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Saturday, September 26, 2026

Descoberta de caracóis com proteção incomum alerta para biodiversidade ameaçada em Montenegro

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Duas novas espécies de caracóis foram descobertas nas montanhas de Montenegro, nos Bálcãs. Com conchas de apenas cerca de 6 milímetros, os animais possuem uma estrutura incomum capaz de fechar a abertura da concha como uma pequena porta.

Batizadas de Cochlostoma komarnica e Cochlostoma dobrido, as espécies vivem sobre rochas calcárias e se alimentam de algas e líquenes. Uma delas foi encontrada no Cânion de Komarnica, área que pode ser afetada por um projeto de barragem e reservatório hidrelétrico.

A descoberta foi descrita por uma equipe internacional de pesquisadores no periódico científico Biodiversity Data Journal. O trabalho, divulgado pela Pensoft Publishers, mostra que regiões da Europa ainda podem abrigar espécies desconhecidas pela ciência.

Como funciona a 'porta' que protege os pequenos caracóis

As duas novas espécies pertencem ao gênero Cochlostoma e compartilham características que chamaram a atenção dos pesquisadores.

Além das pequenas conchas em formato de cone, esses animais possuem um disco circular preso à parte traseira do corpo. Quando o caracol se recolhe, essa estrutura fecha a entrada da concha. Ela funciona como uma espécie de porta, que isola o animal dentro de seu abrigo.

Outra característica está nos olhos. Diferentemente da maioria dos caracóis terrestres, eles ficam posicionados nas laterais da cabeça, e não nas extremidades dos pedúnculos oculares. Apesar dessas particularidades, os pesquisadores não perceberam imediatamente que estavam diante de espécies ainda desconhecidas.

Novas espécies de caracóis descobertas nos Bálcãs podem estar ameaçadas por hidrelétrica. Foto: Enrico Zallot. (Enrico Zallot)

Como os cientistas descobriram as novas espécies

Os animais foram encontrados durante expedições realizadas em Montenegro entre 2018 e 2025. Os trabalhos reuniram pesquisadores internacionais, estudantes, ambientalistas e cientistas cidadãos para investigar a biodiversidade do Parque Nacional Durmitor e do Cânion de Komarnica.

Os pequenos caracóis apareceram em diferentes pontos do terreno montanhoso. Apenas a aparência externa, porém, não foi suficiente para confirmar que eram novas espécies.

A identificação ocorreu depois de análises anatômicas e genéticas realizadas em laboratório de campo. Os resultados permitiram aos pesquisadores diferenciá-los de espécies já conhecidas.

Os nomes escolhidos fazem referência justamente aos locais onde foram encontrados. Cochlostoma dobrido recebeu o nome do Planalto de Dobri Do, entre os picos do Parque Nacional Durmitor. Já Cochlostoma komarnica homenageia o Cânion de Komarnica, localizado ao sul de Durmitor.

Região pode esconder outras espécies desconhecidas

A descoberta também chama atenção para a diversidade ainda pouco documentada dessa parte dos Bálcãs.

Segundo os pesquisadores, cânions, montanhas e desfiladeiros da região apresentam uma grande variedade de formas de vida, mas permanecem relativamente pouco explorados. Isso significa que outras espécies ainda desconhecidas pela ciência podem existir nesses ambientes.

Uma das participantes das expedições, a musicista holandesa Janine Buisman, posteriormente tornou-se coautora do estudo. Ela destacou a surpresa de encontrar animais ainda não descritos cientificamente em território europeu.

Barragem pode ameaçar habitat de espécie recém-descoberta

A descoberta de Cochlostoma komarnica também trouxe atenção para o local onde o pequeno caracol vive. O Cânion de Komarnica está previsto para receber um projeto de barragem e reservatório hidrelétrico. Segundo os autores, a inundação modificaria o ecossistema onde a nova espécie foi encontrada.

A possibilidade de construção da hidrelétrica transformou a região em foco de levantamentos sobre biodiversidade. Pesquisadores e organizações ambientais tentam documentar as espécies presentes no cânion antes de possíveis alterações no habitat.

Jovana Đokić, bióloga da Sociedade Montenegrina de Ecologistas e coautora do estudo, afirma que o impacto poderia atingir também organismos que ainda não foram identificados pela ciência.

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