Inteligência artificial já influencia a compra de produtos para 46% dos brasileiros
46% dos brasileiros que usam inteligência artificial já recorrem à tecnologia para pesquisar produtos ou serviços antes de comprar. O dado faz parte de um levantamento inédito realizado pela Fbiz, em parceria com a plataforma de pesquisas On The Go. Chamada "Prompt-me", a pesquisa, compartilhada em primeira mão com a EXAME, ouviu 1.200 brasileiros com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país e das classes A a E, entre 23 de julho e 3 de agosto.
Segundo a pesquisa, o comportamento de consumo é tão novo quanto o próprio uso da IA como ferramenta na rotina. Entre os entrevistados, 80% já utilizam pelo menos uma ferramenta de IA no dia a dia. A média de uso da tecnologia entre eles é de cerca de 11 meses.
Do total de usuários de IA, 42% dizem recorrer à tecnologia várias vezes ao dia e outros 44%, algumas vezes por semana.
Da busca à recomendação
É na relação com o consumo, porém, que o levantamento traz uma das mudanças de comportamento mais relevantes. Os 46% que usam IA antes de comprar mostram que a ferramenta começa a funcionar como uma espécie de camada de pesquisa e curadoria.
A mudança no Brasil segue uma tendência global. Dados da GWI compilados pelo DataReportal mostram que 22,1% dos adultos conectados usam serviços de IA para pesquisar marcas, produtos e serviços. Os mecanismos de busca tradicionais ainda aparecem à frente, com 45,8%, mas a participação da IA nesse tipo de pesquisa vem crescendo.
"Todo mundo está falando sobre inteligência artificial, mas pouco se fala sobre os impactos dessas ferramentas no comportamento. Nunca podemos olhar a tecnologia só pela tecnologia. Por isso, decidimos fazer um estudo sobre como o brasileiro está usando a IA. O objetivo é compreender de que maneira a IA está transformando a vida dos brasileiros, seus hábitos, comportamentos e decisões de consumo", comenta Vitor Amos, VP de estratégia da Fbiz.

Fernanda Tedde CEO da Fbiz e Vitor Amos VP de estratégia da Fbiz (Divulgação)
Chatbot virou conselheiro
Segundo o estudo, 42% dos entrevistados usam IA para produzir conteúdo, incluindo fotos, vídeos e textos. Outros 37% utilizam ferramentas para melhorar textos, enquanto 32% recorrem à tecnologia para trabalhos de escola, faculdade ou cursos e outros 32% usam IA para análise de dados e automação de tarefas profissionais.
Mas alguns números mostram uma expansão mais particular da relação entre humanos e máquinas: 29% afirmam utilizar ferramentas de IA para tirar dúvidas sobre diagnósticos médicos. Um quarto (25%) diz usar a tecnologia como uma espécie de amigo ou conselheiro para conversar e resolver questões pessoais e emocionais.
O uso também aparece no entretenimento e no consumo personalizado: 25% recorrem à IA para criar memes, fazer brincadeiras ou se divertir; 24% consomem conteúdo personalizado em plataformas como Netflix, Spotify e YouTube; e 20% utilizam plataformas de educação e aprendizado com tutores virtuais.
O retrato é de uma tecnologia que começa a ocupar diferentes funções ao longo do dia, e não apenas um lugar específico dentro da rotina profissional.
Mais de uma ferramenta
Outro aspecto relevante para marcas é a multiplicidade de plataformas. Em média, os entrevistados dizem conhecer 5,2 ferramentas de IA e já ter utilizado 3,4.
Isso dificulta uma estratégia baseada em uma única plataforma. Uma resposta dada pelo ChatGPT pode não ser a mesma oferecida pelo Gemini ou por outra ferramenta, e a maneira como cada sistema apresenta uma empresa passa a fazer parte da experiência de descoberta.
Na prática, nasce uma nova preocupação para as marcas: não basta produzir conteúdo para ser encontrado. É preciso entender como esse conteúdo é interpretado, sintetizado e citado pelas ferramentas de IA.
Para Fernanda Tedde, CEO da Fbiz, o levantamento coloca essa mudança no centro da discussão ao propor que a jornada de consumo mediada por IA não seja tratada como uma busca linear por palavras-chave, mas por diferentes interações até o consumidor chegar à marca.
"Quando o assunto é inovação e conhecimento, a Fbiz sempre foi pioneira. Logo, é importante manter esse conhecimento atualizado para nos consolidarmos cada vez mais como parceiros estratégicos para as marcas", destaca a CEO.
A pesquisa completa está disponível para download. O conteúdo pode ser acessado aqui.
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