometer outros factos do mesmo tipo. Ou seja, se não tiver tratamento, é muito provável que este homem volte a reincidir, porque esta perturbação delirante não está tratada. Nós já ouvimos muitas histórias, até de multimilionários, em todo o mundo, que têm preparação para o apocalipse, com bunkers.

Este não era um multimilionário.

Este não era.

Investiu muito.

Investiu muito, tinha o dinheiro suficiente para criar estas condições. Mas de facto, depois tinha todo um outro registo, um outro comportamento, que levou até ao rapto da própria filha e, no fundo, a coação e a pressão sobre os familiares. Mas não é muito diferente de outras pessoas. Noutros pontos do mundo temos visto também muitas histórias que acreditam mesmo que vem aí um cataclismo que pode, de um momento pra o outro, obrigar as pessoas a refugiarem-se. E quem tem condições para se refugiar, por exemplo, nesse tipo de bunker, será de sobreviver e os outros, não. Mas este homem, como vimos, padecia aqui de um problema psiquiátrico e, em princípio, não será considerado culpado, mas terá de ser tratado. É uma notícia que está com bastante desenvolvimento no site do Observador.

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