Famalicão x Sporting. "Havia penalty sobre Maxi."

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Está no ar mais um Sem Falta da Rádio Observador. Análise à arbitragem do jogo entre Famalicão e Sporting. Empate, uma bola, deslize do Sporting em casa dos famalicenses, num jogo com a arbitragem de um velho conhecido do nosso campeonato, Luís Godinho. Vamos à análise e aos lances deste encontro, Pedro Henriques.
Este é um jogo com muitos casos, obviamente. E começo pelo primeiro, que é realmente o maior erro do jogo, na minha perspectiva, que é um pênalti que fica por assinalar a favor do Sporting. O Rodrigo Pinheiro, já no interior da área, dá dois toques. Também dá no gémeo com a outra perna, com a perna esquerda, mas aquilo que é impactante são os dois toques com o pé direito, Rodrigo Pinheiro, que faz ali um "gentake", já no chão, no tornozelo direito de Max Luz. E há mesmo causa e efeito, ou seja, são aqueles toques, e sobretudo o segundo, que rasteira o adversário, que derruba e faz com que o defesa, neste caso o jogador do Sporting, tenha caído. Posso entender sempre, em relação ao árbitro, que é um lance junto à linha de baliza e já no interior da área, e portanto, alguma distância do árbitro em relação ao lance, embora ele tenha uma condição física que lhe permite estar em todo lado, e estava bem colocado, mas em relação à videoarbitragem, eu acho que é tão claro e óbvio quando vejo a repetição, ou seja, é mesmo um pênalti claro de previsão. Portanto, este é um erro que a equipa de arbitragem acaba por cometer e é sempre com impacto, sobretudo porque o jogo ficou empatado e é uma questão de um pênalti. Depois, ao minuto 25, o gol bem anulado ao Sporting. Até recebi várias mensagens, as pessoas estão ligadas ao lance, o gol é anulado porque o Flávio Gonçalves tocou a bola com o braço e as pessoas dizem: "Ah, mas foi sem querer, não foi de propósito, não há volumetria", e as pessoas esquecem-se, não sabem, tudo ok, que a lei 12, a página 110, fala de uma situação que já tem alguns anos, que é sempre que um jogador toque na bola com a mão ou braço, mesmo que seja não deliberado, a palavra que eles utilizam é: mesmo que seja acidentalmente, e que depois a bola entre na baliza diretamente ou que sobre para o próprio que faz gol, como foi o caso, o gol é sempre anulado. Portanto, não há qualquer tipo de interpretação para ver se há volumetria, se foi deliberado, não interessa. A lei é muito clara. Toca no braço, mesmo sem querer, acidental, se a bola entrar na baliza adversária, o gol tem que ser sempre anulado. E é por isto que o VAR, ao ver esta circunstância, diz ao árbitro que o Flávio Gonçalves, e depois o árbitro mete nos microfones a dizer que foi o 58, que o Flávio Gonçalves tocou a bola com o braço e o gol é anulado. E é por isso que o árbitro não vai ao monitor, porque como não há interpretação, é factual, não vai. Porque se fosse a questão do Suárez, que supostamente antes, na assistência que faz, poderia ter tocado a bola com o braço, aí, sim, tínhamos que ver se era deliberado, volumetria, essas coisinhas todas. E então aí, sim, o árbitro tinha que ir ao monitor, porque era sempre um lance de interpretação. Não vai ao monitor, porque não há interpretação, é factual e a lei 12, página 110, fez essa respectiva alteração e daí, portanto, o gol bem anulado, porque há mesmo toque com o braço/cotevelo esquerdo do Flávio Gonçalves. Depois, ao minuto 33, há um cartão amarelo que fica por mostrar. O Támas Zúgsz, acho que é assim que se diz, estica a perna direita e pisa o pé esquerdo de Geny Catame, entrada que se enquadra na negligência e, portanto, mereceria, naturalmente, na minha perspectiva, o respectivo cartão amarelo. E depois, a acabar a primeira parte, minuto 45 mais um, cartão amarelo bem mostrado ao Gil Dias, por trás, sem querer jogar a bola, agarra e puxa o Flávio Gonçalves e depois ainda teve uma mãozinha no pescoço do Flávio Gonçalves.
Ouvi gente reclamar, gente claro, mais afeta ao Sporting e talvez um pouco menos rigorosa e imparcial, mas a reclamar um eventual vermelho. Aqui descarta-se completamente essa possibilidade.
Não, eu acho que é mais completamente desportivo. E como é na sequência, agarras e depois colocas a mão, normalmente não se vai mostrar dois cartões amarelos nesta circunstância, é ato contínuo. Até porque o árbitro ficou logo ali em cima. Isto para dizer que eu acho que o cartão amarelo é bem mostrado e aquele comportamento de mão ao nível do pescoço é mais um comportamento desportivo, não considero isto uma conduta violenta e por isso considero uma boa decisão disciplinar. Depois, na segunda parte, e acabamos com isto, os lances da primeira parte.
E vamos à segunda, com rapidez.
