Ruído branco, rosa ou marrom: qual é melhor para dormir e se concentrar?
Vídeos e playlists de ruído branco, rosa e marrom acumulam horas de reprodução com promessas de melhorar o sono, aumentar a concentração e reduzir distrações. As evidências científicas, porém, não mostram que esses sons produzam os mesmos efeitos em todas as pessoas.
Uma das principais funções desses ruídos é mascarar sons do ambiente. Ao criar um fundo sonoro constante, barulhos repentinos, como trânsito, conversas ou objetos sendo arrastados, podem se tornar menos perceptíveis.
Os possíveis benefícios também dependem do contexto. Estudos encontraram resultados diferentes conforme características como nível de atenção, presença de TDAH, ambiente e finalidade do uso.
Qual a diferença entre os ruídos?
As chamadas “cores” do ruído correspondem à maneira como a energia sonora é distribuída entre diferentes frequências. Segundo uma revisão científica publicada no Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, os três tipos apresentam características distintas:
- Ruído branco: distribui energia de maneira uniforme entre as frequências, produzindo um som semelhante ao de uma televisão fora de sintonia.
- Ruído rosa: apresenta maior intensidade nas frequências graves, produzindo um som frequentemente comparado ao da chuva.
- Ruído marrom: concentra ainda mais energia nas frequências graves, resultando em um som mais profundo, semelhante ao de uma cachoeira ou de ondas do mar.
Apesar das diferenças acústicas, não há evidências suficientes para afirmar que cada tipo de ruído produza benefícios específicos no cérebro. Os efeitos podem variar conforme as características individuais e a finalidade do uso.
Ruído pode ajudar na concentração?
Uma das hipóteses para explicar possíveis benefícios está relacionada à quantidade de estímulos necessária para manter a atenção.
Uma pesquisa também publicada no Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry analisou estudos envolvendo crianças e jovens adultos. Os resultados indicaram que ruídos branco e rosa podem favorecer o desempenho cognitivo de pessoas com TDAH ou sintomas elevados de desatenção.
O efeito não foi observado da mesma maneira entre participantes sem TDAH. Nesse grupo, o desempenho apresentou piora em algumas situações. Isso significa que acrescentar estímulos sonoros pode beneficiar determinadas pessoas, mas aumentar a distração de outras.
O ambiente também importa. Quando existe barulho ao redor, um som contínuo pode mascarar mudanças repentinas e reduzir interrupções. Em locais já silenciosos, acrescentar ruído pode não oferecer a mesma vantagem.
E para dormir melhor?
As evidências são menos conclusivas quando o objetivo é melhorar o sono. Uma revisão publicada na Sleep Medicine Reviews avaliou 38 estudos sobre o uso de ruído contínuo para dormir.
Os pesquisadores encontraram resultados bastante diferentes entre os trabalhos e classificaram como muito baixa a qualidade das evidências disponíveis. Isso significa que ainda não é possível concluir que o ruído branco melhore de forma consistente a qualidade do sono.
Para algumas pessoas, entretanto, o som pode funcionar como parte de uma rotina noturna. Quando o mesmo estímulo é utilizado repetidamente antes de dormir, o cérebro pode passar a associá-lo ao momento de descanso.
Segundo o estudo, esse processo está relacionado à aprendizagem associativa e não significa necessariamente que o próprio ruído provoque alterações específicas no sono.
Volume exige atenção
Mesmo quando o ruído ajuda a mascarar sons externos ou facilita o relaxamento, o volume exige atenção. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a exposição prolongada a sons intensos pode provocar danos auditivos. O risco depende da intensidade, da duração e da frequência da exposição.
O cuidado deve ser maior no uso de máquinas de ruído para bebês e crianças. A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda manter os aparelhos o mais longe possível dos bebês, utilizar volumes baixos e limitar o tempo de funcionamento.
Por isso, ouvir o som em uma intensidade maior não significa obter mais benefícios. O volume, o tempo de exposição e a distância da fonte sonora também precisam ser considerados.
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