Ceuta. Parlamento Europeu irá debater respostas a crises

A resposta coordenada a crises como a que aconteceu em Ceuta em julho, quando mais de 70 mil migrantes entraram na cidade espanhola do norte de África oriundos de Marrocos, vai estar esta terça-feira em debate no Parlamento Europeu.
Os eurodeputados, em conjunto com a presidência irlandesa do Conselho e a Comissão Europeia, querem determinar uma nova forma de a UE agir face a este tipo de crise humanitária, sendo que as resoluções escolhidas serão votadas na quinta-feira.
A discussão vai passar pela proteção das fronteiras externas da UE contra ataques híbridos e a instrumentalização da migração, a cooperação entre os países da UE e com países terceiros, o papel da agência europeia responsável pela segurança das fronteiras externas Frontex e eventuais novas medidas.
A entrada ilegal em Ceuta de milhares de pessoas desestabilizou a região, mas também a Europa.
Vários países, como Itália, Finlândia, Dinamarca ou Suécia pediram a suspensão de Espanha do espaço de livre circulação Schengen com receio de que Marrocos tenha instrumentalizado os migrantes para fazer pressão política sobre o país europeu.
Consultado na altura pela agência Lusa, o conselheiro principal do Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração (ICMPD), Martin Hofmann, considerado um dos principais especialistas mundiais em fluxos migratórios, defendeu que este tipo de cenários precisa de mais respostas.
“Situações como a de Ceuta geram, em poucas horas, uma avalanche de imagens e comentários que podem criar rapidamente a impressão de uma crise. Os governos europeus precisam, por isso, de responder com a mesma rapidez e clareza”, disse.
O que é necessário, defendeu, é “uma cadeia de resposta rápida e uma estratégia de comunicação coerente”.
Para Martin Hofmann, é necessária “uma cooperação mais profunda com os países vizinhos, por exemplo, através de parcerias abrangentes em matéria de migração, mas também um mecanismo de resposta mais forte, que possa ser ativado imediatamente, e se baseie na solidariedade de todos os Estados-membros.
Também o sociólogo e diretor científico do Observatório das Migrações Pedro Góis considerou que a resposta da UE deve ser diferente da que existe atualmente.
“Não pode ser apenas nacional”, sublinhou, adiantando que “quando um Estado-membro enfrenta uma pressão fronteiriça desta escala, a Frontex devia funcionar como mecanismo de solidariedade e resposta rápida” e “não deixar Espanha a gerir sozinha o que é, na prática, um problema de fronteira externa”.
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