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Thursday, September 17, 2026

Regiane Alves: 'Parece que a mulher sem um cara não aconteceu. Conto de fadas não existe mais'

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A rotina de Regiane Alves está longe de ser tranquila. A atriz, de 48 anos, tem se desdobrado entre maternidade, gravações da novela Por Você, da Globo, no Rio de Janeiro, e apresentações do espetáculo Querida Mamãe, que está em cartaz no Teatro Renaissance, em São Paulo. Em entrevista exclusiva para a Quem, a artista fala sobre seu atual momento profissional, as cobranças e os desafios de ser mãe, a relação com o pai dos meninos e a possibilidade de viver uma relação aberta.

No teatro, Regiane vive uma personagem que tem problemas de relacionamento com a mãe e isso se intensifica quando ela se apaixona por outra mulher. “Esse é um grande embate. A peça te coloca em um lugar que você vê a sua vida. Me fez refletir sobre a filha que eu fui para minha mãe e que mãe eu quero ser para os meus filhos. É uma peça que fala muito sobre o resgate das relações”, comenta a atriz, que na vida real é mãe de João Gabriel, de 12, e Antônio, de 10, ambos com o diretor João Gomez, que é filho da atriz Regina Duarte.

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

O sonho de ser mãe entrou na vida de Regiane aos 30 anos, fase em que sentiu que já tinha conquistado muita coisa profissionalmente e estava estável financeiramente. “Achei que era muito fácil engravidar e aí entrou toda a minha saga da maternidade. Demorei cinco anos. Acabei um relacionamento, comecei outro e, mesmo com o pai dos meus filhos, a gente demorou muito”, conta a atriz, que fez vários exames nesse período e não descobriu nada. Aos 35 anos, ela decidiu realizar uma fertilização in vitro (FIV) e foi então que engravidou. “Foi uma grande realização”, recorda.

Pouco tempo depois de dar à luz, veio a surpresa: uma nova gravidez. “Foi totalmente no susto, porque eu estava anos tentando engravidar e não conseguia, então pensei que não ia engravidar desse jeito [de forma natural]. O Gabriel tinha oito meses e eu já engravidei do Antônio, foi muito rápido”, destaca. “Foi perfeita toda a história, mas no meio do processo é muito difícil. É frustrante passar cinco anos tentando e não conseguindo. Fazer exames tinha virado uma rotina. Haja terapia para atender todo o processo.”

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

O casamento de Regiane chegou ao fim em meados de 2017, mas ela e João, que é totalmente presente na vida dos filhos, possuem um ótimo relacionamento. “Não é porque não estamos juntos que não somos uma família. Somos uma família”, afirma a atriz. Eles, inclusive, trocam o que acontece na casa um do outro e combinam regras iguais, por exemplo, se na casa de um não pode usar celular na mesa na hora das refeições, também não pode na casa do outro. “A gente assumiu os nossos melhores papéis como mãe e pai dessas crianças, sabe? É bonito de olhar e falar que essa é a relação certa [que temos que ter].”

Com os dois filhos caminhando para a adolescência, a atriz tem vivido novos desafios. Recentemente, um deles perguntou se era verdade que ela tinha posado nua. “A gente aproveita as deixas para comentar. Eles não têm a referência do que foi a Playboy. Aproveitei e falei que também fiz um filme no qual ficava nua e contei a história, até para eles aceitarem essa coisa do corpo nu e o empréstimo que o artista faz do seu corpo”, fala.

Solteira, Regiane já propôs a um pretendente viver um relacionamento aberto. Ele não topou, mas ela não descarta a possibilidade de viver uma relação nesse formato. “As pessoas falam ‘ai, não, minha relação é fechada’, mas vive traindo e vive fazendo coisas erradas. Precisa disso? Hoje, se eu entro dentro de uma relação com 48 anos, não vou querer ficar traindo a pessoa”, enfatiza.

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

Namoro, no entanto, não está em seus planos atualmente. “Eu me satisfaço com meu trabalho e com meus filhos, que estão em uma fase que precisam muito de mim, então não saio em busca, se rolar, rolou, mas não tem essa necessidade. Parece que a mulher sem um cara não aconteceu. Não! Conto de fadas não existe mais. É nesse lugar que me vejo. Sou uma mulher que trabalha, que se banca, que cuida e educa os meus filhos, e está tudo bem”, afirma.

