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Saturday, October 10, 2026

Por que a Solana começa a entrar no radar do investidor tradicional?

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A Solana começa a aparecer em uma conversa que vai muito além do mercado de criptoativos: a transformação da infraestrutura do mercado financeiro. O movimento ainda está em estágio inicial, mas a entrada de ativos tradicionais em redes blockchain e a criação de formas mais acessíveis de exposição a criptoativos aproximam dois mercados que, até pouco tempo atrás, operavam em universos bastante distintos.

O principal sinal dessa mudança está na natureza das aplicações que chegam à rede. Até o final de julho, a Solana concentrava US$ 3,7 bilhões em ativos do mundo real tokenizados, os chamados RWAs, distribuídos por mais de 313 mil carteiras. A categoria inclui títulos do Tesouro, fundos, ações, crédito privado, commodities e outros instrumentos financeiros.

Para o investidor tradicional, o dado importa menos pelo tamanho desse mercado hoje do que pelo que ele sinaliza. Assim, o blockchain deixa de ser apenas o ambiente onde são criados e negociados ativos digitais e passa a ser utilizada para registrar, distribuir, movimentar e liquidar instrumentos que já existem no mercado financeiro convencional.

Tal diferença muda a natureza da discussão. Tokenizar uma ação, um fundo ou um título não significa necessariamente criar um novo ativo. Em muitos casos, significa mudar a infraestrutura pela qual aquele ativo é emitido, transferido ou liquidado. A Solana vem sendo utilizada justamente nesse processo.

Revolução do blockchain em fundos

Um exemplo está nos fundos. O BUIDL, fundo tokenizado da BlackRock, já possui mais de US$ 600 milhões em ativos na Solana, segundo dados divulgados pela própria rede. Outros produtos de renda fixa, crédito privado e fundos de mercado monetário também passaram a utilizar a blockchain. Nas ações, a aproximação é igualmente evidente.

A Ondo levou para a Solana mais de 200 ações e fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) americanos tokenizados. Segundo dados da Solana Foundation, 97% do volume spot acumulado de ações tokenizadas em blockchain até o fim de julho havia sido liquidado na rede. O mercado, é importante dizer, ainda é pequeno diante do mercado acionário tradicional.

É justamente aí que está um dos pontos relevantes para o investidor. O debate não é se o blockchain substituirá bolsas, bancos ou gestores, mas se determinadas etapas da cadeia financeira podem ser executadas de maneira diferente. Uma infraestrutura capaz de operar 24 horas por dia, com liquidação quase instantânea e integração entre diferentes aplicações pode alterar custos e processos de mercados que movimentam trilhões de dólares.

As stablecoins ajudam a completar essa equação. Ao funcionarem como uma camada de dinheiro digital para liquidação, permitem que determinados fluxos financeiros operem continuamente, inclusive fora dos horários tradicionais do sistema bancário. Empresas e instituições financeiras vêm testando esse modelo para pagamentos internacionais, tesouraria e liquidação de ativos, enquanto a Solana busca se posicionar como uma das infraestruturas para esses usos.

Exposição a cripto via produtos em bolsa

A aproximação também ocorre pelo outro lado: o acesso do investidor tradicional aos ativos digitais. Uma pesquisa de 2026 realizada pela Coinbase em parceria com a EY-Parthenon com 351 investidores institucionais mostrou que 66% dos entrevistados tinham exposição a criptoativos por meio de produtos negociados em bolsa e 81% disseram preferir exposição à vista por meio de veículos registrados.

No Brasil, esse movimento já começa a aparecer na própria infraestrutura do mercado. A B3 passou a negociar, em dezembro de 2025, o BDR do Valour Solana SEK, produto negociado sob o código VSOL39 e cujo ativo de referência é o SOL. O produto é um exemplo de como a exposição a um criptoativo pode ser incorporada aos canais tradicionais de negociação e custódia do mercado de capitais.

A mudança, portanto, acontece em duas frentes simultâneas. De um lado, ativos financeiros tradicionais começam a utilizar blockchain como infraestrutura. De outro, ativos digitais passam a ser acessados por estruturas conhecidas do investidor tradicional. Entre esses dois movimentos, a Solana ocupa um espaço que vai além da valorização ou desvalorização de seu token: o de uma rede que está sendo testada como parte da infraestrutura de uma nova geração de mercados financeiros.

Ainda há obstáculos importantes. Regulação, custódia, interoperabilidade, governança, segurança e liquidez precisam evoluir para que a tokenização deixe de ser uma aplicação de nicho e alcance uma escala comparável à dos mercados tradicionais. Mas a direção do movimento já é observável: blockchain começa a deixar de ser apenas uma tecnologia associada às criptomoedas para disputar espaço como uma camada de infraestrutura financeira.

*Andrew Forson, Presidente da DeFi Technologies 

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