Santa Casa de Vale de Cambra aumenta lar e apoio em casa

A Misericórdia de Vale de Cambra espera aumentar ainda este ano a sua capacidade de apoio a idosos, tanto no lar como no serviço de apoio domiciliário, de forma a apoiar mais 55 pessoas, anunciou hoje a Santa Casa.
Essa instituição do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto já acomoda 100 utentes na sua estrutura residencial para a Terceira Idade e acompanha 65 seniores nos respetivos domicílios, mas, no primeiro caso, quer aumentar as camas para 120 e, no segundo, passar a visitar 100 pessoas – sendo que esta componente específica já foi aprovada pela Segurança Social.
“Queremos aumentar a nossa capacidade máxima instalada, porque temos muita gente a quem atender“, disse à Lusa o provedor António Pina Marques.
No que se refere especificamente ao lar, esse responsável realça, aliás, que há “famílias desesperadas por camas” para os seus seniores e que, no final da semana passada, a lista de espera por uma vaga em Vale de Cambra era, em concreto, de “217 pessoas”.
Quanto às mudanças necessárias para concretizar o aumento de capacidade ambicionado pela Misericórdia, o provedor revela que o lar inaugurado em 1999 já há alguns anos tem capacidade para 109 utentes – o que representa mais nove lugares do que os efetivamente ocupados na atualidade – e garante que há apenas que proceder a “obras interiores” no edifício para lhe acrescentar novas camas.
“Na estrutura principal está tudo feito; são alterações mínimas. O que é preciso mesmo é que o Instituto da Segurança Social aprove formalmente a nova capacidade, o que esperamos que aconteça antes do final deste ano”, explicou à Lusa.
O valor do investimento necessário para as referidas ampliações ainda não está apurado e será influenciado pela instabilidade dos custos com materiais, pessoal, bens alimentares, consumíveis e eletricidade, mas as estimativas indicam o seguinte: a gestão do lar envolveu o ano passado 1,832 milhões de euros, o que, face ao custo médio mensal por utente registado em julho de 2026, faz prever que o funcionamento da estrutura passe a exigir 2,5 milhões anuais quando esta crescer de 100 para 120 utentes.
No que se refere ao apoio domiciliário, o cálculo está mais sujeito à volatilidade do preço dos combustíveis, mas, também a avaliar pela despesa média em julho, a Santa Casa admite que o orçamento aproximado desse serviço possa passar de 562.000 euros por 65 beneficiários para 931.000 euros por 100.
Tanto no que se refere ao lar como ao serviço de apoio domiciliário, Pina Marques antecipa, no entanto, que “a maior dificuldade vai ser o recrutamento” dos profissionais necessários para cobrir essa ampliação de serviços. “Vamos precisar de enfermeiros, auxiliares de ação médica, ajudantes de lar, etc., e é cada vez mais difícil encontrar pessoas não só com competências profissionais, mas também humanas para essas funções”, explica.
O problema é agravado pela urgência de que se reveste o referido aumento de capacidade, já que, segundo o provedor, esta é “uma necessidade para ontem”, sem a qual não é possível “aliviar os hospitais”. Ele explica: “há muitas pessoas que já tiveram alta médica e não podem sair do hospital porque não têm para onde ir – não têm casa nem família que lhes garanta o acompanhamento mínimo”.
No mesmo sentido, a Misericórdia de Vale de Cambra anunciou em 2018 a intenção de construir habitação assistida para seniores, com 18 apartamentos em formato T1 e seis em registo T2, mas Pina Marques refere que esse projeto — que reconhece como mais vocacionado para a classe alta — ficou suspenso alguns anos devido à falta de financiamento adequado.
“Optámos por aproveitar primeiro os fundos que foram disponibilizados para outras áreas em que a sociedade também apresentava carências e demos prioridade à creche”, revela.
Entretanto, a Santa Casa está a avançar na zona de Codal com outro projeto de habitação colaborativa e comunitária, cujo público-alvo é “a população mais vulnerável do concelho, em particular idosos com autonomia funcional”.
Pina Marques remete detalhes para mais tarde, mas anuncia já que em causa estão dois blocos de moradias e um edifício comum, todos a implantar numa área total de 1.778 metros quadrados e destinados a facilitar a vida comunitária entre os respetivos utentes, garantindo-lhes condições para que possam “assumir em conjunto responsabilidades relacionadas com a limpeza, a manutenção e a organização do espaço”.
A empreitada está a cargo da empresa Anteros — Sociedade de Construções e Obras Públicas S.A., e o provedor adianta: “No segundo semestre de 2027 contamos receber lá os primeiros inquilinos”.
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