STET abre centro em Beja para formar operadores de máquinas

Representante e vendedora exclusiva da Caterpillar em Portugal, a STET – Sociedade Técnica de Equipamentos e Tractores inaugurou esta sexta-feira em Beja um centro de capacitação para a formação de operadores de máquinas, quando se antecipa um volume maior de investimentos nomeadamente nas infraestruturas.
Portugal não tem mão de obra técnica especializada em número suficiente e em capacidade técnica necessária para acudir a todas as necessidades e, por isso, a STET avançou com um investimento de seis milhões de euros neste centro de formação que pretende ensinar não apenas a operar equipamentos, mas também a fazê-lo de forma mais eficaz.
“Este centro está focado em duas vertentes: uma a de formar operadores de equipamentos, mas também formar técnicos preparados para as manutenções a todo o nosso setor” e “o interior do país, e o Alentejo em particular, tem um potencial gigante, porque tem muita gente e poucas oportunidades. E onde há muita gente e poucas oportunidades há um capital humano à espera de receber oportunidades para se desenvolver”, salienta ao Observador Tiago Isidoro, diretor-geral da STET, empresa que está a comemorar os 65 anos.
Mas há mais. A STET quer que neste centro de capacitação se realizem demonstrações de equipamentos e tecnologia e até aconteçam iniciativas dirigidas a clientes, parceiros, escolas e outras entidades de ensino. E embora seja priorizada a formação em equipamentos vendidos ou alugados pela STET, Tiago Isidoro admite que o centro é agnóstico em termos de marcas, o mesmo é dizer que pode formar técnicos de outros equipamentos para os seus clientes. “A STET foi e continua a ser parceira dos clientes em todas as dimensões que tenham. Nós não vendemos ou assistimos só equipamentos, se a maior necessidade dos nossos clientes ou dos nossos parceiros neste momento é ter técnicos capacitados para operar, nós damos um salto em frente. Avançámos e criámos um centro que possa desenvolver as competências para esses técnicos, para operadores de equipamentos industriais”. Ou seja, “o centro é um sistema aberto”.
“Se algum operador quer avançar, mas tem máquinas da concorrência, mas é uma empresa do setor industrial português que está a querer avançar, e para mim avançar implica formar, capacitar, que aborde a STET pela necessidade de formar os seus operadores, se houver disponibilidade pode recorrer a este centro de formação”, garante Tiago Isidoro, admitindo, no entanto, que o centro ainda não começou em pleno e já está com a capacidade ocupada. Acredita que também esses operadores ficarão mais perto da STET. “Mas temos de ter essa elevação”, assume o gestor, da empresa que não opera as máquinas que vende mas que acaba por também ter necessidade de técnicos para manutenção e apoio. Neste momento a STET tem cerca de 270 pessoas e fatura cerca de 120 milhões de euros.
O centro de competência, conta o mesmo responsável, tem várias valências, formação em sala, em simulador e no terreno. O simulador, como se fosse uma consola de jogos, permite formar em vários tipos de equipamentos, é personalizável e tem a vantagem de atrair jovens. Além disso, permite por exemplo simular acidentes para que também a componente de segurança, uma das prioridades, seja capacitada. Aliás, a STET orgulha-se de estar a chegar a um marco de 365 dias sem acidentes laborais na empresa. E por fim o simulador recolhe dados que podem ser trabalhados para que se adaptem as operações de forma mais eficiente.
Os programas de formação são desenvolvidos também em função das necessidades e adaptados. “Há uma avaliação de competências de cada técnico, de cada empresa, cada caso é um caso, e achamos que é assim que deve ser tratada a formação, não ser massificada, estandardizada, porque senão não conseguimos focar em eficiência”. Criando cerca de 30 postos de trabalho, terá capacidade para cerca de 500 formandos por ano e mais de 10 mil horas de formação.
Tiago Isidoro acrescenta que também nesta área industrial há falta de técnicos especializados, o que muitas vezes leva a que estejam máquinas paradas sem um operador capacitado. E embora os custos de formação tenham de ser pagos, a STET garante que não quer fazer deste centro um negócio. “É mais uma adição de valor que nós geramos à indústria”. O centro é criado em Beja sem apoios públicos, exceto algum benefício fiscal que a empresa consiga incluir na sua contabilidade. “Tivemos um investimento alargado, são cerca de 6 milhões de euros, acredito que temos alguns incentivos fiscais, mas o nosso foco não foi a busca de apoio público, porque acreditamos que a economia pode ser feita com empreendedorismo focado”.
A STET é representante e vendedora exclusiva em Portugal de máquinas Caterpillar, mas tem outras marcas no seu portefólio. Com as suas máquinas, opera no setor de infraestruturas, ou seja, terraplanagem, movimentações, no setor da construção, nas pedreiras, nas minas, na floresta, na agricultura, na reciclagem, no setor industrial. “Quase que sentimos, por via dos equipamentos, que estamos na base de toda a economia. Tudo o que se movimenta ou constrói, ou no fim da linha se recicla terá potencialmente um equipamento nosso”. Além dos equipamentos a empresa está ainda no setor marítimo e na energia de suporte, o mesmo é dizer nos geradores.
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