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Wednesday, October 14, 2026

Keiko anuncia veto a cabelo comprido em meninos e maquiagem em meninas nas escolas do Peru

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A presidente do Peru, Keiko Fujimori, começou nas escolas a política linha-dura prometida na sua campanha eleitoral. A filha do ditador Alberto Fujimori (1990–2000) anunciou na segunda-feira (12) que, entre outras medidas, meninos serão proibidos de usar cabelo comprido no sistema educacional público.

"Os garotos devem vir de cabelo curto. É totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem", afirmou durante um ato oficial em um colégio de Chaclacayo, a cerca de 30 km de Lima. O veto inclui também unhas pintadas e celulares. "A ordem não deve existir apenas nas ruas. Também precisa retornar às nossas escolas, às nossas salas de aula."

Keiko anunciou ainda a volta das chamadas "notas de conduta", que avaliavam questões como a pontualidade e o comportamento dos alunos e haviam sido abolidas em 2019, e as expulsões. "Os mais malcriados não estarão nas salas de aula", disse a presidente.

Há poucos detalhes por enquanto, uma vez que as regras ainda não foram estabelecidas oficialmente. O Ministério da Educação publicou uma resolução que convida a sociedade peruana a opinar sobre as novas normas em um prazo de 15 dias.

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A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

Mas o chefe da pasta, José Antonio Chang, antecipou alguns dos planos no evento em Chaclacayo. "Maquiagem, esmalte e cabelos excessivamente longos ou tingidos não serão permitidos. Também teremos que garantir que as saias escolares tenham um comprimento apropriado", afirmou o ministro.

As regras valerão para os 6,7 milhões de estudantes dos colégios públicos —72% do total de alunos de educação básica no Peru. Os 2,6 milhões de crianças e adolescentes que estudam na rede privada, normalmente vindos de famílias com maior poder aquisitivo, seguirão as regras da unidade na qual estão matriculados.

De acordo com o ministro, além das regras anunciadas por Keiko, as escolas peruanas vão restabelecer a possibilidade de expulsão em casos de faltas graves, que vão desde agressões físicas até uso indevido do celular. Os estudantes permanentemente afastados continuariam seus estudos por uma modalidade híbrida, com ensino virtual e atendimento presencial.

"Sei que pode parecer bastante rigoroso, mas acreditem, isso será importante para toda a vida", afirmou Keiko no ato. "Todos esses critérios estabelecerão disciplina", continuou, enfatizando cada sílaba da última palavra.

Como esperado, o plano atraiu críticas assim que foi anunciado. "Agora a educação é medida pelo comprimento do cabelo, pela maquiagem ou pelas unhas pintadas?", afirmou, por exemplo, a senadora Ruth Luque, de esquerda e opositora de Keiko.

Além de criticar a imposição de regras apenas para escolas públicas, Luque defendeu mais investimento na rede de ensino. "A autoridade docente é indispensável, mas não se constrói confundindo a aparência pessoal com a conduta, nem impondo estereótipos sobre como meninos e meninas devem se apresentar", afirmou.

A medida lembra a adotada em El Salvador, país que Nayib Bukele governa com um estado de exceção há quatro anos e meio. Desde agosto do ano passado, diretores de escolas salvadorenhas devem, sob risco de serem punidos por uma "falta grave", receber diretamente os alunos para conferir se estão com uniforme "limpo e ordenado" e "corte de cabelo apropriado" —moicanos, por exemplo, estão proibidos.

"Para construir o El Salvador com o qual sonhamos, está claro que devemos transformar completamente o nosso sistema educacional", afirmou o presidente na ocasião ao compartilhar no X o anúncio de sua ministra da Educação, uma médica e major das Forças Armadas do país.

Keiko tem uma visita a Bukele programada para o final de outubro. O salvadorenho foi citado ao longo da campanha eleitoral como uma inspiração para o combate à criminalidade no Peru, que vive uma explosão no número de extorsões e aumento da taxa de homicídios. Assim como outros líderes de direita da América Latina, ela deve sair com uma fotografia no Cecot (Centro de Confinamento do Terrorismo), prisão a cerca de 80 km de San Salvador que enfrenta uma série de denúncias de tortura.

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