InquirerDA proposes P62-B plan to address dry spell impactDaily MaverickPride is more than a parade — the importance of queer freedomESPN Deportes49ers alargan su invicto con victoria ante Commanders en MNFESPNALCS Game 6: Takeaways as Rays advance to World SeriesPunchPolice rescue Benue Catholic priest, seven others, arrest twoThe Jerusalem PostTrump accuses Iran of killing 75,000, says asking NATO for help during war was test한겨레경찰, ‘5·18 북한군 개입’ 주장 지만원 구속영장 신청Inquirer Entertainment‘The Trauma Code’ confirms two new seasons, replaces Ahn Ha-young with Jung Ye-inZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFCNN Türk20 EKİM HAVA DURUMU | Bugün hava nasıl olacak? İstanbul, İzmir, Ankara hava tahminleriSözcüFransa’da protestolar büyüyor! Sokağa çıkma yasağı Paris’e uzandıNew Straits Times#SHOWBIZ: No more silence: Ruhainies lodges police report over VVIP link rumours
The Daily Newsstand · Free, Always
Tuesday, October 20, 2026

Proposta de voucher para creches de Flávio repete ideia abandonada pelo pai

Translate

A proposta de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de distribuir vouchers para as famílias matricularem crianças em creches particulares é a mesma defendida e abandonada pelo governo de seu pai, Jair Bolsonaro.

Sob o argumento de dar autonomia às mães, Flávio propõe pagar um valor (ainda não definido) para que as famílias possam custear a mensalidade dos filhos de até 3 anos em creches privadas. A medida valeria para locais onde não houver vagas na rede pública.

"Para que nenhuma mulher deixe de trabalhar, estudar ou empreender por falta de creche", diz o plano de governo do candidato.

A ideia é a mesma defendida por seu pai. Em 2021, Bolsonaro lançou o Auxílio Criança Cidadã, que previa o pagamento às famílias de até R$ 300 para custear a mensalidade em creches. O programa nunca saiu do papel e não atendeu nenhuma criança.

A ampliação da oferta de creches é um dos principais desafios da educação brasileira. No ano passado, mais de 826 mil crianças do país estavam na fila de espera por uma vaga. Mais da metade (52%) dos municípios brasileiros reconhecem que não conseguem atender a demanda das famílias.

Com a dificuldade de expansão na rede pública, a distribuição de vouchers aparece como uma solução rápida para o problema. Locais como Curitiba e Distrito Federal adotaram a política nos últimos anos para atender as crianças.

Especialistas, no entanto, dizem que estudos internacionais, inclusive conduzidos pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e pelo Banco Mundial, apontam que os vouchers podem ampliar o acesso ao ensino, mas não asseguram ganhos de aprendizagem nem reduzem desigualdades.

Além disso, dizem que a Constituição Federal não permite o uso de recursos públicos da educação para custear vouchers na educação infantil. No governo Bolsonaro, para contornar esse impedimento legal, a previsão era de que o programa seria custeado pelo então Ministério da Cidadania, com verbas reservadas para a assistência social.

Alessandra Gotti, coordenadora do Gaepe-Brasil (Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação no Brasil), diz que estratégias para a ampliação rápida da oferta de creche são importantes.

"É muito importante que se garanta a ampliação rápida, porque se trata de uma etapa da vida crucial para o desenvolvimento humano. Mas é preciso pensar nas consequências. Conceder o voucher não garante que o direito à educação está assegurado, especialmente, se as famílias tiverem que pagar a diferença da mensalidade", diz.

Em Curitiba, por exemplo, muitas das famílias aptas a receber o voucher de R$ 1.050 não conseguiram matricular os filhos em creches privadas, seja por não encontrar vagas perto de onde moram, seja por não ter como pagar a diferença da mensalidade

Na capital paranaense, 9.272 crianças aguardavam por uma vaga em creche neste ano. Dessas, 2.572 conseguiram vaga em escolas municipais e 1.205 receberam voucher. Ou seja, outras 5.495 que seriam elegíveis para o benefício não conseguiram encontrar vaga na rede privada.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Curitiba disse que o vale-creche é uma ferramenta complementar eficaz, de caráter transitório, para reduzir a demanda represada por educação infantil no município. Sobre o programa não conseguir todas as crianças que teriam direito, a pasta disse se tratar de uma "opção das famílias".