Em Por Você, a atriz vive uma educadora que não conseguiu realizar o sonho de ser mãe e encontra na escola uma forma de criar sua família. Margô é braço direito do diretor Lucas (Amaury Lorenzo). À Quem, ela faz mistério sobre um possível envolvimento entre eles, mas dá o seguinte spoiler: “O que posso adiantar é que em outubro vamos falar sobre câncer, porque talvez ela tenha. A ideia é conscientizar as mulheres. Ela terá um nódulo e vamos falar sobre a importância do autoexame”. Regiane também celebrou seu retorno à TV: “É gostoso voltar. Consigo circular nas três mídias, mas acho que televisão é o lugar que eu mais fiz e que me sinto mais à vontade”.

Na peça você faz a filha, mas vive a maternidade na vida real. Como é poder falar sobre esse assunto no palco?
É uma abertura para muitas discussões. Aqui no espetáculo a gente fala muito do conflito geracional, da mãe ser de uma época e a filha de uma outra geração. Minha personagem teve um casamento, tem uma filha que também não se dá bem com ela e, de repente, ela se vê apaixonada por outra mulher. Esse é um grande embate. A peça te coloca em um lugar que você vê a sua vida. Me fez refletir sobre a filha que eu fui para minha mãe e que mãe eu quero ser para os meus filhos. E, agora, tem essa coisa da gente lidar com a tecnologia e o acesso a essas coisas, então é um outro tipo de maternidade. É uma peça que fala muito sobre o resgate das relações e que, independente do que esteja acontecendo, sempre é tempo de você fazer esse resgate. É um texto da Maria Adelaide [Amaral] lá dos anos 90, Eva Wilma e Eliane Giardini que fizeram a peça, e ele ainda emociona.

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

Você falou sobre esse conflito de geração. Isso sempre vai existir, não tem jeito. Em algum momento, já se sentiu "conservadora" como mãe?
Para os filhos, sempre tem algum momento que vamos ser. Hoje mesmo fui à escola conversar sobre uma situação do meu filho e a psicóloga falou: “Ele disse que você é muito antenada com as coisas na internet”. Eu achei ótimo (risos). Hoje, a gente tem uma vantagem que é ter diálogo. Acho que a minha geração pegou mais o castigo, era mais rígido. Hoje, a gente é mais maleável no sentido de chegar e conversar. Penso que quanto mais você se aproxima do seu filho, mais abertura você dá para o diálogo ser aberto. Com isso, a criança entende que a mãe e o pai estão ali sempre e vão estar em qualquer situação, seja de saúde, educação e até coisas erradas. Sempre falo isso muito para os meus filhos: “Se você fez alguma coisa errada, me conta a sua versão, porque quando eu chegar na outra, eu preciso saber se eu vou conseguir te defender”. A peça também fala disso. A mãe mostra para a filha que também foi uma mulher, teve um amante e tudo mais. É uma configuração da cabeça dos filhos achar que mãe e pai já nasceram mãe e pai, que não transam e não tiveram outras vidas.

O desejo de ser mãe sempre foi muito latente em você?
Começou aos 30 anos. Lembro que eu tive uma relação que o meu namorado queria muito ter filho e eu não queria, porque era mais jovem. A gente separou, aí com 30 anos eu fiquei com muitas questões. Eu tinha conquistado muitas coisas, já tinha feito grandes papéis na TV, financeiramente já estava mais estável, então eu falei: “É agora”. Achei que era muito fácil engravidar e aí entrou toda a minha saga da maternidade. Demorei cinco anos para engravidar. Acabei um relacionamento, comecei o outro e, mesmo com o pai dos meus filhos, a gente demorou muito. Coloquei um deadline, que era até os 35, para procurar uma clínica. Fiquei cinco anos tentando engravidar e não conseguia. Tem frustração, ansiedade e o médico falava que eu precisava relaxar e descansar. Eu parava, viajava e nada. Lembro que a primeira vez que eu fui ao médico, ele falou: “Vocês não têm nada”. Eu falei: “Como assim? A gente não engravida”. Ele falou: “Vocês são 20% dessa geração que deixa para eu ter filhos mais tarde e não consegue”. Então, foi uma grande conquista minha e uma grande realização na hora que realmente engravidei do meu primeiro filho.

