Irã na ONU: entenda o pronunciamento do presidente Pezeshkian em 5 pontos
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursou nesta quarta-feira, 23, na Assembleia Geral da ONU, em meio à guerra entre o país e uma coalizão liderada pelos Estados Unidos e Israel e a novas tentativas de reabrir as negociações entre Teerã e Washington.
A fala ocorreu um dia depois do presidente americano Donald Trump usar o mesmo palco para ameaçar “aniquilar” o Irã caso não seja alcançado um acordo.
O pronunciamento também aconteceu após um contato indireto entre representantes dos dois países, realizado na terça-feira por meio de mediadores do Catar. Pezeshkian aproveitou a tribuna para defender a diplomacia, reafirmar a posição iraniana sobre o programa nuclear e criticar os ataques de Estados Unidos e Israel.
Ao longo do discurso, porém, deixou claro que Teerã não aceita negociações acompanhadas de ameaças ou coerção militar.
1. Irã diz estar aberto ao diálogo, mas sem ameaças
Pezeshkian afirmou que o Irã está disposto a retomar o diálogo e as negociações com os Estados Unidos, desde que as conversas ocorram sem coerção.
A declaração ocorreu após Trump usar o mesmo palco, na terça-feira, para dizer que poderia “aniquilar” o Irã caso não fosse alcançado um acordo. Pezeshkian respondeu que a pressão e as sanções apenas aumentariam a resistência iraniana.
2. Teerã rejeita restrições ao programa nuclear civil
O presidente iraniano reiterou que seu país não pretende desenvolver armas nucleares, mas rejeita limitações ao uso pacífico da tecnologia nuclear.
Segundo Pezeshkian, o enriquecimento de urânio para fins civis é um direito do Irã e pode ser utilizado em áreas como pesquisa médica e geração de energia. A questão está no centro do impasse com Washington.
3. Estreito de Ormuz e Palestina entram no discurso
Pezeshkian também abordou o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás. Ele afirmou que o Irã não aceitará que outros países utilizem a passagem enquanto ela também seja empregada para pressionar ou atacar seu território.
O presidente alertou ainda que a expansão do conflito não produzirá segurança e defendeu uma solução política.
4. Pezeshkian acusa EUA e Israel de violações
Durante o discurso, o presidente iraniano apresentou imagens de vítimas dos ataques contra o país e acusou Estados Unidos e Israel de atingirem infraestrutura civil e violarem o direito internacional.
Pezeshkian também afirmou que o Irã não iniciou a guerra e apresentou suas ações militares como defesa diante dos ataques.
No plenário, a delegação americana deixou a Assembleia Geral enquanto o presidente iraniano fazia as acusações.
5. Houve contato indireto entre Irã e EUA
O discurso ocorreu depois de um contato indireto entre representantes dos dois países. Na terça-feira, autoridades iranianas conversaram, por meio de mediadores do Catar, com o enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump.
Segundo o New York Times, as conversas trataram da possibilidade de retomar as negociações. Teerã teria pedido o fim do bloqueio naval aos portos iranianos e a liberação de ativos congelados.
Trump classificou o encontro como “muito bom”, mas disse que os representantes iranianos não eram do mais alto escalão. O governo iraniano, por sua vez, afirmou que a reunião não representava uma mudança em sua posição.
Antes do discurso, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que Trump estava aberto a um eventual encontro com Pezeshkian em Nova York.
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