Petistas falam em crime de responsabilidade após carta de Flávio
Petistas cobram do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que o senador Flávio Bolsonaro (PL) responda por crime de responsabilidade após as acusações feitas ao pleito eleitoral nesta quarta-feira (28). Para esse caso, a punição inclui perda do cargo e a cassação dos direitos políticos.
Em uma carta, Flávio aponta, sem provas, que viu "estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar". O parlamentar chegou a apresentar uma versão da carta em que se autointitulava presidente eleito do Brasil e depois corrigiu para "líder".
"O Tribunal Superior Eleitoral precisa se pronunciar urgente e firmemente. Flávio Bolsonaro não apenas se auto-proclamou Presidente como mentiu descaradamente e contestou o resultado oficial proclamado pela Justiça Eleitoral. E ele deve responder por isso", defendeu o secretário nacional de comunicação do PT (Partido dos Trabalhadores), Éden Valadares.
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Eden ainda diz que a contestação do resultado das eleições é feita de maneira "coordenada" com a disseminação massiva de acusações falsas de fraude, o senador deveria ser alvo de investigações por desinformação contra a integridade do processo eleitoral e denunciação caluniosa.
O presidente do TSE, minsitro Nunes Marques, reagiu à carta de Flávio e disse que a eleição aconteceu "dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais".
A tese levantada por Flávio e por uma ala do bolsonarismo de que houve fraude na eleição não encontra qualquer margem de veracidade por dois motivos. O primeiro é que foram computados menos de 40 mil votos após a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), dada pelo ministro Cristiano Zanin, para prorrogar a votação até 19h. A campanha de Flávio também pediu a prorração do prazo, após a solicitação feita pelo PT.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou seu desempenho em quase 11 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Flávio também cresceu, com 3 milhões de votos a mais. A diferença final entre os dois foi de cerca de 4,4 milhões de votos.
O segundo fator tem explicação aritmética. No primeiro turno, cerca de 9,3 milhões de votos válidos foram para outros candidatos. No segundo, a abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, e o número de votos válidos aumentou em cerca de 4,8 milhões. Esses 14,1 milhões de votos foram divididos entre os finalistas: Lula ganhou 10,4 milhões, e Flávio, 3,7 milhões.
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