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Friday, October 23, 2026

Centro de simulação clínica prepara alunos para emergências

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A Escola Superior de Saúde de Leiria (ESSLei) reforçou o Centro de Simulação em Saúde (C2S) com novos equipamentos, o que permite treinar os estudantes em cenários clínicos com simulação de alta fidelidade e imersiva.

Instalado no Centro de Inovação em Tecnologias e Cuidados de Saúde (ciTechCare) da Universidade de Leiria e Oeste, o C2S já existia, mas a sua requalificação, com a aquisição de novos equipamentos, permite agora recriar cenários clínicos para treinar competências no cuidado ao doente crítico.

O coordenador do C2S, Hugo Duarte, destacou à agência Lusa que esta é uma mais-valia na aprendizagem dos alunos dos vários cursos da ESSLei, pois “vai treiná-los para situações de urgência e emergência, numa fase anterior aos estágios”.

Segundo referiu, “os estudantes podem desenvolver as suas competências técnicas e não técnicas no C2S, potenciando, por exemplo, nos estudantes de Enfermagem, competências para o contexto de urgência e de cuidados intensivos”.

“A ideia é prepará-los para contextos ‘padrão’ que poderão encontrar na sua prática”, acrescentou o também subdiretor da ESSLei.

Durante uma das aulas práticas do 4.º ano de Enfermagem que a agência Lusa acompanhou ouve-se “Stayin’ Alive”, música dos Bee Gees que está provada cientificamente ter o ritmo ideal para as compressões cardíacas.

Debruçados sobre um manequim-simulador, alguns estudantes procuram reverter uma situação de paragem cardiorrespiratória. A música ajuda-os a ter o ritmo certo nas manobras executadas, confessaram no final.

Os sinais vitais apresentados nos monitores, tal como num hospital, vão indicando a resposta do “doente”: “O manequim pode emitir sons que reproduzem o vómito, a tosse, um grito e até responder a perguntas simples”, revelou Hugo Duarte, que referiu que todo o cenário desafia os alunos a tomar decisões, “potenciando o seu pensamento crítico e raciocínio clínico”.

Em determinadas situações pode ser necessário “desfibrilhar, para voltar a pôr o coração a funcionar, administrar medicação ou ventilar com recurso a um insuflador ou ventilador mecânico”, exemplificou, notando que o contexto se pode ir alterando conforme as informações que o docente dá ao simulador.

O C2S está equipado com monitores desfibrilhadores, monitores multiparâmetros, bombas infusoras, seringas infusoras, um ecógrafo, um ventilador, um videolaringoscópio, entre outros, que contribuem para exercitar a atuação face a problemas cardíacos ou pulmonares.

Além das manobras de reanimação, os estudantes podem treinar a administração de terapêutica, a intubação endotraqueal e a utilização de equipamentos semelhantes aos encontrados nas instituições de saúde.

Hugo Duarte notou que as competências técnicas não são o único foco da preparação dos alunos para a sua profissão: “Para ser um profissional de excelência, não basta apenas saber fazer a técnica. É preciso ter uma boa comunicação em equipa, saber liderar em determinado cenário, gerir a ansiedade e potenciar o pensamento crítico para a sua tomada de decisão”.

O espaço está equipado ainda com colunas, som e câmaras de vídeo 360º, que permitem gravar as práticas dos estudantes para um “debriefing a posteriori dos cenários desenvolvidos”.

A aquisição dos novos equipamentos, num investimento de cerca de 65 mil euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, não serve apenas os estudantes. O C2S está acreditado como centro formativo do Instituto Nacional de Emergência Médica para o curso de suporte básico de vida com desfibrilhação automática externa.

Paralelamente, está a ser desenvolvido um projeto de investigação em parceria com a Unidade Local de Saúde da Região de Leiria.

“Vamos colocar simuladores de alta fidelidade na sala de emergência do Serviço de Urgência Geral do hospital, criando um ambiente de simulação in situ para treinar competências técnicas e não técnicas nos profissionais de saúde”.

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