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Monday, October 5, 2026

Grifes masculinas japonesas ganham o mundo com discrição e tecido

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Quem visitou a loja da A.Presse no alto de Jingumae, em Tóquio, no fim de 2024 encontrou araras quase vazias. O fundador Kazuma Shigematsu costuma explicar a falta de estoque pelo ritmo das vendas, já que jeans e moletons da marca esgotam no dia em que chegam, com fila na calçada. O espaço tem paredes de concreto misturado com areia e palha, móveis dinamarqueses e brasileiros de meados do século passado e cabides de carvalho feitos sob encomenda.

Em 10 de setembro, a etiqueta chegou às lojas da Supreme numa coleção conjunta com jaquetas de couro, terno de algodão com seda e calças cargo com camuflagem pintada à mão. A jaqueta de couro de bezerro custava US$ 4.498. O lançamento coincide com um período delicado para o luxo, cujo mercado de bens pessoais recuou 2% em 2025, para € 358 bilhões, segundo a Bain & Company e a Altagamma, com previsão de alta entre 2% e 4% neste ano.

Tecido antes da forma

Auralee

Criada por Ryota Iwai em 2015, a Auralee desenvolve seus tecidos com tecelagens japonesas e integra o calendário oficial da semana de moda de Paris (Reprodução/Instagram)

Entre as marcas japonesas que vêm ocupando espaço no varejo internacional, a Auralee é a mais estabelecida. Nascido em Kobe em 1983, Ryota Iwai trabalhou como assistente na grife de tricô Norikoike antes de criar a marca, em 2015, e abriu a primeira loja própria em Aoyama dois anos depois. Selecionado pelo Fashion Prize of Tokyo, programa que banca desfiles de criadores japoneses no exterior, ele estreou em Paris em 2019 e hoje integra o calendário oficial da semana de moda.

O processo de criação parte das tecelagens parceiras, com quem a Auralee desenvolve cada fio e cada trama. "O tecido sempre vem primeiro. Depois vem a cor, depois a forma", disse Iwai à newsletter americana Blackbird Spyplane.

Uma marca que começou com três calças

Ssstein

A Ssstein de Kiichiro Asakawa começou com três modelos de calça em 2016 e estreou no calendário oficial de Paris em janeiro deste ano (Reprodução/Instagram)

Kiichiro Asakawa, de 40 anos, passou seis anos na Naichichi, multimarcas cultuada de Harajuku, onde desmontava roupas vintage para estudar sua construção. Em abril de 2016 abriu a Carol, em Jingumae, e passou a reformar calças antigas sob medida para os clientes. Dali saiu a Ssstein, lançada no mesmo ano com três modelos de calça e ampliada para camisas e casacos nas temporadas seguintes.

A marca trocou a grafia de Stein para Ssstein no outono-inverno de 2024, como parte do plano de expansão global. Vencedora do Fashion Prize of Tokyo 2025, fez a primeira apresentação em Paris em janeiro de 2025 e, neste ano, desfilou no Musée des Arts et Métiers já no calendário oficial. Asakawa contou ao site da semana de moda de Tóquio que as vendas externas começaram pela Ásia e hoje crescem na Europa e nos Estados Unidos, inclusive em lojas femininas, já que muitas clientes compram a modelagem masculina.

Expansão em ritmo controlado

A A.Presse adota o crescimento lento como estratégia. Antes de fundá-la, Shigematsu atuou em vendas e produção de marcas como Daiwa Pier39, e hoje desenvolve todos os tecidos no Japão, com exceção do couro. A grife tinha 14 revendedores internacionais em 2024 e planejava chegar a 25 no ano seguinte, ritmo que inclui a estreia na Mr Porter, em fevereiro de 2025. Na Union, em Los Angeles, a marca já ganhou trunk shows com encomendas personalizadas. "As pessoas simplesmente se sentem atraídas", disse o fundador da loja, Chris Gibbs, à Highsnobiety.

A T.T by Taiga Takahashi segue caminho parecido. Criada em 2017 em Nova York pelo designer que morreu em 2022, a marca é hoje conduzida por um estúdio em Kyoto e reinterpreta roupas de trabalho americanas das décadas de 1920 a 1950 com tingimento natural e teares antigos. Suas peças chegam ao público por meio de varejistas de curadoria restrita, como a nova-iorquina La Garçonne, onde dividem arara com a Ssstein.

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