8h. PM tenta evitar cortes nos fundos comunitários
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Amanhã. As notícias com Carla Jorge Carvalho. O primeiro-ministro discursa esta manhã no Parlamento Europeu. Luís Montenegro vai defender as prioridades de Portugal para o próximo orçamento comunitário.
A intervenção acontece numa altura em que os Estados-membros e o Parlamento Europeu negoceiam a proposta da Comissão para o próximo quadro financeiro plurianual. O discurso está marcado para às 9h30 em Estrasburgo. Luís Montenegro vai tentar evitar cortes nos fundos comunitários e também Miguel Vitor Dias procurar respostas para o aumento do custo de vida.
Depois de António José Seguro ter pressionado para respostas europeias ao problema do aumento do custo de vida, Luís Montenegro chega a Estrasburgo com uma dupla missão. Com o quadro comunitário até 2034 a estar perto de ficar fechado, o primeiro-ministro português procura fugir a uma quebra de financiamento que pode rondar os 17% face ao programa atualmente em vigor. Os países frugais, que habitualmente exigem cortes no orçamento comunitário, estão pressionados internamente e defendem reduções na coesão e na agricultura. Luís Montenegro tem contado com o apoio do presidente europeu António Costa, que está também ele próprio sob pressão, mas também do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e do presidente francês Emmanuel Macron. Taxas sobre os criptoativos ou sobre o carbono são caminhos que Luís Montenegro sugere explorar, mas que para já não têm o apoio dos países ditos frugais.
Miguel Vitor Dias antecipa a viagem pela Europa de Luís Montenegro. O primeiro-ministro é o 16º líder a discursar no Parlamento Europeu, e isto desde que a presidente Roberta Metsola criou o formato Isto é a Europa. É um programa que pretende dar palco aos primeiros-ministros e chefes de Estado dos 27.
O discurso de Luís Montenegro em Estrasburgo está marcado para às 9h30 e pode ser acompanhado em direto aqui na Rádio Observador. O dia fica também marcado pela greve dos trabalhadores da AIMA. O protesto abrange todos os funcionários, independentemente do vínculo ou da carreira. E Carla, importa perceber que efeito está a ter esta paralisação.
Uma paralisação convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Migração. Em cima da mesa estão várias reivindicações, sobretudo a criação de uma carreira técnica própria. O Miguel Pina Andrade está desde cedo junto à loja da AIMA dos Anjos, em Lisboa. Miguel, a loja abre a esta hora e apesar de haver greve e apesar das longas filas, as pessoas que estão por aí vão ser atendidas.
Sim, Carla, começaram a entrar antes da hora de abertura. Por volta das 7h15 entraram os advogados e as pessoas com prioridade. Depois, os seguranças distribuíram as senhas para o atendimento geral. Foram cerca de 140. Aliás, é precisamente essa a indicação que está na porta da loja dos Anjos. O resto das cerca de 50 pessoas que estavam na fila receberam a indicação para voltarem às 10h00. Neste momento, não se vê ninguém na fila, algo que não costuma ser habitual. As únicas pessoas que aqui estão esperam pela hora indicada, pelas 10h00. Há pouco falava com Onokiuma, é angolano, está em Portugal há oito anos e veio à AIMA pela primeira vez para renovar um documento.
Não estou a conseguir renovar o meu documento a partir do portal. Vim saber qual o motivo. Tenho as duas declarações das finanças e da Segurança Social. Como não devo nada, vim saber o porquê, o motivo por que não consigo renovar o meu documento. É só.
Sobre a greve, Onokiuma diz que não sabia de nada e que soube precisamente quando estava a vir para a loja de Arroios.
Não sabia. Por acaso, ouvi na caminhonete, o motorista me disse: "Olá, estou a ouvir agora que eles estão em greve". Eu disse: "Ok, vou chegar lá para ver realmente".
Onokiuma recebeu uma das últimas senhas, ficou com a 192, foram distribuídas perto de 200, e recebeu a indicação para voltar às 10h00.
É, só às 10h00.
E vai ficar por aqui à espera.
Vou ficar, vou esperar. Daqui a nada vou buscar um café ali, vou tomar um pequeno-almoço, porque eu vivo em Vila Franca de Xira, não vou regressar mais até Vila Franca de Xira. Vou voltar aqui novamente. Vou aguardar.
Vai aguardar. Aqui o relato de Onokiuma, um angolano em Portugal há oito anos, uma das várias centenas de pessoas que hoje veio à loja da AIMA e apesar da indicação desta greve de 24 horas, convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Migração, pode dizer-se que hoje, Carla, é um dia normal e pelo que consegui perceber, a fila não estava tão grande como o habitual e foi rapidamente atendida.
