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Monday, October 12, 2026

Quase 50% das jogadoras de futebol cogitam encerrar carreira antes do planejado, diz relatório

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RESUMO +

Quase metade das jogadoras profissionais de futebol feminino considera encerrar a carreira antes do planejado, segundo relatório da Fifpro divulgado em 2026. Entre as atletas que cogitam abandonar o esporte, 59% apontam dificuldades financeiras e 46% citam desgaste psicológico. O estudo, realizado com cerca de 800 jogadoras, também revela desigualdade salarial, contratos instáveis e falta de suporte à saúde mental.

Quase metade das jogadoras de futebol profissional cogita encerrar a carreira antes do planejado, segundo um relatório divulgado pela Federação Internacional de Associações de Jogadores Profissionais (Fifpro). De acordo com o estudo, dificuldades financeiras e problemas relacionados à saúde mental aparecem entre os principais fatores que levam atletas a considerar deixar o esporte precocemente.

O levantamento, intitulado Working Conditions in Women's Football 2026 (Condições de Trabalho no Futebol Feminino), é apontado pela entidade como a análise mais abrangente sobre as condições de trabalho no futebol feminino na última década. Cerca de 800 jogadoras de diferentes países participaram da pesquisa.

Entre as atletas entrevistadas, 49% afirmaram que pensam em abandonar a modalidade antes do previsto. Dentro desse grupo, 59% citaram questões financeiras como principal motivo, enquanto 46% apontaram o desgaste psicológico.

Os dados também revelam preocupações com a saúde mental. Segundo o relatório, 57% das jogadoras relataram enfrentar dificuldades nessa área, e metade delas afirmou não ter recebido qualquer tipo de suporte psicológico por parte de seus clubes.

A pesquisa destaca que, apesar da expansão do futebol feminino e do aumento das receitas geradas pela modalidade, muitas atletas ainda convivem com salários reduzidos, vínculos contratuais considerados instáveis e deficiência no acesso a serviços de saúde.

"O futebol feminino avançou muito", afirmou Alex Culvin, diretora de futebol feminino da Fifpro. A dirigente, porém, ressaltou que a grande maioria das atletas ainda enfrenta obstáculos para alcançar condições adequadas de trabalho e desenvolvimento profissional.

Salários

Embora os salários médios mensais ajustados pela inflação tenham triplicado desde o último estudo global da entidade, realizado em 2017, atingindo US$ 2.601 (cerca de R$ 13 mil), a mediana salarial permanece significativamente menor, em US$ 1.669 (aproximadamente R$ 8,4 mil). Para a Fifpro, o cenário demonstra que o crescimento do setor tem ocorrido de forma desigual.

Em parte dos países do leste europeu analisados, os vencimentos médios ainda ficam abaixo do salário mínimo nacional. Já em regiões como Europa Ocidental e Ásia/Oceania, onde estão alguns dos principais mercados da modalidade, os salários também não apresentam diferença expressiva em relação ao piso nacional.

O estudo aponta ainda avanços em alguns aspectos. A duração média dos contratos passou de 12 meses, em 2017, para 19 meses em 2026. Além disso, a presença de agentes esportivos representando atletas cresceu de 14% para 41% no período.

Apesar das melhorias, Alex Culvin afirmou que a precariedade continua sendo um tema recorrente no futebol feminino, tanto em relação à remuneração quanto às condições oferecidas para que as jogadoras possam exercer a profissão em ambiente adequado.

Outro dado apresentado no relatório mostra que 56% das atletas possuem contrato formal de trabalho, 13% recebem algum tipo de pensão do clube e 47% consideram que suas equipes não contam com funcionários suficientes para atender às demandas do futebol profissional.

Diante desse cenário, a Fifpro defende a criação de padrões mínimos obrigatórios nos contratos nacionais, incluindo garantias relacionadas a salários, infraestrutura, equipes multidisciplinares e assistência médica. Atualmente, apenas oito das 30 ligas femininas analisadas possuem acordos coletivos firmados entre clubes e sindicatos de jogadoras.

A entidade também reforça a necessidade de tornar obrigatório o suporte psicológico às atletas. Já na questão da maternidade, o relatório aponta avanços importantes. Desde a implementação dos padrões mínimos globais de proteção à maternidade pela Fifa, em 2021, o percentual de jogadoras que pensam em deixar o futebol para formar uma família caiu de 47% para 19%.

Perguntas frequentes

Quantas jogadoras de futebol feminino pensam em abandonar a carreira? +

Segundo o relatório Working Conditions in Women's Football 2026, da Fifpro, 49% das jogadoras profissionais entrevistadas consideram encerrar a carreira antes do planejado. A pesquisa ouviu cerca de 800 atletas de diferentes países.

Por que jogadoras de futebol feminino pensam em deixar o esporte? +

Entre as atletas que consideram abandonar o futebol profissional, 59% apontam dificuldades financeiras como principal motivo, enquanto 46% mencionam desgaste psicológico. Salários baixos, contratos instáveis e falta de assistência também aparecem entre os problemas identificados pela Fifpro.

Qual é o salário médio das jogadoras de futebol feminino? +

Segundo a Fifpro, o salário médio mensal das jogadoras profissionais chegou a US$ 2.601, aproximadamente R$ 13 mil, em 2026. Já a mediana salarial é de US$ 1.669, cerca de R$ 8,4 mil, o que evidencia diferenças na distribuição dos rendimentos entre as atletas.

Como está a saúde mental das jogadoras de futebol feminino? +

O relatório da Fifpro aponta que 57% das jogadoras entrevistadas enfrentam dificuldades relacionadas à saúde mental. Entre essas atletas, metade afirmou não receber suporte psicológico de seus clubes, apesar das exigências emocionais e profissionais da modalidade.

As condições de trabalho no futebol feminino melhoraram? +

Sim, houve avanços em alguns indicadores. Entre 2017 e 2026, a duração média dos contratos passou de 12 para 19 meses, enquanto a proporção de atletas representadas por agentes esportivos cresceu de 14% para 41%. Apesar disso, a Fifpro aponta a permanência de problemas salariais e estruturais.

Como a maternidade influencia a carreira das jogadoras de futebol? +

Segundo a Fifpro, o percentual de jogadoras que consideram deixar o futebol para formar uma família caiu de 47% para 19%. O avanço ocorreu após a implementação dos padrões mínimos globais de proteção à maternidade pela Fifa, em 2021.

O que a Fifpro propõe para melhorar o futebol feminino? +

A Fifpro defende padrões mínimos obrigatórios de trabalho, incluindo garantias salariais, contratos adequados, infraestrutura, assistência médica e suporte psicológico. Atualmente, apenas oito das 30 ligas femininas analisadas possuem acordos coletivos entre clubes e sindicatos de jogadoras.

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