Exatamente. Portanto, na segunda parte, temos ainda alguns casos, minuto 59, cartão amarelo que fica por mostrar ao Gonçalo Inácio, porque é uma entrada fora de tempo sobre o Sorris, acaba mesmo com o pé direito por pisar o pé esquerdo do jogador do Famalicão. Depois temos, ao minuto 62, o cartão amarelo mostrado a Geny Catame. É correto, é uma entrada com o pé e perna esquerda, também na perna esquerda do Sorris e portanto acaba por derrubar uma saída em contra-ataque e portanto cartão amarelo bem mostrado aqui. E depois entramos naquilo que é uma fase de vários lances importantes, o pênalti bem assinalado para mim, havia ali três momentos de análise, o Suárez não fez falta sobre o Pena, eu no direto não consegui ver isso de forma total. Ele toca na bola com o pé esquerdo e desarma e é daí que o Sporting recupera a bola. Depois não há empurrão do Irancunda. O Bondou desequilibra-se porque tropeça no próprio jogador do Sporting. E finalmente, aquilo que era o contacto do Bondou sobre o Ioannidis que deu o pênalti, é porque há um pisão. E, portanto, também não consegui ver isto logo no direto, com o pé direito pisa o pé esquerdo do Ioannidis e, portanto, há mesmo pontapé de pênalti. Como não há nenhuma falta anterior, o pênalti a favor do Sporting é uma decisão correta. Ato contínuo ao minuto 80, o Carlos Carvalhal é advertido exatamente por causa dos respetivos protestos. Depois ao minuto 86, cartão amarelo mostrado ao Suárez, faz uma falta e depois ainda tem um comportamento desportivo que é ir para o adversário e o árbitro a mostrar bem o respectivo cartão amarelo. 85, a expulsão do Bene, não há hipótese. Ele sem bola, faz o passe e depois sem bola levanta a perna direita para trás, embora dobrada e de sola, e Pitons acerta claramente ali no baixo-ventre. Nem dá para perceber bem se é entre o baixo-ventre, se é nas pernas do Max Luz. Mas a agressão, a tentativa de agressão, é sempre punida com cartão vermelho. E é mesmo uma conduta violenta e, portanto, o cartão vermelho é muito bem mostrado.
Até lhe chamaste um coice durante a emissão.
Exatamente. É uma expressão plebeia.
Não, mas é verdade, foi exatamente o gesto.
É mesmo esse gesto, é mesmo um coice. Minuto 90, Irancunda vê cartão amarelo por puxar o adversário. E depois o outro caso do jogo, também boa decisão para mim, no gol do empate de Famalicão, o Frasner fica a protestar por uma eventual falta atacante do Abubakar, que faz o cabeceamento, mas o Abubakar sobe, impulsiona-se e não faz essa impulsão à conta de colocar as mãos sobre o Frasner. Porque faz a impulsão, consegue saltar e depois, quando já está no ar, ele coloca realmente aquele momento que já está no ar e que faz o cabeceamento e acaba por colocar as mãos na zona dos ombros do Fresneda. Mas não é isto que impede o Fresneda de saltar, porque uma coisa é tu ires a saltar e apoiares-te no adversário para fazeres salto, aí é falta, porque impede o adversário também de chutar a bola. Não, ele saltou, está lá no ar, cabeceia e depois há o contacto e as mãos têm que estar para baixo, porque o jogador salta bem alto e esse contacto que existe nos ombros não é para infração e, portanto, o golo do Famalicão é correto. E finalmente, o Fresneda vê cartão amarelo ao minuto 90+7 por protesto, em função, naturalmente, desta circunstância toda.
Resta saber que nota merece Luís Godinho neste jogo que valeu o empate ao Famalicão, mais saboroso para o Famalicão do que para o Sporting, que acaba por perder dois pontos nesta sexta jornada. Resta saber que nota merece Luís Godinho.
Eu vou dar nota quatro, porque tem que ser negativa. O Luís Godinho tem muitas decisões corretas. Repara que eu considero a maior parte das decisões, o vermelho direto correto, o penálti a favor do Sporting correto, o golo do empate correto, que são três lances muito importantes e dá vontade de sempre dar boas notas por isto, mas é um jogo de um empate, que acaba empatado. E há um lance no início em que eu divido claramente as culpas, entre aspas, entre o árbitro, que lá também tem que ver, e o VAR. E por isso eu diria quase como título que o VAR não ajudou num penálti claro e óbvio e isso acaba por ter impacto na decisão, neste caso a favor do Sporting, na decisão da minha nota, que é uma nota quatro, em função disso, com muita pena minha, no sentido que foi um jogo complicado, difícil e com muitas e boas decisões, mas este acaba por ter um impacto maior na decisão em termos de nota. Nota quatro para o Luís Godinho.
Nota quatro para Luís Godinho neste Famalicão 1, Sporting também 1, jogo a contar para a sexta jornada do campeonato, que aqui acompanhamos, como sempre, com áudio e arbitragem de Pedro Henriques, que está também sempre disponível para ser ouvido em sede de O Campeão É, com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto. Um grande abraço, Pedro.
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