Governo Trump afirma ter lançado arma ao espaço: o que se sabe sobre o armamento

- Author, Robert Greenall
- Role, BBC News
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Tempo de leitura: 7 min
O anúncio de que os Estados Unidos lançaram uma arma espacial em órbita da Terra levantou questões sobre qual armamento estaria realmente no espaço e qual papel ele poderá desempenhar nas tentativas das grandes potências de dominar este setor.
Washington forneceu poucas informações no seu anúncio.
O secretário da Força Aérea americano, Troy Meink, declarou que a arma "em órbita" foi necessária para salvaguardar as forças americanas contra ações de inimigos hostis. Mas ele não forneceu detalhes sobre as capacidades da arma, nem quando ela foi colocada em órbita.
Quem mais poderá ter armas similares?
O espaço é um domínio militarizado desde o início da era espacial. A União Soviética (1922-1991) lançou armas para o espaço no final dos anos 1960.
O programa Istrebitel Sputnikov (Destruidor de Satélites) era composto de satélites projetados para liberar projéteis. Quando detonados, estes projéteis gerariam estilhaços no caminho de outro satélite, normalmente americano.
Atualmente, exércitos avançados lançam satélites no espaço com diversos propósitos. Eles oferecem reconhecimento, comunicações seguras, detecção do lançamento de mísseis e informações precisas de localização para ataques dirigidos.
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À medida que avança a tecnologia dos equipamentos de guerra, os analistas esperam o aumento do uso de material militar no espaço.

Crédito, Reuters
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O pesquisador de ciências militares Bleddyn Bowen, do Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês), e professor de astropolítica da Universidade de Durham, no Reino Unido, afirma só conseguir arriscar um palpite sobre a arma anunciada pelos Estados Unidos.
"Eu esperaria algum tipo de tecnologia de guerra eletrônica ou plataforma de interferência de rádio", declarou ele à BBC Rádio 4. "Possivelmente, seria um tipo não destrutivo de arma antissatélites."
Estas armas já existem na Terra e podem interromper comunicações via satélite, segundo o professor.
"Se você retirar os links de rádio, seu satélite é basicamente inútil", explica Bowen.
Ele também não descarta algum tipo de arma mais arriscada e preocupante, que possa criar fragmentos e destruição.
"Seria menos provável um veículo mortal cinético de alguma espécie, que liberasse um projétil de algum tipo que poderia atingir um satélite e destruí-lo", explica o professor. "Outra possibilidade seria algum tipo de satélite de combate ou inspeção próxima."
Como estão a China e a Rússia?
É difícil saber se rivais dos Estados Unidos, como a Rússia e a China, já contam com armas similares em órbita da Terra.
"Se observarmos a China e a Rússia, os dois países já demonstraram atividade", afirmou à BBC a ex-pesquisadora do Rusi Juliana Suess, atualmente no Instituto Alemão de Questões de Segurança e Internacionais.
"Com a Rússia, por exemplo, observamos alguma atividade indicativa de testes de armas co-orbitais. Ou seja, observamos algo que pode indicar que eles já dispararam um projétil de teste em órbita."
"Existem outros por aí", segundo Suess. "Mas, sem conhecer os detalhes da arma americana, fica difícil traçar comparações."
A arma colocada em órbita pode ser incomum. Mas os Estados Unidos e seus rivais russos e chineses detêm há algum tempo armas que podem ser apontadas e disparadas em direção ao espaço.
Em entrevista posterior à BBC, Bowen rejeitou a reação chinesa ao anúncio americano, criticando uma eventual corrida armamentista no espaço. Ele descreve a manifestação como "o roto falando do esfarrapado".
Se você já for um especialista... você sabe como essas palavras são vazias, vindo dos governos da Rússia e da China", segundo ele.
"Os Estados Unidos, a Rússia, a China e também a Índia desenvolveram diferentes tipos de armas espaciais e antissatélites. E a Rússia e a China lançaram ao espaço diversas tecnologias com grande potencial armamentista."
De fato, nos últimos 10 anos, a Rússia e a China vêm aumentando muito suas manobras no espaço, conhecidas como operações de encontro e proximidade (RPOs, na sigla em inglês), "perturbando" os satélites do Ocidente.
"Teoricamente, esses satélites de RPO podem se tornar satélites caçadores-matadores por meio de colisão física ou orientando outros satélites a sair de órbita", explica à BBC o professor de estudos de segurança e defesa russa Rod Thornton, do King's College de Londres.
Bowen destaca que os chineses já demonstraram "capacidade de reboque espacial".
"Um veículo pode subir para um satélite, enfrentá-lo e mover-se para uma órbita diferente", explica ele.
Este pode ser um desenvolvimento positivo, segundo Bowen — uma forma de remover lixo espacial, além de derrubar satélites operacionais. Mas alguns tipos de armas espaciais também detêm o potencial de criar enormes quantidades de lixo espacial.
Mark Hilborne é especialista em segurança espacial e criação de armamentos do King's College. Ele afirma que testes de mísseis contra satélites com ascensão direta, como o realizado pela China em 2007, deixam muitos fragmentos em órbita por muito tempo.
Suess afirma que os fragmentos daquele teste ainda estão em órbita da Terra, o que é perigoso.
"Não é preciso ser um enorme pedaço de metal para causar danos", explica ela. "Pode ser um pedaço de plástico minúsculo, considerando a velocidade de que estamos falando em órbita."
A ameaça nuclear
Para Thornton, a Rússia não detém armas e satélites no espaço, mas compensa esta deficiência com a capacidade dos seus mísseis.
"Os russos... têm mísseis em terra que podem ser lançados ao espaço e atingir satélites na órbita baixa do planeta", segundo ele. "Eles também detêm mísseis ASAT [antissatélites], que podem ser lançados por aeronaves em grande altitude."
"Do ponto de vista da Rússia, eles observam a Otan como tendo satélites muito melhores e em maior quantidade que os militares russos. Por isso, eles investiram muito em ASATs para, de alguma forma, 'nivelar o campo de batalha'."
Thornton acrescenta um pensamento sério.
"Como último recurso, os russos também podem lançar armas nucleares ao espaço e o pulso eletromagnético 'fritaria' qualquer satélite não temperado por uma vasta extensão", explica ele.
Com tudo isso, qual é a probabilidade de um conflito nuclear no espaço? Na verdade, ele só aconteceria se também ocorresse em terra.
"O que poderá acontecer no espaço não é nada que ocorreria isoladamente, na verdade", explica Bowen. "Poderá não acontecer nada, ou é possível que algo aconteça."

Crédito, BBC/Matthew Goddard
As armas para uso no espaço já existem há muito tempo. Por que o anúncio americano veio neste momento?
Os especialistas concordam que este não é um desenvolvimento importante em si, mas sim um sinal político. Bleddyn Bowen sugere que seria uma resposta ao desenvolvimento chinês.
"A China modernizou suas forças armadas nos últimos 30 anos", segundo ele. "O país lançou muitos outros satélites militares no espaço e apresentou muito mais alvos que justificam buscas e ataques pelos militares americanos."
"Existem, agora, muito mais incentivos para armas espaciais americanas, pois a China detém muita vulnerabilidade no espaço, da mesma forma que os Estados Unidos."
Esta situação parece ter criado um desequilíbrio curioso.
Rod Thornton afirma que, por ter tão poucos satélites (ao contrário da China e dos Estados Unidos), a Rússia seria a "grande vencedora" em uma eventual guerra espacial.
Isso porque o conflito envolveria "mísseis disparados para o espaço, manobras de satélites projetados para desorientá-los ou destruí-los e lasers em base terrestre", explica ele.
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