20 anos de Coffeepaste a dar emprego e voz às artes

O portal Coffeepaste celebra esta segunda-feira 20 anos de história, tendo começado como um blog e evoluído para um órgão de comunicação social, conhecido pelos anúncios de trabalhos nas artes performativas e por entrevistas para “dar voz” a artistas emergentes.
Em 2013, sete anos após a criação do blog, passou a ser um portal que, esta segunda-feira, agrega cerca de 100 mil visualizações de página por mês, segundo estimativas da equipa, com “a área dos classificados” a ser a constante durante as duas décadas de trabalho, conta o diretor, Pedro Mendes, em entrevista à agência Lusa.
“Há dois ou três anos fizemos um inquérito online, e 51% [dos que responderam] que visitam o site conseguiram trabalho por intermédio do Coffeepaste”, refere.
Hoje em dia, é mais do que um local onde as pessoas podem encontrar castings, chamadas para envio de trabalhos, festivais à procura de espetáculos ou espaços à procura de propostas, entre outro tipo de anúncios, com a agenda cultural, lançada em 2023, e a zona de notícias, em 2024.
“Damos voz a vozes com menos voz, passe a redundância”, afirma Pedro Mendes à Lusa. “Nós fazemos, muitas vezes, a primeira entrevista a artistas e coletivos, que depois se verifica virem a tornar-se mais conhecidos, com trabalho mais estabelecido”.
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Antes das notícias, já as entrevistas em vídeo, mais de 1.200 desde 2015, ajudaram a constituir “um arquivo, uma fotografia, do panorama artístico”.
“É muito interessante olhar para o discurso da comunidade e do panorama artístico ao longo desta década. (…) O nosso lugar é mesmo dar voz à cena menos visível”, reforça.
Os que constituem o Coffeepaste assumem essa responsabilidade de dar foco a projetos emergentes ou com equipas reduzidas, procurando fazer “uma prospeção” desses profissionais.
Olhando para o panorama mediático em Portugal, em particular na atenção dada à cultura e ao espaço para a crítica e divulgação de projetos menos estabelecidos, Pedro Mendes sente que preenchem “uma lacuna” e ajudam a “dar a conhecer muitos anos [de trabalho], o que é importante para o próprio meio”.
Com uma equipa de quatro pessoas, a que se juntam outros contratados mediante as necessidades, o projeto subsiste “sem apoio de instituições públicas, excetuando um pequeno apoio da Câmara de Lisboa”, gerando receita própria com projetos paralelos, como o programa de formação, o Coffeelabs, com cursos mais longos e outros mais curtos para profissionais da cultura.
Este mês, este meio de comunicação social independente iniciou ainda um novo formato de subscrição, com três níveis de pagamento através da plataforma Patreon, para estimular o número de assinantes e ajudar a sustentar o projeto.
Para celebrar os 20 anos, além de trabalhos especiais, o Coffeepaste organiza, a 16 de novembro, uma sessão no Teatro São Luiz com um painel de conversa com o coreógrafo e programador Rui Horta, a escritora e formadora Inês Lampreia e o próprio Pedro Mendes, além de uma atuação do pianista Mário Laginha.
Para a frente, o importante nesta fase é “solidificar e otimizar recursos”, incluindo buscar novas fontes de financiamento, presença em eventos, e divulgar um projeto “que é único no panorama nacional”.
“Tudo isto faz-se e fez-se durante muito tempo só com a persistência e a paciência da equipa, sem qualquer retorno, que de ano para ano tem conseguido solidificar-se um pouco mais. Acho que persistência é a palavra que nos define”, conclui Pedro Mendes, um dos fundadores do Coffeepaste e seu atual diretor.
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