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Thursday, October 15, 2026

Jornalista brasileiro é impedido de entrar na Argentina por problemas no visto após criticar Milei

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Na segunda-feira (12), o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., 50, foi impedido de entrar na Argentina, para onde ia ao menos uma vez por ano desde 2011, e descobriu que não poderia voltar ao país vizinho por cinco anos. Embora a justificativa oficial seja relacionada a irregularidades no seu visto de residência, ele afirma que a expulsão teve motivação política.

Com isso, seus planos na Argentina estão suspensos —entram nessa lista a conclusão de um mestrado em Mendoza, a cobertura das eleições presidenciais do próximo ano e a finalização de um livro sobre o governo de Javier Milei.

"Eu já estudava a história da Argentina", afirma ele sobre a primeira vez em que foi para o país, há 15 anos. "Na época, foi como se eu estivesse voltando para um lugar que já conhecia."

Desde então, fez uma rede de amigos no país e viveu ali momentos como a final da Copa do Mundo de 2022, da qual a Argentina saiu campeã, e a ascensão de Milei no cenário político. Ele recebeu o visto de residente permanente, agora cancelado, em janeiro de 2022.

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A controvérsia que, para Tomaz, teria levado à sua deportação, começou em 22 de julho deste ano. Antes disso, ele já criticava publicamente o ultradireitista —além de atuar como jornalista para veículos brasileiros e internacionais, ele é assessor do deputado federal Alencar Santana (PT-SP). Naquele dia, porém, ele chamou a atenção do entorno do presidente argentino.

Em um vídeo, o jornalista disse que existia "uma onda de ódio aos brasileiros" na Argentina pela torcida de alguns deles contra o país na Copa do Mundo deste ano. O contexto da publicação era a impopularidade da seleção alviceleste, que ganhou a pecha de vilã global no torneio. "Aqueles argentinos que estão atacando os brasileiros (...) são os mesmos que são contrários ao ensino público", escreveu Tomaz.

O vídeo desatou uma onda de ataques vindos de contas alinhadas ao governo Milei, como o canal Carajo Stream, o deputado Juan I. Fernandez, correligionário do presidente, e Juan Doe, diretor de comunicação da Presidência.

"Eu critico o Milei desde antes de ele ser deputado", afirma o jornalista. "Mas nunca tinham se importado comigo."

Segundo ele, no começo de agosto, funcionários da Direção Nacional de Migrações foram à sua residência para perguntar por ele. "Claramente não iriam atrás de um brasileiro específico, que coincidentemente é um jornalista que critica o Milei. Dois ou três dias depois disso, assinaram a revogação do meu visto."

Ele só saberia da revogação, no entanto, na segunda-feira, quando chegou ao Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, para uma última rodada de entrevistas para o seu livro sobre o governo ultraliberal. "Não me notificaram. Eu cheguei e tive essa surpresa", afirma. Seu visto foi revogado no dia 5 de agosto, segundo documentos enviados por Tomaz à reportagem.

A Direção Nacional de Migrações afirma que o jornalista não permaneceu no país nem tem uma atividade laboral verificável —a lei argentina proíbe que o migrante permaneça fora do território nacional por um período igual ou superior a um ano no caso de residência permanente, o que Tomaz fez.

Por uma modificação de Milei em 2025, a Lei de Migrações determina a proibição de ingresso por no mínimo cinco anos de quem foi expulso por algo que não seja um crime, caso do jornalista.

A expulsão se dá também após o presidente argentino alterar a norma para expulsar ou proibir a entrada de estrangeiros que tenham proferido "mensagens de ódio" contra a população do país ou seus símbolos pátrios. A nova regra, no entanto, não se aplicou ao caso de Tomáz.

"Essa guinada autoritária dele, usando nacionalismo, não tava na pauta dele", afirma o jornalista. "Ele incorporou isso para compensar a falta de argumentação na defesa da economia."

Tomaz afirma que vai recorrer da decisão.

A reportagem entrou em contato com a Casa Rosada e a chancelaria argentina, e não obteve resposta até o fechamento da reportagem. Mas Juan Carreira, diretor da Oficina de Resposta Presidencial, manifestou-se no X. "Não só você não vai poder continuar depredando nossos recursos, como também vai ter que viver quatro anos no Brasil de Flávio Bolsonaro sendo esquerdista. Que felicidade. Um esquerdista a menos na Argentina. Hoje é dia de comemorar."

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