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Wednesday, October 14, 2026

A impressionante descoberta do naufrágio mais antigo do mundo na costa da Turquia

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A fotografia foi tirada debaixo d'água e apresenta uma intensa tonalidade azul-esverdeada. Ao centro, observa-se uma grande rocha em formato de escudo, com dois orifícios ligeiramente afastados em uma extremidade e outro na extremidade oposta. Ela mede aproximadamente 1 metro de diâmetro. Trata-se de uma das três âncoras de embarcação encontradas no sítio arqueológico. Um pedaço de papel com a inscrição "KET 26 - 44" está fixado à âncora. Uma régua de medição vermelha e branca, utilizada por arqueólogos, repousa no fundo do mar, junto à extremidade que possui os dois orifícios. À direita da âncora de pedra e ligeiramente acima, onde o fundo do mar declina, um mergulhador a observa portando o que parece ser uma lanterna subaquática. À esquerda, veem-se algumas rochas planas parcialmente cobertas por areia.

Crédito, Hakan Öniz

Legenda da foto, Os mergulhadores encontraram três âncoras de pedra, parte dos itens de reserva que os navios levavam em viagens longas
    • Author, Alison Francis, Rebecca Morelle e Kevin Church
    • Role, BBC News
  • Published

  • Tempo de leitura: 6 min

O naufrágio mais antigo do mundo foi descoberto na costa da Turquia, segundo arqueólogos.

Eles dataram a estrutura entre 4,4 mil e 4,7 mil anos atrás, o que corresponde ao início da Idade do Bronze, e é aproximadamente a mesma época em que a Grande Pirâmide estava sendo construída.

A estrutura de madeira do navio não sobreviveu, mas os potes de cerâmica que ele transportava estavam no fundo do mar e, surpreendentemente, alguns ainda contêm vestígios do que guardavam em seu interior.

Os arqueólogos que encontraram o navio afirmam que ele tinha cerca de 10 metros de comprimento e era uma embarcação mercante que transportava carga pelo Mar Mediterrâneo.

"O naufrágio é uma cápsula do tempo no fundo do mar", disse o professor Hakan Öniz, da Universidade Akdeniz, na Turquia, que liderou a expedição da Associação de Arqueologia do Mediterrâneo.

Duas pessoas vestindo jalecos, luvas azuis e máscaras examinam algumas das ânforas recuperadas. Elas estão sentadas a uma mesa na parte de trás de um barco de mergulho, sob a sombra da cobertura. A pessoa à esquerda, com o cabelo preso, observa uma ânfora intacta. Com um bisturi, ela raspa suavemente a superfície perto do gargalo. Sobre a mesa, há outras quatro ânforas incompletas. Outra pessoa, sentada um pouco mais atrás e à esquerda, examina outro fragmento de cerâmica. Ao fundo, no convés do barco, veem-se seis caixas de plástico contendo mais fragmentos de cerâmica retirados do fundo do mar. As rochas da costa são visíveis logo atrás da popa, e parte de uma bandeira vermelha, presa a um mastro, aparece pendurada no canto superior direito

Crédito, Hakan Öniz

Legenda da foto, As ânforas foram recuperadas e levadas a bordo do navio onde a pesquisa está sendo realizada

Época da cerâmica

O naufrágio está próximo da costa da ilha de Kekova, em Antalya, na Turquia. Os artefatos estão espalhados por uma encosta subaquática, a apenas 30 metros abaixo da superfície.

Foram encontradas três grandes âncoras de pedra, bem como mais de 30 potes de armazenamento de cerâmica, chamados ânforas.

O fato de nenhum vestígio da madeira do navio ter permanecido impediu o uso de técnicas como a datação por radiocarbono – que mede uma forma de carbono em materiais orgânicos – para determinar sua idade.

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Em vez disso, os arqueólogos analisaram o formato das ânforas. Como os estilos de cerâmica mudaram ao longo do tempo, diferentes estilos estão associados a períodos específicos.

As cerâmicas de Kekova são distintas, com duas alças, uma saliência no meio e uma base plana.

Öniz afirmou que esse desenho coincidia com outras ânforas desenterradas no Egito e no Oriente Médio, que se sabia terem entre 4.400 e 4.700 anos.

"Comparando as técnicas de decoração... podemos afirmar com certeza que nosso naufrágio é do início da Idade do Bronze. Isso é 100% certo."

Uma visão aproximada de uma ânfora no laboratório do navio. A alça lateral do vaso está saliente à esquerda. Uma mulher de longos cabelos castanhos, vestindo um jaleco branco e uma máscara facial, trabalha na superfície da ânfora com uma pequena ferramenta elétrica. A ferramenta é branca, tem cerca de 10 cm de comprimento e uma luz na ponta; ela a segura com a mão direita e apoia a ânfora com a esquerda. A área que ela limpou cuidadosamente tem uma coloração marrom-alaranjada e alguns padrões pretos começam a se tornar visíveis. O restante da superfície do vaso está coberto por um depósito branco. A arqueóloga observa através de uma lupa acoplada a um braço mecânico, devido à precisão do trabalho que realiza. Ao fundo, vê-se a tela preta de um computador

Crédito, Hakan Öniz

Legenda da foto, Após milhares de anos submersos, os frágeis artefatos estão agora sendo cuidadosamente conservados

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Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil

Fim da Promoção Agregador de pesquisas

Mergulhadores da expedição trouxeram os vasos à superfície, onde agora estão sendo cuidadosamente conservados após tantos milhares de anos submersos.

