Bella Longuinho diz que transição de gênero mudou relação com a família; entenda

Aos 24 anos, Bella Longuinho afirma que a transição de gênero trouxe mudanças que foram além da aparência. Ao olhar para quem era antes, a influenciadora diz que se considerava uma pessoa mais fria e distante e que, depois de se reconhecer como mulher, passou a se sentir mais conectada com os próprios sentimentos, com a família e com as pessoas ao redor.
"Antes eu era uma pessoa muito fria, um homem muito frio. E aí eu transicionei e parece que deu vida aos meus sentimentos. Então hoje em dia eu me importo muito mais com a minha família, me conecto muito mais com eles, ajudo muito mais da forma que eu consigo. Eu vejo que tenho muito mais simpatia pelas pessoas", relata.
Para a influenciadora, a mudança emocional também está relacionada ao fato de finalmente se sentir confortável com a própria identidade. "Acho muito disso é por eu ter me encontrado comigo mesma. Hoje eu sinto tudo mais forte, me sinto muito mais viva. Eu não conseguia me conectar, porque como que ia me conectar com as pessoas sendo que eu não estava nem resolvida comigo mesma?", diz.
A relação difícil com a família também tinha raízes em experiências vividas por Bella durante a infância e a adolescência. Antes de transicionar, ela se identificava como homem gay e conta que enfrentou resistência e preconceito dentro de casa.
“Foi difícil a minha família me aceitar como um homem gay. Tinha muito preconceito quando eu era criança, na adolescência. Acho que eu tive que me esfriar, esfriar a relação, para eu não sofrer tanto”, afirma.
Ao longo dos anos, eles tentaram se reaproximar, mas Bella ainda tinha medo do contato. A situação mudou durante sua transição. A influenciadora conta que não teve coragem de contar pessoalmente aos pais que havia decidido começar o processo e que eles descobriram ao mesmo tempo que o público, quando ela publicou um vídeo sobre o assunto na internet.
A reação, segundo ela, foi diferente do que imaginava. “Eu jurava que eles não iam aceitar, que ia superatrapalhar a minha relação com a minha família. Mas me surpreendeu porque, muito pelo contrário, hoje eu sou muito mais próxima da minha família”, conta.
Com o pai, o processo de reaproximação levou mais tempo. A criadora de conteúdo conta que demorou alguns meses para conseguir conversar com ele sobre a transição e que ele permaneceu mais distante durante esse período. Um tempo depois, os dois retomaram o contato e, atualmente, ela descreve a relação como “maravilhosa”.
Apesar de reconhecer a importância que o apoio familiar teve em sua trajetória, Bella faz uma ressalva ao dizer que não acredita que a aceitação da família seja uma condição para que uma pessoa trans consiga ser feliz. “Não é essencial na sua vida. Não é, tipo, ‘Meu Deus, se você não tiver apoio da sua família, você não vai ser feliz’. Não é isso. Mas é tão bom, ajuda tanto, sabe? Deixa tão mais leve”, afirma.
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