"É dever do Estado garantir educação infantil. O voucher transfere para as famílias essa responsabilidade, tanto de buscar um lugar onde haja vaga quanto de garantir recursos para pagar a diferença da mensalidade. A consequência dessa política é a ampliação da desigualdade no acesso, porque algumas famílias vão conseguir pagar e outras, não", diz Alessandra.

Ela disse ainda que mais da metade (55%) das crianças do país de até 6 anos estão inscritas no CadÚnico, ou seja, vivem com uma renda mensal per capita de até meio salário mínimo. E, destas, 75% estão em famílias monoparentais, segundo uma pesquisa da FMCSV (Fundação Maria Cecília Souto Vidigal).

"Obviamente, muitas dessas mães precisam da creche para poder trabalhar. E essas crianças vivendo em condições vulneráveis vão se beneficiar muito de ter acesso a uma educação infantil de qualidade. Mas essas famílias não conseguirão complementar o valor do voucher para ter acesso à creche. Não por escolha, mas pela condição em que vivem."

Outra preocupação dos especialistas é com a qualidade do ensino que será ofertado nas escolas particulares. Experiências de outros países, como Chile e Estados Unidos, por exemplo, mostram que a política de vouchers estimula a abertura de novas escolas particulares para atender à nova demanda.

Mas, como os valores repassados às famílias costumam ser menores do que o valor das mensalidades, as escolas passam a criar estratégias para reduzir os custos e conseguir atrair mais alunos. Por exemplo, com salários menores aos professores, aumento de alunos por turma ou menos investimentos em infraestrutura.

"O Chile é um caso clássico que mostra como o sistema de voucher não garante o direito à educação. Lá, as famílias recebiam o dinheiro, mas não tinham a garantia da vaga porque muitas escolas não aceitavam o voucher ou cobravam valores maiores e as famílias não conseguiam pagar a diferença. Foi um sistema que só acentuou desigualdade e gerou ainda mais estratificação", diz o economista Naércio Menezes, professor do Insper.

Ele afirma ainda que a qualidade do ensino que poderá ser afetada com a política de vouchers, uma vez que as famílias não conseguirão ter acesso às escolas mais caras. "Não é verdade que escolas particulares têm qualidade superior à rede pública. E os voucher vão levar as famílias a essas escolas mais baratas. Diversos estudos apontam que uma educação de má qualidade na primeira infância pode ter impactos negativos no desenvolvimento da criança."

Não é verdade que escolas particulares têm qualidade superior à rede pública. E os voucher vão levar as famílias a essas escolas mais baratas. Diversos estudos apontam que uma educação de má qualidade na primeira infância pode ter impactos negativos no desenvolvimento da criança

Um dos estudos mais referenciados sobre o tema feito pelo BID analisou os resultados de aprendizagem de mais de 1,6 milhão de alunos do Chile entre 2005 e 2012. Com um modelo de regressão econométrica, o estudo analisou o desempenho dos estudantes antes e depois da política de vouchers.

Os pesquisadores indicaram um aumento de alunos matriculados na rede privada, mas não encontraram evidências de que eles passaram a ter proficiência mais elevada do que estudantes da rede pública.

Os especialistas afirmam ainda que as escolas particulares estão hoje concentradas em regiões mais ricas e nas grandes cidades, portanto, a política de vouchers pode não ter efeito entre as crianças que hoje têm menos acesso ao ensino superior: que moram nas periferias ou cidades mais pobres e menores.

"Cerca de 40% dos municípios brasileiros não têm nenhuma escola particular. Ou seja, é uma política que não funciona em escala, não funciona para a realidade do nosso país", diz Menezes.

Notícias do dia

Receba diariamente de manhã no seu email as principais notícias publicadas na Folha; aberta para não assinantes.

Em 2025, o Brasil tinha 43% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches, mas o atendimento é desigual. Alguns estados, como Santa Catarina e São Paulo, chegam a ter quase 60% da população dessa idade na escola —próximo de atingir a meta que o país estabeleceu para 2036. Enquanto isso, Acre e Amapá têm 19% e 9% das crianças atendidas, respectivamente.

Os especialistas também dizem temer que a política de voucher desmobilize ações da União para dar apoio aos municípios na expansão de vagas nessa etapa de ensino, como ocorreu no governo Bolsonaro. Após anunciar a entrega de vouchers, o ex-presidente extinguiu os repasses do programa Brasil Carinhoso para o acesso e permanência de crianças na educação infantil.

A Folha procurou a campanha de Flávio para obter mais detalhes sobre a proposta de voucher, como o valor que será destinado às famílias, mas não obteve resposta.

View the original on UOL →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.