A dra. Karin Sowada, arqueóloga da Universidade Macquarie, na Austrália, examinou as ânforas após sua recuperação. Algumas estavam intactas e ela ficou surpresa ao constatar que ainda continham um resíduo viscoso e brilhante.

"Olhei para dentro e quase desmaiei. Não conseguia acreditar na quantidade de resíduos visíveis. Não eram apenas manchas... muito desse material ainda estava lá", disse ela.

A equipe agora está trabalhando para descobrir exatamente o que era transportado nas ânforas.

"Pode ser azeite, pode ser vinho, podem ser resinas de árvores", disse Sowada.

"É possível que [o resíduo] seja, na verdade, resultado da reutilização dos frascos. Quer dizer, esses frascos são enormes – não são coisas que você simplesmente envia e nunca mais vê. As pessoas provavelmente esvaziaram esses frascos assim que chegaram e possivelmente os usaram por muitos e muitos anos."

O naufrágio e sua carga também estão lançando luz sobre o comércio no mundo antigo.

Os arqueólogos afirmam que o navio iniciou sua viagem em algum ponto da costa leste do Mediterrâneo.

Acredita-se que a embarcação transportava mercadorias para a antiga cidade de Troia, no que hoje é o noroeste da Turquia, ou para o povo minoico em Creta.

Um mergulhador, no canto superior esquerdo da imagem, trabalha debaixo d'água para descobrir uma ânfora. Ele veste uma roupa de mergulho preta com algumas inscrições brancas e uma faixa amarela. Usa óculos de proteção pretos. Um tubo longo, semelhante aos de aspiradores de pó, está sendo usado para remover a areia que cobria a carga do navio. Em primeiro plano e um pouco à direita, vê-se uma ânfora. Ela está quase toda coberta por uma espécie de crosta rochosa multicolorida e repousa sobre uma pequena saliência, mas algumas manchas da argila avermelhada são visíveis. Há um pedaço de papel com alguns números e letras escritos preso à ânfora. À direita e atrás, há uma pequena crista rochosa.

Crédito, Hakan Öniz

Legenda da foto, Os mergulhadores trabalharam debaixo d'água para escavar cuidadosamente os artefatos

Viajar pelo mar era extremamente perigoso, principalmente ao redor da ilha de Kekova, onde as fortes correntes e ventos já haviam afundado muitos navios.

Existem centenas de naufrágios na região, e a Associação de Arqueologia do Mediterrâneo é especializada em encontrá-los e estudá-los.

Öniz diz que, quando mergulha no naufrágio, seus primeiros pensamentos são sobre as vidas das pessoas que estavam ligadas àquela embarcação.

"Somos os primeiros humanos a tocar nesses objetos depois de 5 mil anos."

"Estamos sempre pensando nos marinheiros... nos produtores das ânforas e na pessoa que carregava a ânfora nos ombros até o navio, e nas mulheres que esperavam por seus maridos e que, infelizmente, não puderam voltar."

O navio naufragado pertence ao Ministério da Cultura da Turquia. O ministro Mehmet Nuri Ersoy afirmou que os artefatos recuperados serão expostos no novo Museu de Arqueologia Subaquática do Mediterrâneo, em Antalya, quando este for inaugurado nos próximos meses.

A foto foi tirada debaixo d'água e tem uma cor azul intensa. Ela mostra cinco mergulhadores começando a descer em direção ao naufrágio. Alguns estão mais perto da câmera do que outros. Um deles, à esquerda da foto, está bem próximo da câmera e é possível ver o rastro de bolhas subindo à superfície, provenientes de seu cilindro de ar. A sombra da extremidade do barco de mergulho pode ser vista no centro e no topo da foto. À esquerda, um grupo de quatro mergulhadores está retornando à superfície, vindos do naufrágio. Eles se seguram em uma boia enquanto aguardam nessa profundidade por um período específico, respirando oxigênio puro, para garantir que não sofram de doença descompressiva ao saírem da água.

Crédito, Hakan Öniz

Legenda da foto, A profundidade permitia que os mergulhadores explorassem o local por apenas 30 minutos de cada vez

A descoberta de Kekova agora encabeça a lista dos naufrágios mais antigos do mundo.

Anteriormente, o recordista era um naufrágio encontrado na costa de Dokos, uma ilha no sul da Grécia, que data de cerca de 4.200 anos atrás.

O naufrágio intacto mais antigo conhecido, onde a madeira ainda se conserva, foi encontrado no Mar Negro, ao largo da costa da Bulgária. Data de cerca de 2.400 anos atrás.

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