'Ecocídio' no Brasil: descoberta de petróleo na Amazônia expõe dilema da transição energética
O jornal francês Le Monde destacou neste sábado (15) que a Petrobras detectou indícios da presença de petróleo na costa amazônica brasileira, em um projeto considerado estratégico pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende o uso das receitas de hidrocarbonetos para financiar a transição energética do país. A descoberta, no entanto, reabre uma polêmica que há anos divide governo, setor petrolífero, cientistas e ambientalistas.
A estatal brasileira anunciou ainda na sexta-feira (14) ter identificado a presença de hidrocarbonetos em águas profundas localizadas a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, na bacia da Foz do Amazonas, no extremo norte do país. A notícia representa uma nova etapa na exploração da chamada Margem Equatorial, região marítima que se estende pela costa norte brasileira e onde a vizinha Guiana encontrou enormes reservas de petróleo nos últimos anos.
O anúncio foi recebido com entusiasmo pela Petrobras e pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), mas gerou novas críticas entre especialistas. Em entrevista ao correspondente Martin Bernard da RFI, o climatologista Carlos Nobre qualificou a expansão da exploração petrolífera como um risco de "ecocídio" e afirmou que novas perfurações são incompatíveis com a transição energética.
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