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

Você fez tratamento?
Sim, superfalo para as pessoas irem atrás se é um sonho. Tentem quantas vezes forem necessárias, eu acho que a medicina está aí para nos ajudar. É incrível o processo inteiro e ver o médico tentando fazer as coisas darem certo. E aí o segundo filho veio naturalmente.

Foi no susto?
Foi totalmente no susto, porque, imagina, eu estava anos tentando engravidar e não conseguia, então pensei que não ia engravidar desse jeito [de forma natural]. O Gabriel tinha oito meses e eu já engravidei do Antônio, foi muito rápido e foi ótimo. Tive essa alegria de levar um susto, de comprar o exame, ver positivo, ir à farmácia e comprar outro exame. Quando fui fazer exame de sangue, a médica falou que poderia ser gêmeos, quase morri (risos). O Antônio é um presente. Ele é um menino muito especial. Foi perfeita toda a história, mas no meio do processo é muito difícil. É frustrante passar cinco anos tentando e não conseguindo. Fazer exames tinha virado uma rotina. Haja terapia para atender todo o processo.

“É frustrante passar cinco anos tentando engravidar e não conseguindo”

Você tem dois meninos. Qual o desafio de criar dois homens na sociedade de hoje?
É uma educação constante. É desde abrir a porta do carro a me ajudar como mãe. Sempre falo que sou mulher também e uso muitas brincadeiras para eles captarem isso. Tem que passar princípios de educação, respeito e ética. E não dá para falar uma vez. Você vai falar sempre, mas mais do que falar, é como você age. Qual é o seu exemplo? Se falo com todo mundo, eles vão ver que a mãe fala com todo mundo. Outro dia passamos pelo porteiro e falei “volta e dá boa tarde”. Em qual lugar que o porteiro deixou de ser uma pessoa para você não cumprimentar? São esses pequenos detalhes. Outro grande desafio é você ter a tecnologia junto. Você tem que dar o acesso, mas tem que ser um acesso controlado, com timer. A gente tem que se policiar também para não ficar o tempo todo no telefone quando está com eles.

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

Tem alguma regra que criou para evitar isso?
Na hora do jantar, não pode nenhum tipo de celular na mesa. Esses dias também eu ganhei um livro muito legal que chama 100 Perguntas Pra Você Fazer Entre Pais e Filhos. Eu comecei a fazer duas perguntas por jantar. Assim, você abre um leque, levanta uma discussão e vai descobrindo coisas. Um dia, uma pergunta era sobre o maior medo deles. Um dos meus filhos respondeu: “Eu não consegui ser alguém”. Eu falei: “Mas como assim? O que é isso para você?”. E deixei ele falar e acessar as emoções. A criança tem que saber nomear o que está sentindo, porque a gente vem de uma geração que era tudo muito duro. Meus filhos estão entrando na adolescência, então a gente está lidando com coisas novas também.

Como o pai deles te ajuda nesses desafios de criação?
O pai deles é super presente, então a gente tem uma relação muito boa. A gente troca o que está acontecendo. Antes, era tudo encargo da mãe, mas hoje os pais têm um lugar de muita importância dentro de uma educação. Não é porque não estamos juntos que não somos uma família. Somos uma família. Eles eram muito pequenininhos [quando a gente se separou], acho que eles nem têm essa lembrança. É muito legal, porque acho que a gente assumiu os nossos melhores papéis como mãe e pai dessas crianças, sabe? É bonito de olhar e falar que essa é a relação certa [que temos que ter] e que a gente vai sempre estar aqui para eles.

Não é porque não estamos juntos que não somos uma família. Somos uma família”
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

Como você disse, hoje existe mais diálogo. Recentemente, você contou em uma entrevista que um dos seus filhos perguntou se era verdade que você tinha posado nua e você aproveitou para conversar sobre o assunto. Como foi?
Sim, exatamente. A gente aproveita as deixas para comentar. Eles não têm a referência do que foi a Playboy. Falei que também fiz um filme no qual ficava nua e contei a história, até para eles aceitarem essa coisa do corpo nu e o empréstimo que o artista faz do seu corpo. Teve um dia também que surgiu uma questão de um uniforme rosa. Eles me contaram que alguém riu de um uniforme de futebol rosa e eu questionei: “O que é que tem um uniforme ser rosa?”. A gente entrou nessa questão e falei para eles olharem meus amigos, a maioria são gays. O que as pessoas são ou fazem pertence a elas, não à gente. Cabe a nós respeitar. Tem que normalizar as situações. Se o cara falou [do uniforme], imagina o que não passa na cabeça dele. Os pais têm que aproveitar, porque quando os filhos trazem qualquer questão, já tem muitas muitas outras questões por trás. Estou na fase de falar de sexualidade para eles entenderem que uma relação não está ligada à pornografia. Só que é um papo difícil.

