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Thursday, October 29, 2026

Quem vai aderir ao novo golpe dos Bolsonaros?

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Flávio Bolsonaro coroou-se líder de uma campanha contra uma "tirania", um "regime de exceção", uma eleição "roubada". Comparou-se a Charles de Gaulle (1890-1970), general que liderou a resistência contra a ocupação nazista da França (1940-1944), depois presidente do país.

Em grau de delírio ignaro um tanto menor, mas politicamente mais perigoso, se comparou a políticos que combatiam no exílio a ditadura chavista. Estaria sugerindo uma intervenção trumpista? Qual delas? A que sequestrou o ditador Nicolás Maduro ou aquela que mantém no poder da Venezuela a esbirra neocolonial Delcy Rodríguez?

Flávio Bolsonaro nem pode ter a graça do Napoleão de hospício. É um ridículo sinistro, uma ordenança de porão, de onde saiu sua família, moleque de recados de uma gente que não chama de ditadura o que aconteceu aqui de 1964 a 1985. Mas passemos.

O essencial é que, quando um Bolsonaro perde a eleição, tenta um golpe ou convoca um. Quem vai aderir ao novo golpe dos Bolsonaros?

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não aderiu. No dia da escafedida flaviana, já dissera que a eleição passou. Nesta quarta (28), sabendo do "pronunciamiento" de Flávio, Tarcísio fez questão de não brigar com família e sectários, sempre uma base eleitoral a manter, mas não respaldou a carta.

Foi o que disse em nota enviada a esta Folha: "A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente".

Em entrevista coletiva improvisada, o senador Rogério Marinho (PL), chefe da campanha flaviana, foi na mesma linha. A autoproclamação inicial de Flávio Bolsonaro, "presidente eleito" dos "Estados Unidos do Brazil", e o resto da carta seriam resultado de choque da derrota, "um desabafo".

Quanto à acusação de fraude eleitoral, Marinho e o PL não poderiam dizer nada. E mudou de assunto. União Brasil, PSD e MDB disseram que a eleição foi correta.

O que dirão forças socioeconômicas da coalizão bolsonarista? O evangelismo político de direita? O agro? Parte da finança? Militares da cúpula das Forças Armadas? Os políticos influencers do PL?

Há o risco Donald Trump. Naquelas entrevistas coletivas improvisadas em que diz barbaridades curtas, pela terceira vez falou mal da eleição brasileira, desta vez de modo mais ameno (antes, dissera que a eleição teria sido arranjada, uma corrupção terrível etc.). Mas afirmou que não iria se envolver na carta ao nojo brasileiro de Flávio Bolsonaro.

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, chefe da política externa e pré-candidato a presidente, detesta a esquerda, democrática ou não. Quer tomar Cuba em breve. A derrota da extrema direita no Brasil ainda pode vir a ocupá-lo. No entanto, nas próximas semanas, Trump, Rubio e cia. vão lidar com as derrotas republicanas na eleição.

Diz-se que Trump não gosta de "losers", perdedores, como Flávio Bolsonaro. Mas falou de fraude no Brasil. Pode ser discurso ensaiado para propagandear a tese de que as esquerdas e os democratas sempre fraudam eleições, como a que está para perder no dia 3 de novembro.

Pode ser que Rubio seja um grilo falando no ouvido de Trump. Há sempre risco de rolo por aí, sanções etc. Ou possibilidade de nova derrota dos Bolsonaros, largados até pelos chefões da matriz.

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