Jovem morto foi atingido por 12 tiros, aponta laudo; PMs atiraram 45 vezes

Apesar do laudo, um relatório circunstanciado indicou que o corpo de Gustavo apresentava 27 lesões perfurocontusas. O documento da investigação do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), datado de 10 de outubro, aponta que as lesões atingiram, entre outros, o lado direito do crânio, maxilar, queixo, região torácica, região pélvica, coxa e perna esquerda do jovem. O boletim de ocorrência, obtido pela reportagem, também cita a constatação de "pelo menos 27 lesões perfurocontusas" no corpo do jovem. Gustavo morreu no local.
No total, também segundo o relatório, os policiais realizaram 45 disparos. Na fachada do imóvel localizado atrás do ponto onde Gustavo caiu, foram encontradas cerca de dez marcas de perfurações. A perícia também encontrou 44 estojos balísticos deflagrados de calibre .40 no local. Uma reportagem do UOL mostrou que o policial militar que mais atirou na ocorrência é um soldado que está há um ano e nove meses na Polícia Militar e disparou 14 vezes.
A advogada Ana Facillia Meira, que defende a família de Gustavo, disse hoje ao UOL que ainda não obteve acesso ao laudo. Antes, a família afirmou que o caso demonstra uma violência institucional enorme. Segundo Meira, os parentes do jovem estão completamente desamparados e não receberam contato da SSP-SP após a ocorrência. Segundo a defensora, o único apoio veio do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), que procurou a família na terça-feira e ofereceu ajuda psicológica.
A SSP-SP disse que os quatro agentes estão afastados das atividades operacionais após a ocorrência. Um IPM (Inquérito Policial Militar) e um inquérito policial foram instaurados para apurar as circunstâncias da ocorrência.
Estágio e investigação
Três dos quatro policiais envolvidos na ocorrência estão em estágio probatório, informou a SSP-SP. Segundo o site Agência São Paulo, do governo estadual, o período dura três anos, contados a partir da posse no cargo, e inclui o prazo para a conclusão do Curso de Formação de Praças. Durante esse período, são avaliados requisitos como aptidão para o posto, conduta social, reputação, idoneidade, perfil psicológico, aptidão física e comprometimento com os valores e a disciplina da corporação. O policial pode ser exonerado se deixar de preencher algum desses requisitos.
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