Efeito China: Mercado Livre, Porto e Natura investem para formar vendedores em influenciadores
O social-commerce brasileiro tem projeção de alcançar R$ 440 bilhões em 2026, e formar profissionais para produzir conteúdo e desenvolver dinâmicas de conversão tornou-se estratégico para as marcas

Publicado em 13 de setembro de 2026 às 08:00.
Em uma nova onda inspirada na China, que traz a junção de conteúdo digital e vendas, grandes empresas como Mercado Livre, Porto e Natura, ampliaram suas iniciativas para preparar públicos estratégicos como vendedores e afiliados, corretores e revendedoras. Nesta semana, o Mercado Livre, por exemplo, inaugurou o Estúdio Mercado Livre, uma estrutura de audiovisual localizada na sua sede, em São Paulo criada em parceria com a Community Creators Academy e a California Content House.
O espaço exclusivo de imersões e produção de conteúdo trocas foi desenhado para atender vendedores, afiliados e criadores que pretendem aprimorar a transmissão de lives dentro da plataforma. Como explica Renata Gerez, diretora de social-commerce Latam do Mercado Livre. "Mais do que oferecer uma estrutura para a produção de conteúdo, o objetivo é criar um espaço de troca, aprendizado e capacitação onde os parceiros possam compartilhar experiências, desenvolver habilidades e potencializar seus conteúdos". O projeto pode alcançar parte relevante dos 10 milhões de vendedores da plataforma.
Com nove locais independentes para transmissões em 193 metros quadrados, incluindo estúdios individuais, espaço multiuso para podcasts e arquibancada para pequenos eventos, o polo de produção apoia o Programa de Afiliados e Criadores do Mercado Livre, que já soma nove milhões de inscritos na América Latina e registrou 208 vendas por minuto no Brasil no segundo trimestre de 2026. A utilização do local é gratuita mediante agendamento prévio e oferece desde internet compartilhada, tripés, iluminação e celulares até produtos de mostruário de marcas parceiras.
Segundo Arnaldo Garcia, diretor de operação da Community Creators Academy, o movimento reforça a relevância desse ecossistema. "O social-commerce representa uma frente estratégica que amplia o papel do criador brasileiro como agente de negócios, integrando entretenimento, influência e consumo". O mercado brasileiro de social- commerce tem projeção de alcançar US$ 79,1 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 440 bilhões, ao longo de 2026. Esse desempenho expressivo reflete uma taxa de crescimento anual de 12,4%, consolidando o Brasil na vanguarda desse setor em toda a América Latina.
Esse movimento de transformar redes de relacionamento em criadores de conteúdo também ganha força em outros gigantes corporativos. No caso da Porto, a empresa já investiu em inúmeras iniciativas relacionadas a sua base de quase 45 mil corretores. "A nossa estratégia é funcionar como um verdadeiro empurrãozinho para que mais corretores consigam virar referência e ganhar relevância nas comunidades e regiões onde atuam. A meta é fazer todo mundo sair daqui com a certeza de que a profissão está cheia de brechas para inovar, criando um caminho gigante e super acessível para produzir conteúdo de peso para ampliar seus negócios", explica Oliver Haider, diretor de marketing da Porto.
No caso da Natura, o programa Criadores da Beleza foi desenhado especificamente para capacitar sua base de consultoras a atuarem como criadoras de conteúdo digital, fornecendo trilhas educacionais para produções de resenhas, tutoriais e dicas de rotina de skincare integradas.
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Pacete é jornalista, LinkedIn Top Voices, curador de marketing, tecnologia e inovação do Rio2C e SP2B, além de Consultor de Inovação, Conteúdo e Projetos Especiais da Exame.
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