Apostas como 'vilãs' e golpe no futebol: como a imprensa internacional noticiou a proibição das bets por Lula

Agências e jornais dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França destacaram o peso eleitoral da medida, o endividamento das famílias e o impacto sobre o futebol brasileiro.
Horas antes do anúncio, a agência Bloomberg já antecipava a decisão e a colocava no centro da disputa eleitoral. Em reportagem intitulada originalmente "Com dívidas esmagando eleitores, Lula pinta as apostas online como vilãs", a agência afirmou que Lula vinha atacando as apostas online em comício após comício, acusando-as de esvaziar os orçamentos das famílias e de enfraquecer o consumo que impulsionou o crescimento econômico em seus governos.
Com a eleição a poucos dias e a disputa empatada nas pesquisas, escreveu a agência, o presidente estava "transformando retórica em política".
A Bloomberg também informou, com base em duas fontes, que Lula assinaria no mesmo dia uma segunda MP, voltada à renegociação de dívidas de pessoas físicas.
A proibição foi confirmada no fim do dia, em um evento em São Paulo. A medida provisória determina:
- a proibição imediata de depósitos de clientes nos sites de apostas;
- que os apostadores solicitem o saque de seus fundos até 5 de outubro;
- o bloqueio de todos os sites licenciados a partir de 6 de outubro;
- a proibição imediata de novos contratos de publicidade, com os contratos atuais anulados após 6 de outubro.
A MP entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para continuar valendo.

Crédito, Getty Images
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A agência também destacou a preocupação dentro do governo de que os gastos com apostas estejam drenando os orçamentos familiares e contribuindo para níveis recordes de endividamento.
A AP noticiou que a decisão encerra a operação, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas, e registrou a reação de Flávio Bolsonaro, que acusou o presidente de adotar uma "medida eleitoral". A agência lembrou ainda que, dias antes, na Assembleia Geral da ONU, Lula havia acusado o setor de lucrar com o vício e destruir lares.
No Reino Unido, o jornal The Guardian destacou a fala de Lula de que se tratava de uma medida "dura, drástica e necessária", e ressaltou que, segundo as pesquisas, a decisão deve ter amplo apoio popular.
A agência francesa AFP deu destaque ao impacto no futebol. Segundo a agência, 13 dos 20 clubes da primeira divisão têm um site de apostas como patrocinador principal de camisa, e jogadores como Neymar e Vinicius Junior estão entre os rostos mais conhecidos da publicidade do setor.
A AFP também relatou que Lula comparou as apostas a um câncer, dizendo que ou se retira o tumor, ou ele mata, e que Flávio Bolsonaro o descreveu como desesperado. Segundo a agência, as 85 licenças concedidas ao setor, de R$ 30 milhões cada, não serão devolvidas.
A agência lembrou ainda que a medida depende do Congresso para se tornar lei definitiva, e que o setor promete reagir. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa as empresas licenciadas, alertou que a proibição pode empurrar apostadores para plataformas ilegais e defendeu mais fiscalização em vez do fim do mercado.
Segundo o site Rio Times, voltado ao público estrangeiro, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) afirmou que as operadoras consideram ir à Justiça para recuperar o valor das licenças e dos investimentos.
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