Mais de três mil pessoas em protestos na Tunísia

Mais de três mil pessoas manifestaram-se este sábado em Tunes, capital da Tunísia, contra o aumento do custo de vida, numa iniciativa convocada por várias organizações, incluindo a central sindical UGTT e partidos da oposição.
“Não há democracia sem liberdades”, “Não há dignidade com pobreza”, lia-se em vários cartazes, empunhados por manifestantes que gritavam palavras de ordem como “Ó regime do fracasso, a solução é a tua saída”.
Desde o “golpe” do Presidente Kais Saied, a 25 de julho de 2021, quando assumiu plenos poderes, a oposição e a sociedade civil têm denunciado retrocessos nos direitos e liberdades no país que foi o berço da Primavera Árabe. Muitos tunisinos denunciam também a degradação do poder de compra, num contexto de subida de preços e de persistentes dificuldades económicas.
O cortejo marchou pelo centro da capital sob forte dispositivo policial, tendo vários acessos sido cortados a viaturas e pedestres. Além do sindicato UGTT, diversas organizações apelaram à adesão à manifestação, como o Sindicato Nacional dos Jornalistas Tunisinos (SNJT) e a Organização Tunisina dos Jovens Médicos. Entre os manifestantes encontravam-se sindicalistas, figuras políticas, representantes da sociedade civil e familiares de opositores detidos.
“Exigimos o respeito pelas liberdades fundamentais e, acima de tudo, a libertação dos presos políticos”, disse à agência AFP uma das manifestantes, Sihem Bensedrine.
Karim Majeri, funcionário público de 32 anos, afirmou sentir-se “sufocado pela injustiça, pela opressão e pelo elevado custo de vida”. “Temos o direito de viver com dignidade. A política atual não consegue dar garantias à juventude e a corrupção bloqueia tudo”, acrescentou Mayssa Batikh, manifestante de 21 anos e estudante de medicina dentária.
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