Banda Singer's marcou gerações em Arapongas e segue viva na memória dos fãs

Ivo, Levy, Darci e David, por volta de 1968 (da esquerda para direita) - Foto: Arquivo pessoal
Uma vitória em um festival de música, em Paranavaí, mudou o rumo de quatro irmãos e deu origem à banda Singer’s. Criada no fim da década de 1960, a banda foi uma das mais famosas de Arapongas, sendo lembrada ainda hoje, anos depois de ser encerrada. Um dos integrantes originais é Levy Alves Dias. Hoje com 79 anos, o contador aposentado era um dos vocalistas do grupo liderado pelo irmão David. Darci e Ivo completaram a primeira formação da banda que ganhou outros músicos ao longo dos anos, como Marcos Comar e Carlos Magno Peixoto.
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A conquista no festival, onde os irmãos interpretaram uma canção dos Golden Boys, incluía a gravação de um disco em São Paulo, o que levou a banda a gravar, em 1970, pela extinta gravadora Chantecler, a música "Juntinho de Mim", composta pelo irmão David, já falecido. "O prêmio era a gravação de duas músicas em um LP. Nós fomos e gravamos. Até era para a gente ter voltado, mas nós não quisemos, preferimos ficar em Arapongas e assim nasceu a banda Singer’s. Foi o início de tudo”, disse, ainda comentando que os mil discos lançados na época se esgotaram rapidamente. “A gravadora fez mais um tanto, tornou a vender, mas nem eu tenho mais o disco”, acrescentou.
De acordo com Levy, a casa do grupo era o Clube Comercial de Arapongas, já que eles eram figuras frequentes nos palcos do local, principalmente no Carnaval. “Nós tocamos em outros lugares da cidade, mas a nossa casa, quando nós começamos mesmo e até o final da banda foi o Clube Comercial. Quem queria dançar um Carnaval de classe, bom, animado era em Arapongas. Ela era destaque do Carnaval no Paraná”, explicou.
Além do Paraná, o conjunto fez várias turnês por outros estados, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. “Nós tocamos no lugar mais difícil de agradar no Brasil, que era Curitiba. E nós fomos lá e tivemos sorte. Nós tocávamos em todos os clubes da cidade. Nós acompanhávamos muitos artistas. O Jessé [vencedor do Festival MPB Shell da TV Globo de 1980, com a música Porto Solidão], por exemplo, vinha muito aqui para o Paraná. Inclusive tocamos com ele no sábado e dias depois ele se acidentou e perdeu a vida”, afirmou.
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A banda também dividiu os palcos com os cantores Roberto Carlos, João Paulo e Daniel e Moacyr Franco. “A chave de ouro foi quando nós tocamos com a Orquestra do Ray Conniff. O pessoal que estava no baile dançava ao som dos Singer’s, depois ao som do Ray Conniff e depois voltava para terminar a noite com a gente. Foi um dos meus últimos bailes. Tenho muita saudade”, acrescentou Levy.

Um dos integrantes originais, Levy Alves Dias, 79 anos - Foto: Gabriela Jacuboski/TNOnline
Vida na estrada
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Para cumprir a intensa agenda de shows, com o tempo, a logística também precisou evoluir. A banda, que começou viajando em uma Kombi alugada, adquiriu um ônibus adaptado com poltronas e beliches na parte da frente enquanto que a traseira era reservada para os instrumentos e aparelhos musicais. Nessa época, o conjunto já estava bem estruturado e contava com uma equipe técnica de cerca de seis pessoas, responsável pela montagem do palco. A vida na estrada, no entanto, colecionava imprevistos. Levy recordou que, na volta de um show de Réveillon no Mato Grosso, o ônibus quebrou e o grupo só conseguiu chegar em Arapongas dias depois. “Mesmo assim, era muito gratificante para gente que gosta da música”, disse o ex-cantor.
A trajetória de expansão nacional da banda exigia ainda versatilidade para atender aos costumes de cada região. Durante as turnês feitas pelo Sul do Brasil, o grupo priorizava o vanerão; nas festas juninas, o repertório era temático; nas formaturas, as músicas eram mais atuais e, em eventos voltados para casais, a seleção musical envolvia boleros, samba e rock. “Nós cantávamos os sucessos da época, músicas brasileiras e internacionais, o que você pensar a gente tocava. Bee Gees, Beatles, Paul McCartney”, comentou Levy, que anos mais tarde foi “obrigado” a aprender inglês. “No início, eu tirava as letras, ouvia, ouvia, decorava e cantava igual a um papagaio”. A virada profissional ocorreu após uma apresentação em Rolândia, com o professor Luís Octávio da Costa, proprietário da primeira escola de línguas em Arapongas, na plateia. "Quando terminou o baile, ele falou algo assim: 'Mr. Levy, você está cantando muito bem, mas o seu inglês está horrível. Tá aqui um cartãozinho da academia, me procura que você vai fazer um curso lá'", relatou o ex-vocalista.
Legado que atravessa gerações
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O palco também marcou momentos importantes na vida dos fãs do Musical Singer’s. Levy lembra que a relação com o público ia além dos bailes: houve quem pedisse a namorada em casamento durante uma apresentação. Com o passar dos anos, esses casais formaram famílias e passaram a frequentar as festas de Carnaval com os filhos. “Como o grupo durou muitos anos, nós participamos da vida das pessoas de Arapongas, de amigos que se casaram, tiveram filhos através do som do Singer´s”, contou.
Levy acabou se afastado dos microfones no início dos anos 2000. O maior patrimônio do grupo, contudo, materializa-se na fidelidade das gerações que foram embaladas pelos seus vocais. Já David, seu irmão, faleceu em 2008. Com isso, o grupo ficou sob a direção de outras pessoas, com uma nova formação e se encerrou anos após a morte de David. “Até hoje, faz muitos anos, eu saio na rua e sou reconhecido”, afirmou. Longe da rotina puxada das bandas, Levy segue na música. Hoje, o cantor faz dupla com a filha Aline. Os dois cantam em eventos.
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