As cenas inusitadas (e humanas) de uma reunião de chefes de Estado em NY

Há sete anos, em 2019, na condição de vice-presidente da Venezuela, ela subiu ao mesmo púlpito da ONU, e acusou o então presidente dos EUA Donald Trump, em seu primeiro mandato, de "terrorismo econômico" contra seu país.
De lá pra cá, Delcy se tornou a líder da Venezuela depois que, em janeiro, Trump retirou Nicolás Maduro militarmente de Caracas. Na prática, ela governa sob orientações do secretário de Estado dos EUA Marco Rubio. Em 2026, sete anos depois de acusar Trump, saiu em foto sorridente a seu lado, com os dedos em "V" de vitória, depois de uma rápida reunião.
Se Delcy estava disposta a aplaudir Trump esse ano, os aplausos não foram a tônica geral das reações depois que o americano falou. As delegações de Cuba (chamada de "Estado falido" por ele) e do Irã (que Trump ameaçou "aniquilar"), aliás, se retiraram enquanto o republicano falava. Na diplomacia, quando uma delegação se retira durante um discurso é sinal de protesto formal para indicar forte desaprovação ou condenação ao orador e a seu governo, sem necessariamente romper totalmente os laços diplomáticos.
Do outro lado, foi a primeira vez na história em que o presidente de um país em guerra com os EUA se apresentou para discursar em Nova York. Há 6 meses, Masoud Pezeshykian governava o país de um bunker em Teerã, tentando escapar dos bombardeios dos EUA que mataram muitos dos seus antecessores na linha de comando.
Essa semana, ele foi escoltado pelo serviço secreto do país para poder criticar Trump em discurso na plenária: "O presidente dos Estados Unidos nos descreveu como terroristas. Nós fomos vítimas do terrorismo", disse ele, e seguiu: "Nosso povo inocente foi alvo de ataques covardes e agressões, e nos defendemos com toda a nossa força." Aí foi a vez do único diplomata presente na delegação americana se retirar e sair.
Mas ninguém provocou tanto protesto quanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Quando ele começou a falar, as delegações de 75 países, incluindo Brasil, Espanha, Turquia e África do Sul, se levantaram para deixar a plenária. Eram tantos diplomatas de partida que formou-se uma longa fila indiana na saída da sala.
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