PF sob Flávio pode ter delegado que atua com Mendonça e aliado de Ramagem


Aliados de Flávio Bolsonaro (PL), que lidera as pesquisas de intenção de voto às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, no próximo domingo (25), já discutem possíveis nomes para ocupar a direção-geral da PF (Polícia Federal) em caso de vitória do senador.
A chefia da PF é considerada fundamental por bolsonaristas, que acusam o governo Lula de instrumentalizar a instituição para perseguir adversários políticos. O petista nega e sempre tem dito que a PF atua com independência em seu governo. Nesse contexto, o diretor-geral é visto como alguém que precisa ser de confiança do futuro presidente.
Entre os nomes mencionados nos bastidores estão os delegados Marcelo Bertolucci, atualmente lotado no gabinete de Flávio no Senado; Rolando Alexandre de Souza, ex-diretor próximo ao ex-deputado Alexandre Ramagem; Rodrigo Bartolomei, ex-superintendente da PF em São Paulo; e Thiago Marcantonio, delegado que trabalha no gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Outra possibilidade seria a indicação de um nome ligado ao senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), cotado para assumir o futuro Ministério da Segurança Pública. As articulações, porém, ainda não foram definidas.
Ramagem manteria influência
O grupo político ligado ao ex-delegado e ex-deputado federal Alexandre Ramagem, considerado foragido pela PF em decorrência de uma condenação relacionada aos atos golpistas de 8 de janeiro e demitido da corporação por determinação do STF, segue entre os que podem ter influência na escolha do futuro diretor-geral.
Fontes da PF e aliados de Flávio afirmam que o ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) mantém força política e que seu nome de preferência para o cargo continua sendo o do delegado Rolando Alexandre de Souza.
Rolando comandou a PF por cerca de um ano, em 2020, durante o governo Jair Bolsonaro. Ele foi escolhido pelo então presidente depois que a indicação de Ramagem para a direção-geral foi barrada pelo STF. Posteriormente, deixou o posto para assumir a função de adido da Polícia Federal nos Estados Unidos.
Possível indicação divide aliados
A influência de Ramagem sobre a escolha, contudo, é motivo de divergência entre interlocutores de Flávio. Uma fonte avalia que o ex-deputado, atualmente nos Estados Unidos, tem hoje mais proximidade com Eduardo Bolsonaro do que com o presidenciável. Na avaliação desse interlocutor, Flávio poderia privilegiar nomes mais alinhados ao Centrão do que pessoas diretamente ligadas à família.
Flávio apoiou a candidatura de Ramagem à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024 e, assim como os irmãos, participou da mobilização em torno da candidatura do ex-diretor da Abin.
Outros delegados cotados
Marcelo Bertolucci, delegado atualmente lotado no gabinete de Flávio no Senado, é considerado um nome de confiança do senador. Ele ocupou a Secretaria-Executiva do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) durante o governo Jair Bolsonaro.
A proximidade com Flávio pode colocá-lo entre as alternativas para a chefia da PF em caso de vitória do senador. Bertolucci, porém, já se candidatou a deputado estadual pelo PL, movimento que não é bem visto dentro da corporação.
Rodrigo Bartolomei, ex-superintendente da PF em São Paulo durante o governo Jair Bolsonaro, também aparece entre os cotados. Ele é considerado próximo ao ex-presidente, em parte pela relação com integrantes do meio militar. Sua eventual escolha dependeria, entre outros fatores, da disposição de Flávio em manter uma interlocução política mais estreita com os militares.
Já o delegado Thiago Marcantonio, atualmente lotado no gabinete de André Mendonça no STF, é outro nome que circula nos bastidores. Com mais de duas décadas de atuação na Polícia Federal, ele já passou pela coordenação-geral das eleições de 2022, pelo Ministério da Justiça, quando Mendonça era ministro, e por uma função de destaque na Corregedoria da corporação.
Marcantonio foi responsável por investigar, dentro do gabinete de Mendonça, as suspeitas envolvendo Lulinha, filho do presidente Lula, além de investigações relacionadas às fraudes no INSS e ao Banco Master.
Contudo, segundo interlocutores, Mendonça tem maior proximidade com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro do que com Flávio. O senador e Michelle tiveram uma relação conturbada ao longo dos últimos anos, apesar de terem recomposto publicamente a relação política.
Derrite pode indicar nome, mas disputa espaço
A provável indicação de Guilherme Derrite para o Ministério da Segurança Pública, caso Flávio vença a eleição, também pode abrir espaço para um nome de sua confiança na direção da PF. Uma fonte, no entanto, pondera que, se Derrite assumir o ministério, a indicação do diretor-geral da Polícia Federal deverá ficar com outro grupo político.
A escolha também é vista como uma disputa de forças dentro de um eventual governo. Ao assumir a Segurança Pública, Derrite já teria influência sobre uma área central da administração federal. Concentrar também a indicação do comando da PF poderia ampliar seu poder, o que abre espaço para que outros grupos aliados de Flávio reivindiquem participação na escolha.
Fontes da PF afirmam, porém, que Derrite, que é policial militar, não tem proximidade consolidada com integrantes do alto escalão da instituição. Ainda não haveria, portanto, um nome definido ligado a ele para assumir a direção-geral.
Mudança caso Lula vença
Em caso de vitória de Lula, um dos nomes citados como possível sucessor é o do diretor-executivo da PF, William Marcel Murad, delegado com mais de 20 anos de corporação, formado em Direito pela USP e homem de confiança do atual diretor-geral, Andrei Rodrigues.
Como mostrou o UOL, desgastes sofridos por Andrei devido a embates com o STF e à revelação de que foi a um evento organizado por Daniel Vorcaro em Londres junto com outras autoridades do Brasil dificultam sua permanência no cargo em uma eventual vitória de Lula. O próprio Andrei não estaria mais interessado em continuar no cargo.
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