PL tentou 'candidatura paralela' no Republicanos para rifar Motta da Câmara

Nos bastidores, então, travou-se uma estratégia para tentar convencer o próprio Republicanos a rifar um dos seus principais quadros. Nas conversas, foram apontados dois nomes como possíveis sucessores de Motta que teriam o endosso do PL: os deputados Marcos Pereira (SP), que comanda o partido, e Pedro Lupion (PR), uma das principais lideranças do agro no Congresso Nacional.
Os dois chegaram a ouvir a proposta diretamente de aliados de Flávio, mas não toparam a empreitada. Conforme relatos, os deputados afirmaram que a medida seria uma "traição", além de um esforço do PL de "jogá-los na fogueira" contra Motta. Tanto Lupion quanto Pereira, por outro lado, vislumbravam ocupar ministérios em um eventual governo Flávio.
O movimento chegou aos ouvidos de Motta, que imediatamente reagiu. Como mostrou a coluna, o presidente da Câmara desenhou uma estratégia para isolar o PL na Câmara, reunindo de maneira antecipada um blocão formado por partidos do centrão e da esquerda. A três meses da disputa, Motta já angariou o apoio de 13 legendas, o que soma mais de 300 deputados e pavimenta um caminho fácil para a reeleição.
PL isolado e sem espaço
O movimento de Motta coloca em xeque a representatividade do PL na Câmara a partir do ano que vem. Apesar de ter eleito a maior bancada, com 121 deputados, o partido pode acabar sem espaços prioritários. Isso porque as comissões e a composição da Mesa Diretora são divididas proporcionalmente conforme o tamanho das legendas - e, no caso de blocos, eles são considerados um único partido.
Assim, caso não embarque na candidatura de Motta, o PL ficará no fim da fila de preferência na lista de divisões, restando à legenda cargos menores. Hoje, o partido mira ocupar importantes comissões, como a de Constituição e Justiça e a de Relações Exteriores.
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