EUA votam hoje em eleição que pode tirar de Trump o controle do Congresso

Como se vota. Ao contrário do Brasil, o voto não é obrigatório, não há urna eletrônica única e a eleição cai num dia útil. Cada estado define as próprias regras: muitos aceitam voto antecipado e pelo correio, e mais de 50 milhões de pessoas já tinham votado antes desta terça. As cédulas variam muito. Num mesmo papel, o eleitor pode escolher de deputado a xerife e responder a plebiscitos locais. Na Califórnia, por exemplo, há uma consulta sobre um imposto de 5% sobre a fortuna de bilionários.
Por que importa. Nos EUA, a maior parte das decisões do governo federal depende do Congresso. Com maioria na Câmara, os democratas poderiam barrar projetos de Trump, pesar no Orçamento e abrir investigações contra o governo. Com o Senado, poderiam vetar nomeações para o ministério e para a Suprema Corte. A abertura de um processo de impeachment depende da Câmara, mas a condenação exige dois terços do Senado. Por isso, uma ameaça real ao mandato de Trump é considerada improvável. A história pesa contra o governo: desde a Segunda Guerra Mundial, o partido do presidente perdeu espaço no Congresso em quase todas as eleições de meio de mandato, com só duas exceções.
O que observar. As disputas mais simbólicas acontecem em estados tradicionalmente republicanos. No Texas, o democrata James Talarico aparece empatado nas pesquisas com o republicano Ken Paxton, alvo de escândalos. O estado não elege um senador democrata desde 1988. No Kansas, onde Trump venceu por mais de 16 pontos em 2024, o democrata Adam Hamilton tem leve vantagem. Os democratas também precisam defender o que já têm: em Michigan, uma deputada do próprio partido declarou apoio ao republicano Mike Rogers contra o democrata Abdul El-Sayed, que pode se tornar o primeiro senador muçulmano do país. Na Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms pode ser a primeira mulher negra eleita governadora na história dos EUA.
A sombra da contestação. Trump repete sem provas que as eleições americanas são fraudadas. Questionado na semana passada se aceitaria o resultado, respondeu: "Se for honesto". O Departamento de Justiça tentou na Justiça separar mais de 20 mil votos por correio na Califórnia, sob o argumento de que poderiam ser de estrangeiros. A Suprema Corte rejeitou o pedido na segunda-feira. Revisões independentes mostram que o voto de não cidadãos é raríssimo. Um juiz também derrubou a ação do governo que pedia para barrar a certificação do resultado no Alasca em caso de derrota republicana.
E a América Latina? Para o analista argentino Carlos Pagni, do jornal La Nación, uma derrota ampla de Trump enfraqueceria aliados como o presidente argentino, Javier Milei, que recebeu socorro financeiro de US$ 20 bilhões do Tesoro americano, e a direita radical da região.
Quando sai o resultado. As primeiras urnas fecham às 20h de Brasília, e os primeiros resultados saem durante a noite. Em estados com muitos votos pelo correio, como Califórnia e Alasca, a apuração pode levar dias.
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