Reportagem direta do Miguel Pina Andrade. Ao ouvir algumas das pessoas que começaram mais cedo, à espera de ser atendidos esta manhã na Loja dos Anjos da AIMA e estão, de facto, a ser atendidos. O Sindicato dos Técnicos de Migração, que convocou o protesto para hoje, diz que a greve surge depois de ter pedido uma reunião urgente ao governo e de não ter tido qualquer resposta.
André Ventura volta a acusar o presidente da Assembleia da República de criar obstáculos ao escrutínio a Luís Neves e revela que vai tentar falar com José Pedro Aguiar-Branco ainda hoje.
Em causa está a Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves como diretor nacional da Judiciária. O presidente da Assembleia da República defendeu ontem que deve haver apenas duas CPIs em funcionamento ao mesmo tempo, isto apesar do regimento permitir um total de quatro em simultâneo. Atualmente, há duas a decorrer, a do INEM e outra aos incêndios florestais, mas há mais duas comissões constituídas, esta sobre Luís Neves e também sobre os exames nacionais. André Ventura não concorda com as declarações de Aguiar-Branco e volta a acusá-lo de tentar evitar o escrutínio.
O Chega já fez tudo o que podia fazer. Nós já pusemos o projeto, já o garantimos positivamente, já indicámos os nomes. Agora, tem que ser dada a tomada de posse. Se Aguiar-Branco recusar fazê-lo, está a ter um ato inconstitucional, uma coisa claramente contrária à Constituição. Mas pior do que isso, está a mostrar que é um presidente da assembleia igualmente preso a interesses, como era Ferro Rodrigues e Augusto Santos Silva. E isso é errado. É inconcebível aceitar que uma comissão de inquérito possa parar porque estão duas a decorrer.
A acusação de André Ventura ontem à noite, em entrevista ao canal NOW, acusação dirigida ao presidente da Assembleia da República. É por isso que o líder do Chega adianta que vai hoje tentar falar com Aguiar Branco para perceber o motivo das declarações. De recordar que será o próprio André Ventura a presidir à Comissão Parlamentar de Inquérito imposta pelo Chega aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária.
São 8h07. Já a seguir temos os Momentos de Glória. Primeiro, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
Com o orçamento do Estado à porta, o governo reúne-se hoje com as três federações sindicais da administração pública. O objetivo é negociar os salários de 2027. A Secretária de Estado da Administração Pública vai receber a FESAP, o STE e a Frente Comum. Pelo menos duas pessoas morreram em Moscovo depois de um ataque ucraniano com recurso a mais de 600 drones esta madrugada. O presidente da Câmara de Moscovo garante que a maior parte dos drones foi destruída. Ainda assim, o governador da região de Moscovo indica que quase 50 habitações foram atingidas, além das duas vítimas mortais. O apresentador britânico e amigo de Cristiano Ronaldo, Piers Morgan, diz que Jorge Jesus mentiu, humilhou e menosprezou o capitão da seleção. Piers Morgan diz que CR7 recebeu garantias absolutas sobre o papel que teria na equipe nacional. O britânico refere, depois, que Jesus não cumpriu com o que tinha prometido. Piers Morgan nega que Cristiano Ronaldo tenha exigido a titularidade e acusa o selecionador nacional de querer demonstrar autoridade à custa do jogador. Já estreou o novo podcast Plus do Observador, conta a história de Ani Silva Pais, a filha do último diretor da PIDE, que abandonou tudo para se juntar à revolução cubana.
No 25 de abril, voltou para ajudar a fazer a revolução em Portugal e para tentar salvar o pai.
Chama-se "Os Escândalos de uma Revolucionária" e revela a história da filha única de Fernando Silva Pais, um dos homens mais próximos de Salazar.
É dia 27 de abril. Há centenas de pessoas em frente à casa da família Silva Pais. Muito barulho, muitas palavras de ordem. Os manifestantes ameaçam deitar fogo à casa e matar o diretor da PIDE. Um amigo telefona a oferecer refúgio numa quinta longe de Lisboa. Fernando Silva Pais recusa. Disse: "Não fujo. Não me pesa a consciência de nada e quero ficar junto dos meus subordinados". Lembrará, 10 anos mais tarde, Armanda Palhota numa entrevista.
É um excerto do quarto episódio de "Os Escândalos de uma Revolucionária", que é o novo podcast Plus do Observador.
Uma série narrada pela atriz Bárbara Branco, com música original de Frankie Chaves. A investigação e os guiões são da jornalista do Observador, a Inês André Figueiredo.
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