O músico que Paul McCartney tem vergonha de chamar para parceria

Apesar de décadas de amizade e admiração mútua, Macca confessa nervosismo ao pensar em propor uma colaboração a um artista que influenciou os Beatles
Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)
Seria natural que Paul McCartney, integrante dos Beatles, banda mais famosa de todos os tempos, não tivesse motivos para se intimidar diante de ninguém no meio artístico. No entanto, existe um ícone da música que consegue deixar até mesmo Macca desconcertado ao ponto de não ter coragem de fazer uma simples ligação para convidá-lo a trabalhar em parceria.
Essa figura é Bob Dylan. Em participação no podcast Good Hang (via Music Radar), da apresentadora Amy Poehler, McCartney revelou que o mestre do folk é o artista com quem mais gostaria de colaborar no momento. O problema? O receio de dar o primeiro passo.
Paul explicou:
“Eu sempre penso no Bob Dylan. Mas fico muito nervoso só de pensar em ligar para ele.”

A apresentadora brincou dizendo que era difícil imaginar Dylan atendendo ao telefone, ao que McCartney respondeu bem-humorado que o compositor provavelmente estaria “em algum matagal, dentro de um saco de dormir”.
Paul McCartney e Bob Dylan
A hesitação não vem da falta de intimidade ou de respeito mútuo, mas sim do enigma que Bob Dylan representa até mesmo para Paul McCartney. O Beatle relembrou um encontro relativamente recente com Dylan durante o festival Desert Trip, em 2016.
Na ocasião, ambos estavam a sós em uma grande tenda nos bastidores quando Dylan soltou um elogio marcante: “Você é uma estrela”. A frase deixou Paul sem reação: “Foi um pouco embaraçoso… Pensei: ‘O que se responde a isso?’.”
A relação dos Beatles com o ícone folk
A ligação entre os Beatles e Bob Dylan é antiga e decisiva para a história da música pop. Foi no dia 28 de agosto de 1964, na suíte do Delmonico Hotel em Nova York, que os quatro garotos de Liverpool conheceram Dylan pessoalmente. Intermediado pelo jornalista Al Aronowitz, o encontro entrou para o folclore do rock porque foi nele que o cantor apresentou a maconha aos Fab Four.
A admiração mútua quase gerou uma colaboração em 1969. O produtor e engenheiro de som Glyn Johns contou em sua autobiografia, Sound Man (2014), que encontrou Dylan em um aeroporto e ouviu dele uma ideia ousada: gravar um álbum reunindo os Beatles e os Rolling Stones.
Johns entusiasmou-se com o projeto e consultou os integrantes dos dois grupos. George Harrison e Keith Richards amaram a proposta, Ringo Starr, Charlie Watts e Bill Wyman concordaram, e John Lennon não se opôs expressamente. Curiosamente, porém, o projeto esbarrou na recusa de um membro de cada grupo: Mick Jagger e o próprio Paul McCartney disseram “de forma alguma”, enterrando o projeto antes mesmo de começar.
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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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