Afegãs relatam tortura e estupro sob regime do Talibã

Zahra, dentista que vive na Alemanha, diz ter sido presa em fevereiro de 2022 depois de criticar a ideologia do Talibã. Ela relata ter sido torturada durante a detenção: "Senti minha caixa torácica entrar nos pulmões. Nunca vou esquecer. Eu não conseguia respirar, mas as agressões continuavam".
Fariha afirma que homens armados a levaram a uma casa, onde foi espancada, chicoteada e estuprada por dois homens. Ela foi detida após se recusar a deixar o trabalho na área da saúde e a assistência a outras mulheres, de acordo com seu relato.
Restrições atingem estudo, trabalho e saúde
Meninas no Afeganistão só podem frequentar a escola até o sexto ano, ou até os 12 anos de idade. Muitas famílias passaram a matricular as filhas em madrassas, escolas religiosas, que se tornaram uma das poucas formas de elas saírem de casa.
As restrições à formação de mulheres na saúde afetam também o atendimento a pacientes. Autoridades em Kandahar teriam orientado dentistas homens a não atender mulheres e recomendado que clínicas contratassem dentistas mulheres, apesar das limitações impostas à formação delas.
A taxa de mortalidade materna no país chegou a 638 mortes a cada 100 mil nascidos vivos em 2024, estima a ONU Mulheres (UN Women). A Organização das Nações Unidas (ONU) também aponta que três em cada quatro pessoas no Afeganistão não conseguem atender às necessidades básicas.
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