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Wednesday, October 14, 2026

Como fica a agenda de viagens e eventos do papa Leão nos próximos meses?

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O anúncio de que o papa Leão XIV está com câncer no pulmão, feito nesta terça-feira (13), gerou dúvidas sobre a agenda do pontífice, que prevê viagem à América do Sul no mês que vem.

No início de agosto, o Vaticano informou que o líder da Igreja Católica visitará o Uruguai, a Argentina e o Peru, em viagem inicialmente prevista para durar 12 dias — de 6 a 17 de novembro.

O pontífice cancelou todos os compromissos públicos que teria até o dia 20 de outubro para a recuperação da operação.

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No entanto, alguns líderes políticos e religiosos já reconheceram a possibilidade de que ajustes precisem ser feitos no roteiro da viagem.

Uruguai: "O mais importante é a saúde do Papa"

No domingo (11), dia em que o papa anunciou que passaria pela cirurgia, a Igreja Católica do Uruguai, o primeiro país incluído no itinerário anunciado em agosto, fez uma publicação no Facebook.

"Por enquanto, não há alterações previstas na agenda da Viagem Apostólica do papa Leão XIV ao Uruguai, programada para ocorrer de 6 a 8 de novembro de 2026", informaram.

Contudo, pouco depois, Milton Tróccoli, presidente da Conferência Episcopal do Uruguai, acrescentou uma ressalva.

Em declarações ao jornal El País, publicadas nesta terça-feira — e também divulgadas na página da Igreja Católica no Facebook —, Tróccoli disse que colaboradores do papa lhe informaram que ele mantém a intenção de viajar, mas talvez precise "reduzir o ritmo" do cronograma planejado, pois "são 15 dias muito intensos" nos três países.

Nesta semana, nas ruas do Uruguai, muitas pessoas brincam dizendo que a situação poderia se tornar uma repetição da história narrada em um filme famoso, "O Banheiro do papa" (2007), que retrata a grande expectativa gerada no Uruguai pela visita de João Paulo II em 1988 e como, no final, o pontífice transmitiu uma mensagem que durou apenas alguns minutos.

"Hoje, o mais importante é a saúde do papa. Com base em seu estado de saúde e em sua recuperação, serão tomadas as decisões cabíveis. O que nos disseram e comunicaram é que nada muda no planejamento", afirmou aos jornalistas Alfonso Bauer, bispo de Florida, nesta terça.

"Isso vale para o momento atual, mas temos de estar cientes de que haverá a intervenção, a recuperação e, diante de novas informações e novidades, bem, decidiremos como prosseguir", adicionou.

"É claro que isso gera certa incerteza. Acredito que uma decisão será tomada antes do fim do mês. Então, daqui até o fim do mês, temos de trabalhar como se tudo continuasse igual, não é? Como se o Sumo Pontífice, o papa Leão, fosse vir", insistiu.

Argentina: "Estamos disponíveis para fazer os ajustes necessários"

Na Argentina, que será o segundo país visitado pelo papa nesta viagem, a Conferência Episcopal publicou um comunicado no domingo pedindo orações por ele e expressando a confiança de que ele "possa alcançar uma pronta e plena recuperação".

O presidente Javier Milei divulgou uma mensagem semelhante em sua conta no X e, no dia seguinte, reconheceu a possibilidade de a visita precisar ser adiada devido à saúde e à recuperação do pontífice.

“Bem, outro dia, de fato, manifestei publicamente minha preocupação a esse respeito e disse que estávamos orando por ele — para que ele possa vir à Argentina — e que, se a situação exigir uma alteração na data, estamos disponíveis para fazer os ajustes necessários”, disse o mandatário em entrevista à Rádio Mitre.

Papa Leão 14 e presidente da Argentina, Javier Milei, durante encontro no Vaticano 07/06/2025 Vatican Media/Mario Tomassetti/­Handout via REUTERS • Reuters

Milei argumentou que um país deve considerar pelo menos dois grandes fatores ao receber um papa: primeiro, que se trata do chefe da Igreja Católica no mundo; segundo, que ele é um chefe de Estado.

“Há a dimensão religiosa. No caso da Argentina, 75% da população é católica. Portanto, ele é o líder espiritual de 75% dos argentinos; é um dado que não pode ser ignorado", comentou.

"Mas, ao mesmo tempo, há outro dado muito importante: ele é um chefe de Estado — e um chefe de Estado que é líder espiritual de 2,5 bilhões de seres humanos. Não estamos falando de um líder qualquer — digamos, todos são importantes —, mas ele tem uma dimensão planetária distinta”, acrescentou.

Peru também envia mensagens de apoio e mantém preparativos

No Peru, tanto o governo de Keiko Fujimori quanto a Igreja Católica se uniram às mensagens de apoio e afirmaram que esperam vê-lo em breve.

Este é o último país do roteiro da viagem, e é onde o papa foi bispo e do qual também possui cidadania (ele é norte-americano e peruano).

“Nossos corações e nossas orações o acompanham, com o desejo de tê-lo em breve entre nós”, disse a presidente Fujimori no domingo, em sua conta no X.

Da mesma forma, a Conferência Episcopal pediu orações por ele, enquanto alguns de seus membros trabalham com o governo nos preparativos para a visita.

Robert Prevost, hoje papa Leão XIV, em meio a enchente no Peru, em 2023. • Reprodução/ Cáritas Chiclayo

O relatório mais recente sobre o assunto foi divulgado na segunda-feira (12), em um comunicado no qual o Ministério das Relações Exteriores informou que os preparativos para receber o papa “entraram em sua etapa final”, sem mencionar a possibilidade de qualquer ajuste.

Segundo a pasta, em uma reunião da Comissão Extraordinária de Alto Nível encarregada de preparar a visita, ministros e representantes da Igreja Católica discutiram, entre outros pontos, as missões de reconhecimento realizadas pelo Vaticano nos locais previstos no itinerário.

Uma terceira missão ocorrerá no final de outubro, juntamente com vistorias técnicas em cada cidade: Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa.

“Ao final da reunião, os participantes expressaram unanimemente seus mais sinceros votos de uma pronta e plena recuperação de Sua Santidade, o papa Leão XIV, a quem o Peru aguarda de braços abertos”, concluiu a instituição.

Ela continuará liderando os preparativos enquanto se aguardam notícias sobre a recuperação do papa e as possibilidades de concretização de uma viagem tão aguardada na América Latina.

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