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Thursday, October 22, 2026

Spotify quer que IA escolha sua próxima música e ações sobem após balanço

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O Spotify quer que a inteligência artificial (IA) ajude a decidir o que seus usuários vão ouvir, descobrir e até ler. A aposta em uma experiência cada vez mais personalizada ganhou força nesta quinta-feira, 22, quando a gigante sueca de streaming divulgou seu balanço do terceiro trimestre.

Foram 306 milhões de assinantes pagos, receita de quase 5 bilhões de euros e uma previsão de lucro acima das expectativas para o fim do ano. As ações da companhia chegaram a subir cerca de 5% nas negociações antes da abertura de Wall Street no início da manhã de hoje.

O Spotify registrou receita de 4,97 bilhões de euros entre julho e setembro, crescimento de 16% na comparação anual, mas ligeiramente inferior aos 4,98 bilhões de euros esperados por analistas da LSEG. O lucro por ação foi de 2,48 euros, também abaixo da estimativa de 2,80 euros.

Mas o que chamou a atenção foi a perspectiva para os próximos meses, já que a plataforma espera alcançar lucro operacional de 820 milhões de euros no quarto trimestre, acima dos 813,4 milhões de euros previstos por analistas.

"Construímos um negócio sólido que continua crescendo, investimos quando enxergamos um caminho para o crescimento, nossos custos estão se moderando e ainda temos muito espaço pela frente", afirmou o copresidente-executivo do Spotify, Alex Norström, em comunicado.

Spotify cresce em assinantes e alcança 788 milhões de usuários

No terceiro trimestre, a plataforma chegou a 788 milhões de usuários ativos mensais, crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2025. Já o número de assinantes premium avançou 9%, para 306 milhões, com expansão em todas as regiões onde a empresa atua.

O lucro operacional somou ainda 672 milhões de euros, praticamente em linha com os 671,8 milhões de euros esperados por analistas da Visible Alpha. A margem bruta atingiu o recorde de 33%, avanço de 1,36 ponto percentual em um ano e acima dos 32,9% projetados por Wall Street.

Para o quarto trimestre, a companhia prevê alcançar 818 milhões de usuários ativos mensais e 316 milhões de assinantes premium, o que representa a expectativa de adicionar 10 milhões de clientes pagos em apenas três meses, superando a previsão de 314,7 milhões de assinantes feita por analistas.

Apesar da perspectiva positiva, a estimativa de usuários ativos ficou ligeiramente abaixo dos 819 milhões esperados pelo mercado. O resultado mostra que o Spotify ainda precisa equilibrar o ritmo de expansão de sua audiência com a capacidade de transformar esse crescimento em receitas e lucros maiores.

"Estamos muito satisfeitos com nosso desempenho na reta final do ano e consideramos que o negócio está bem posicionado para apresentar crescimento e margens melhores em 2026", destacou a companhia.

IA quer descobrir seu gosto musical antes de você

Mais do que aumentar o número de assinantes, o Spotify está tentando mudar a maneira como as pessoas encontram músicas, podcasts e audiolivros. A IA ocupa uma posição central nessa estratégia, com ferramentas capazes de interpretar preferências e oferecer recomendações cada vez mais personalizadas.

Uma das novidades é o "Taste Profile", recurso em fase de testes que permite aos assinantes premium dos Estados Unidos, com 18 anos ou mais, visualizar como a plataforma interpreta seus gostos musicais e influenciar diretamente as recomendações exibidas na página inicial.

A empresa também aposta no "AI DJ", que cria seleções musicais personalizadas acompanhadas de comentários falados, e em playlists geradas a partir de comandos escritos. Nesse modelo, o usuário pode descrever um humor, uma ocasião ou uma preferência musical para receber sugestões feitas sob medida.

Outra frente é a integração com o "Muse", agente de inteligência artificial da Meta. A ferramenta permite que os usuários interajam com o Spotify por meio de pedidos feitos ao assistente, ampliando as possibilidades de descoberta e organização de conteúdos.

Para Gustav Söderström, copresidente-executivo do Spotify, o entretenimento tem uma característica que pode favorecer a empresa em um mundo cada vez mais dominado por agentes de inteligência artificial.

"Ninguém pede a um agente para resumir uma música. O objetivo de se livrar dessas tarefas é justamente liberar ainda mais tempo para as coisas de que você realmente gosta", afirmou.

De playlists a músicas feitas com IA

O Spotify também está avançando em uma área que promete movimentar a indústria musical. Segundo a Reuters, a companhia anunciou um acordo de licenciamento com a distribuidora Believe para uma futura ferramenta paga de versões e remixes de músicas criados por fãs com inteligência artificial.

A iniciativa já conta com acordos de licenciamento com a Universal Music Group, Merlin e Kobalt. A estratégia sinaliza uma tentativa de transformar o interesse por músicas produzidas ou modificadas com IA em uma nova oportunidade comercial, utilizando acordos com detentores de direitos musicais.

O movimento amplia o papel da tecnologia dentro da plataforma. Em vez de se limitar a recomendar músicas, a inteligência artificial também poderá participar de novas formas de criação e interação entre fãs e artistas.

O que esperar das ações do Spotify após o balanço

O balanço trouxe uma combinação de crescimento de assinantes, margem bruta recorde e perspectivas de lucro acima do esperado. Esses fatores ajudaram a impulsionar os papéis (SPOT) no pré-mercado americano, mesmo após a receita e o lucro por ação ficarem abaixo das projeções.

A alta de quase 5% antes da abertura das bolsas representava uma recuperação para os papéis, que acumulavam queda de cerca de 22,24% nos últimos 12 meses até então.

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