Você está em cartaz em São Paulo e gravando novela no Rio. Como é conciliar teatro, TV, maternidade e de você como mulher?
Brinco que venho para São Paulo trabalhar para dar uma descansada (risos). Uma mãe tem tanta função. Mesmo meus filhos tendo um pai participativo, tem um peso na vida da mãe, é a roupa que tem que escolher, o trabalho da escola que tem que fazer… Ontem à noite tinha que comprar leite em pó, porque meu filho estava participando de uma olimpíada, aí uma mãe foi ao mercado e tive que pedir para comprar para mim. Tenho uma rede de apoio. É muito importante que a minha geração não tenha vergonha de pedir. Meus familiares não moram próximos, mas tenho pessoas que me ajudam. Temos que pedir ajuda, porque acumulam coisas. E acho que toda mãe tem que tirar uma hora para ela no dia para fazer qualquer coisa. Pode respirar, fazer uma massagem, fazer uma unha, ligar para uma amiga, se trancar no banheiro e tomar um banho de uma hora. A partir do momento que você se cuida, o seu filho percebe que você está se cuidando e que consegue dar o melhor para ele. No começo do ano, me deu vontade de começar a dançar. Tem uma escola ao lado da escola, fomos em três mães e, hoje, tem 20 num grupo de jazz às 7h30 da manhã. É tão legal, a gente sai renovada.

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

E como é a questão da distância?
Acho muito legal poder mostrar para os meus filhos que, por mais que eu não esteja presente, faço uma coisa que eu amo muito e que isso me dá um grande prazer. Claro que quando tem uma dificuldade, penso: “Ai, meu Deus, estão sentindo minha falta, preciso estar um pouco presente”. Isso dá uma balançada, é normal, mas temos muito diálogo e a tecnologia ajuda, porque hoje dá para fazer videochamada.

Vi em um podcast você falando que já propôs um relacionamento aberto para um pretendente. Queria entender se realmente você viveria uma relação aberta.
Essa pessoa morava em São Paulo e eu morava no Rio. Eu pensava: “Como vai ser essa relação?”. Antes de entrar na coisa da traição, eu falei: “Vai ser uma relação aberta?”. Ele: “Não! Como assim?”. Eu disse que a gente tinha que entender, porque senão vira uma coisa meio hipócrita. As pessoas falam “ai, não, minha relação é fechada”, mas vive traindo e vive fazendo coisas erradas. Precisa disso? Hoje, se eu entro dentro de uma relação com 48 anos, não vou querer ficar traindo a pessoa. Eu parto desse princípio, entendeu? Se eu estava solteira e tinha liberdade, então como é que vai ser isso? A questão da exposição dentro de uma relação às vezes se faz desnecessária, não cabe mais. Nessa situação, foi isso o que aconteceu. A pessoa falou que não, a gente ficou um tempo e tudo certo.

“Hoje, se eu entro dentro de uma relação com 48 anos, não vou querer ficar traindo a pessoa”

Mas se alguém quiser uma relação aberta, não tem problema para você?
Acho que toda relação tem que ser conversada, ter combinados e regras também. Tenho muitos amigos gays que têm relações abertas e estão bem. É um aprendizado. Tenho um casal de amigos gays que eles são tão presentes na minha vida que já brinquei dizendo que me sinto num trisal, mas estou em desvantagem porque não tenho sexo (risos).

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

Como está sua vida amorosa atualmente?
Esse ano, não aconteceu nada e não namorei nada. Fiquei tão envolvida com o trabalho, escola, novela, peça, que não parei para falar “nossa, eu preciso ter alguém”. É meio estranho falar “eu me basto”, mas hoje a mulher encontra uma força grande nas amizades, no trabalho, na independência financeira. Os mais jovens são de fato uma nova geração. Primeiro que eles são mais fluidos, não é uma questão como era na nossa época gostar de homem ou mulher. Parece que eles gostam mais do diálogo do que realmente da relação sexual.

“Sou uma mulher, que trabalha, que se banca, que cuida e educa os meus filhos, e está tudo bem”

E como você se vê nesse cenário?
Fico feliz quando leio matérias onde eu sinto uma identificação com mulheres que fazem a vida delas, que trabalham, que não dependem de um homem, que são independentes e que gostam do que fazem. É legal, você entende? Eu estou nesse lugar, mas peguei um pouco [de como era] lá trás. Eu fui uma garota feita para casar e ter um bom casamento, tanto que eu me casei muito jovem e logo depois eu me separei. Eu me satisfaço com meu trabalho e com meus filhos, que estão em uma fase que precisam muito de mim, então não saio em busca. Se rolar, rolou, mas não tem essa necessidade. Parece que a mulher sem um cara não aconteceu. Não! Aquele conto de fadas não existe mais. É nesse lugar que me vejo. Sou uma mulher que trabalha, que se banca, que cuida e educa os meus filhos, e está tudo bem.

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

Como é estar em um projeto como a novela Por Você, que também fala de maternidade e outros temas tão relevantes?
Quando li os 30 primeiros capítulos, vi que seria uma novela linda e uma homenagem ao Manoel Carlos. Acho que até minha escalação [é uma homenagem], por eu ter feito três novelas do Maneco e isso estar no imaginário do público. Está sendo muito legal fazer a Margô, porque vou para o lado mais social da novela, mostrando a vida de um professor numa escola pública. Vai desenvolver bastante a história, ela vai sofrer uma agressão de um dos alunos, então é um retrato do que está acontecendo na nossa sociedade. Ela tem uma trajetória bem bonita, estou curtindo bastante, e o Amaury [Lorenzo] é um querido, um doce de companheiro. A gente ri e brinca o tempo todo.

Será que os personagens de vocês vão formar um casal?
Cenas dos próximos capítulos (risos). O que posso adiantar é que em outubro vamos falar sobre câncer, porque talvez ela tenha. A ideia é conscientizar as mulheres. Ela terá um nódulo e vamos falar sobre a importância do autoexame. É gostoso voltar [para as novelas]. Consigo circular nas três mídias, mas acho que televisão é o lugar que eu mais fiz e que me sinto mais à vontade.

Falando no Manoel Carlos, você viveu a Doris, uma personagem marcante porque agredia os avós. Você chegou a ser hostilizada na rua por isso. Como é ter uma personagem tão marcante na carreira? Até hoje as pessoas têm uma lembrança muito viva da personagem. Se você falar Regiane Alves e ninguém lembrar, é só você falar “é a Doris”, que na hora identificam. Como atriz, eu acho tão incrível ter uma personagem que você é lembrada e que ficou eternizada na memória das pessoas. É raro. Quantos atores fazem várias novelas e não têm um personagem assim? A Doris trouxe muita coisa boa para mim.

Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News
Regiane Alves — Foto: Andy Santana/Brazil News

Seu filho mais velho está fazendo teatro, você acha que ele quer mesmo ser ator?
Ele tem muito talento, mas apoio ele a fazer teatro, porque o teatro vai servir para qualquer coisa que ele escolha fazer futuramente na vida. Ele desenvolve o trabalho em equipe, trabalha a timidez e o falar em público. Acho que vai ser bom para ele, mas o que ele escolher fazer, desde que ele seja feliz, está tudo certo. Meu outro filho foi pro futebol, é um atleta. É bonito ver eles caminhando e trilhando caminhozinho deles, mas muita coisa vai acontecer ainda, eles são muito jovens.

Você já está com a peça, a novela e vi que lançou um livro infantil. Quais os próximos planos?
Eu estive na Bienal, inclusive. Esse último livro que lancei chama Meu Mundo é Uma Bola, fiz inspirada em fatos reais. Escrevi junto com a Liliane Mesquita, que é uma pedagoga. Já Uma Ilha Fora do Mapa será relançado, esse fiz na pandemia. Desse livro, saiu um musical infantil, que vai voltar em cartaz, e fiquei muito feliz. É uma delícia escrever para esse universo infantil. Também vai lançar o filme As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, que faço a mãe da personagem da Giulia Be. É lindo esse roteiro. E tem o filme Cartas para Deus, mas ainda não sei quando vai estrear. A peça Querida Mamãe fica em cartaz até outubro, quem sabe depois da novela não fazemos uma turnê.

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